Tesouro direto

Arthur Vieira: A grande virada do Tesouro Direto

O lançamento do Tesouro Reserva marca uma grande mudança na estrutura do TD


Homem branco, com cabelo castanho claro. A foto o retrata de forma lateralizada, com uma camisa polo azul.

Arthur Vieira

@arthurvmoraes

Professor de finanças, palestrante, consultor e apresentador


Criado em 2002, o Tesouro Direto recebeu esse nome porque era justamente o que se propunha a entregar, a possibilidade de qualquer pessoa investir diretamente nos mesmos títulos do Tesouro Nacional que, até então, somente era possível alcançar indiretamente. 

Isso porque apenas investidores profissionais, como os bancos, fundos de investimento e fundos de previdência, tinham acesso a esses títulos. Portanto, uma pessoa física só conseguia investir em títulos públicos se investisse em fundos de investimentos ou fundos de previdência complementar, o que gera pagamento de taxas de administração e, em alguns casos, taxa de gestão. Ou seja, quem quisesse investir nos melhores títulos de renda fixa do Brasil, tinha que pagar pedágio. 

A criação do Tesouro Direto já foi uma grande revolução no mercado financeiro. Porém, o ambiente ainda não era amigável para quem não fosse especialista em finanças, pois encontrava as opções de investir em Letras Financeiras do Tesouro (LFT), Notas do Tesouro Nacional – série B (NTN-B), Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional – série F (NTN-F). O sistema entregava o prometido, eram os mesmos títulos disponíveis para profissionais, com as mesmas características. Acontece que os leigos não eram capazes de entender como funcionavam. 

Em 2015 uma grande melhoria aconteceu. O Tesouro Direto adotou “nomes fantasia” para os títulos. A dinâmica continuava a mesma, acesso direto aos títulos públicos, porém agora os mesmos títulos ganhavam nomes diferentes apenas na plataforma do Tesouro Direto, para que os leigos tivessem mais facilidade de compreender o seu funcionamento. 

Desde então é que falamos de Tesouro Selic (LFT), Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal), Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B), Tesouro Prefixado (LTN) e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F). 

A grande mudança acontece a partir de 2023 

A partir de 2023 novos títulos vêm sendo lançados e, ao contrário dos demais, estão disponíveis apenas na plataforma do Tesouro Direto. Portanto somente acessíveis para as pessoas físicas e não para os profissionais.  

As características dos novos títulos levam em consideração as reais necessidades e desejos das pessoas comuns.  

Em 2023 foi criado o Tesouro Renda+ que facilita o planejamento de uma aposentadoria com mais renda, pois o título paga renda mensal durante 20 anos, a partir do ano escolhido por quem investe.  

Ainda em 2023, alguns meses depois, foi lançado o Tesouro Educa+, bem parecido com o Renda+, só que pagando renda mensal por apenas 5 anos. O objetivo é planejar o pagamento de uma faculdade no futuro. Em geral, um curso superior tem até 5 anos de duração, daí a ideia de criar um título que distribui renda durante o mesmo prazo. 

Objetivos de longo prazo já estão muito facilitados pelos novos títulos. As pessoas precisam de renda todos os meses e o Renda+ e Educa+ entregam exatamente isso.  

Mas a vida acontece no presente, no dia a dia, e faltava melhorar o título que ajudava a guardar dinheiro para imprevistos. Problema resolvido em 2026, com a criação do Tesouro Reserva

O título é muito simples. Aceita investimento mínimo de R$ 1,00 e depósitos ou resgates podem acontecer a qualquer dia da semana, até a meia-noite. Resolve assim mais uma necessidade e desejo das pessoas. Guardar dinheiro em um lugar seguro, rentável e poder acessar o dinheiro a qualquer momento. 

Para que essa simplicidade seja possível, um sistema complexo foi desenvolvido rapidamente em um grande esforço conjunto do Tesouro Nacional, B3 e Banco do Brasil. 

O Tesouro Direto passa a ser, de uma vez por todas, o Tesouro das pessoas comuns. Uma plataforma onde você encontrará os mesmos títulos de antes e os novos títulos, pensados especialmente para você, e que não estão disponíveis para os profissionais.  

Sem falar em ferramentas como os cartões presente (gift card), a “vaquinha” (tesouro coletivo) e investimento automático. Funcionalidades que facilitam ainda mais o sistema e resolvem os nossos problemas do dia a dia. 

O impacto disso tudo é grandioso! A indústria que se mexa para oferecer produtos mais eficientes do que os existentes atualmente, porque o Tesouro Direto vem se tornando a principal plataforma de investimentos dos brasileiros.  

Não vá me dizer que você ainda está de fora…

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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