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Hedge Investments: Quer investir em uma carteira de FIIs? Entenda a diferença entre fundos de fundos e ETFs


Hedge Investments

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A Hedge Investments é um grupo especializado em investimentos alternativos, com cerca de R$ 11bi sob gestão e administração, distribuídos em diferentes veículos como FII, ETFs, fundos multimercado, Fiagro e FIP. Nosso fundo HGBS11 foi o primeiro FII em entrar no FTSE EPRA Nareit Global REIT index, um dos maiores benchmarks globais de real estate. No mercado de indexados, a Hedge criou o primeiro ETF de FII de tijolo, o HERT11.


Por Felipe Freitas
O veículo ETF no Brasil deixou de ser adolescente há bastante tempo. Desde 2004, esse tipo de investimento já existe no país; contudo, o verdadeiro amadurecimento da indústria ocorreu nos últimos anos, com destaque para 2025, quando o mercado praticamente dobrou de tamanho em termos de ativos sob gestão (AuM).

Segundo levantamento interno da Hedge, com base em dados da Bloomberg, foram lançados 61 ETFs no Brasil em 2025. O principal foco foi renda variável: ao todo, 23 novos ETFs de equities chegaram ao mercado, sendo 13 com exposição a ações no exterior e 10 voltados à renda variável doméstica. Ainda assim, também houve um número relevante de lançamentos em renda fixa e crédito, totalizando 20 ETFs — dos quais 15 investem em ativos brasileiros e cinco em ativos estrangeiros. No segmento de criptoativos, estrearam 10 ETFs, enquanto o universo de commodities contou com quatro novos veículos, com destaque para os ETFs de ouro. Por fim, houve ainda dois lançamentos de ETFs cambiais e dois ETFs multi-asset.

Dentro dos dez ETFs lançados com foco em renda variável brasileira, apenas um é dedicado ao mercado imobiliário: o HERT11. Esse dado chama a atenção, especialmente quando contrastado com o perfil dos demais lançamentos. Dos dez ETFs dessa categoria, nove concentram-se no mercado acionário brasileiro, que vem encolhendo ao longo dos últimos quatro anos.

Dados da B3 mostram que, desde o final de 2021, o número de empresas listadas caiu 11%, passando de 398 para 355 ao final de 2025. No mesmo período, o valor de mercado agregado permaneceu praticamente estagnado, avançando de R$ 4,6 trilhões para R$ 4,8 trilhões. Em outras palavras, há cada vez menos empresas disponíveis para investimento, ao mesmo tempo em que o número de ETFs focados nesse mercado continua crescendo. Pelas nossas estimativas, existe atualmente quase um ETF de ações para cada seis empresas listadas na bolsa brasileira.

Essa observação é feita estritamente como benchmarking, e não como uma crítica à indústria de ETFs de ações. Em mercados mais maduros, como o dos Estados Unidos, essa proporção costuma ser ainda maior, situando-se em torno de um ETF para cada quatro ou cinco empresas listadas. O ponto central, contudo, é a escassez de opções indexadas no segmento de real estate no Brasil.

Enquanto o mercado acionário doméstico se reduzia, o mercado de fundos imobiliários (FIIs) apresentou crescimento relevante, mesmo diante de choques exógenos, como a pandemia da COVID-19, e de um ambiente macroeconômico desafiador, marcado por taxas de juros elevadas. Entre o final de 2021 e o final de 2025, o número de FIIs listados cresceu 6,7%, passando de 402 para 429 fundos, segundo dados históricos e boletins da B3. Em termos de valor de mercado, o crescimento foi ainda mais expressivo: alta de 41%, de R$ 158 bilhões para R$ 194 bilhões no período. Ainda assim, existem apenas dois ETFs listados no Brasil com foco em FIIs.

Por que isso é relevante? Em um mercado com mais de 400 ativos disponíveis, o exercício de stock picking torna-se extremamente complexo. O investidor de FIIs, tradicionalmente, está habituado a selecionar poucos fundos “vencedores” e a realizar giros frequentes de carteira. Além de potencialmente ineficiente, esse processo é operacionalmente desgastante, pois pode exigir o acompanhamento simultâneo de 10, 20 ou até 30 FIIs, cada um com seus relatórios gerenciais, fatos relevantes, informes de rendimentos e eventos corporativos.

Os ETFs surgem como uma solução clara para esse problema. Ao investir em um único ativo, o investidor obtém exposição a uma cesta diversificada de FIIs, construída de forma quantitativa, com regras claras, transparentes e não discricionárias. Essa proposta de valor já é amplamente reconhecida em outros mercados, como o de ações domésticas e internacionais.

Além disso, os ETFs endereçam uma característica específica do mercado de FIIs: o frequente descasamento entre valor patrimonial e preço de mercado. Por contarem com formadores de mercado atuantes e com os mecanismos de criação e resgate de cotas, os ETFs tendem a negociar próximos ao seu valor patrimonial líquido. No caso do HERT11, por exemplo, a relação cota mercado/valor patrimonial era de 1,00 no fechamento de janeiro 2026.

*Dados desde início do ETF 10/06/2025 até 30/01/2026

Um argumento recorrente é o de que a existência de diversos fundos imobiliários do tipo FoF explicaria a baixa oferta de ETFs de FIIs. Embora haja um fundo de verdade nessa afirmação, tratam-se de veículos com propósitos distintos. Os FoFs, apesar de proporcionarem diversificação, operam majoritariamente de forma discricionária e direcional, refletindo as convicções do gestor quanto a segmentos ou estratégias específicas do mercado imobiliário. Já os ETFs de mercado amplo oferecem exposição sistemática ao conjunto do mercado, usando regras transparentes e verificáveis.

Adicionalmente, por serem fundos fechados, os FoFs podem negociar com descontos ou prêmios relevantes em relação ao seu valor patrimonial. Em ambientes de juros elevados, como o atual, esses descontos podem gerar oportunidades interessantes. Como exemplo, o HFOF11, um dos FoFs mais líquidos da indústria, apresentou em 2025 valorização de cota de 14,73% e retorno total, incluindo dividendos, de 26,4%.

A mensagem central, portanto, é clara: o mercado de ETFs de FII no Brasil é ainda incipiente e existe uma oportunidade enorme. Dado o crescimento, a profundidade e a relevância do mercado imobiliário listado, há amplo espaço para o desenvolvimento de novos produtos indexados. Importante ressaltar que ETFs de FIIs e FoFs não são substitutos entre si, mas veículos complementares, com funções e propostas de valor distintas dentro da alocação do investidor.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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