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Cintia Frankfurt: Antes de escolher onde investir, você precisa fazer isso
A maioria das pessoas chega ao mundo dos investimentos pela porta errada: escolhendo o produto antes
Cintia Frankfurt
@falando_em_investirFundadora do Falando em Investir, analista CNPI e consultora CVM. Possui ampla expertise em planejamento financeiro e investimentos. Por meio de sua consultoria, orienta as pessoas a investir com segurança, ajudando-as a alcançar seus sonhos e objetivos de vida.
Se eu te pedir para montar um prato de comida balanceado agora, o que você faria?
Provavelmente não sairia colocando lentilha, feijão e grão-de-bico e acharia que está tudo certo. Mesmo que você adore os três, sabe que um prato feito só de leguminosas não é exatamente o que se chama de refeição equilibrada.
Isso porque, de forma quase intuitiva, você já pensa em categorias antes de pensar nos alimentos em si. Você sabe que precisa de uma proteína, de um carboidrato, de vegetais. Só depois de definir essas categorias é que você decide: frango ou peixe? Arroz ou batata? Salada verde ou legumes refogados?
Com investimentos, o raciocínio deveria ser exatamente o mesmo. Mas quase ninguém faz assim.
O erro mais comum de quem começa a investir
A maioria das pessoas chega ao mundo dos investimentos pela porta errada: escolhendo o produto antes de entender a estrutura. É como entrar no mercado, pegar o que parece mais apetitoso e só depois tentar montar um prato com aquilo.
O resultado? Uma carteira desequilibrada — às vezes concentrada demais em um único tipo de investimento, sem que a pessoa sequer perceba.
O passo que falta tem um nome: alocação de ativos.
O que são classes de ativos — e por que elas vêm primeiro
Assim como os grupos alimentares organizam o que vai para o seu prato, as classes de ativos organizam o que vai para a sua carteira. São as grandes categorias do mundo dos investimentos: renda fixa pós-fixada, renda fixa prefixada, bolsa brasileira, mercado imobiliário, ativos internacionais, entre outras.
A lógica é a mesma da alimentação: primeiro você define quanto quer de cada categoria. Só depois escolhe o produto que vai preencher aquele espaço.
Tomou a decisão de ter renda fixa pós-fixada na carteira? Ótimo. Agora sim faz sentido avaliar se vai usar um CDB, uma LCI, uma LCA, um fundo de investimento ou o Tesouro Selic. Todos eles pertencem à mesma “prateleira” — são formas diferentes de acessar a mesma classe de ativo.
Mas quanto colocar em cada categoria?
É aqui que muita gente trava. E é aqui que o paralelo com a alimentação continua fazendo sentido.
Quem tem uma meta específica de ganho de massa muscular não vai colocar muito arroz no prato — vai priorizar proteína. Quem precisa reduzir o colesterol vai prestar atenção no tipo e na quantidade de gordura que consome. O objetivo muda a proporção. E a proporção vem antes da escolha do alimento.
Nos investimentos é igual. Seus objetivos — aposentadoria, compra de imóvel, reserva de emergência, renda no curto prazo — definem como sua carteira deve ser distribuída entre as classes de ativos. Uma pessoa jovem, com horizonte longo e tolerância a risco, terá uma alocação muito diferente de alguém próximo da aposentadoria que precisa de estabilidade e liquidez.
Não existe uma fórmula única. Assim como não existe uma dieta universal.
O produto é o último passo, não o primeiro
Então, antes de pesquisar o próximo investimento, vale se perguntar: eu já sei qual é a minha alocação? Se a resposta for não, esse é o ponto de partida — não o produto.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3