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Alexandre Frade: como o conflito no Irã pode afetar a curva do IPCA+ (e como aproveitar esses movimentos nos seus investimentos)
Um eventual fechamento do Estreito de Ormuz, pelo qual transita cerca de 20% do petróleo global, cria um choque de oferta com efeitos bifurcados sobre a curva IPCA+
Alexandre Frade, da Itaú Asset
Sênior Portfolio Manager de Estratégias Indexadas da Itaú Asset Management. Experiência de 10 anos em Fundos de Pensão, e 5 anos na BlackRock como Gestor Sênior de ETFs listados na América Latina. Desde 2018, trabalha na Itaú Asset com foco em mandatos Indexados e ETFs.
A escolha de duration em renda fixa indexada à inflação é, em essência, uma aposta sobre o futuro dos juros reais. E raramente essa decisão foi tão estratégica quanto agora, com o petróleo pressionado pelo risco de fechamento do Estreito de Ormuz.
+ Entenda aqui o que é duration
Conheça os três instrumentos da grade Itaú que dão ao investidor aceso a títulos públicos atrelados à inflação (IPCA+)
- O B5P211 replica o IMA-B5 P2, composto por NTN-Bs com prazo inferior a 5 anos, com duration média em torno de 2 anos. É o instrumento de menor risco de marcação a mercado.
- O IMAB11 segue o IMA-B completo, reunindo todos os títulos públicos do Tesouro atrelados à inflação independentemente do vencimento (“a curva inteira”), com duration intermediária.
- O IB5M11 replica o IMA-B5+, composto exclusivamente por NTN-Bs com vencimentos acima de cinco anos. É o de maior sensibilidade a movimentos de taxa.
Os fatores que governam a decisão de duration:
Quatro variáveis devem guiar qualquer alocação ao longo da curva de juros reais: (1) a trajetória esperada da taxa Selic e dos juros reais neutros; (2) o prêmio de risco fiscal embutido nos vértices longos; (3) o horizonte de investimento e a tolerância à volatilidade de cota; e (4) o comportamento da inflação esperada, que afeta diferentemente os trechos curto e longo da curva. Títulos mais longos são mais sensíveis às variações nas expectativas de juros. Quando a Selic cai, tendem a se valorizar mais intensamente; por outro lado, também são mais voláteis no curto prazo.
O fator Ormuz: dois cenários, duas posições
Um eventual fechamento do Estreito de Ormuz, pelo qual transita cerca de 20% do petróleo global, cria um choque de oferta com efeitos bifurcados sobre a curva IPCA+.
No cenário de conflito curto, o choque inflacionário eleva o IPCA corrente, beneficiando os títulos curtos pela correção monetária imediata, favorecendo o B5P211. O Banco Central precisaria manter juros altos por mais tempo, comprimindo os ganhos de marcação nos vértices longos e punindo o IB5M11.
No cenário de choque sistêmico prolongado, ruptura das cadeias de suprimento, recessão global, queda de commodities exportadas pelo Brasil como minério e soja, o quadro se inverte. O mercado passaria a precificar deterioração fiscal, aversão ao risco e eventual abertura de prêmios na curva longa brasileira. Nesse caso, o IMAB11 oferece equilíbrio: captura a proteção inflacionária sem concentrar toda a aposta no vértice mais volátil.
Conclusão prática
Para o investidor brasileiro neste momento, uma posição no IMAB11 como âncora, com sobreposição tática de B5P211 enquanto a incerteza geopolítica permanecer elevada, parece mais defensiva do que migrar integralmente para o longo. O IB5M11 só ganha protagonismo quando houver visibilidade sobre o pico da Selic e queda consistente dos juros reais, cenário que o conflito no Irã, por ora, adia.
Acesse o Simulador de Investimentos da Itaú Asset
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3