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Alexandre Frade: Ouro, cripto e Treasuries. A diversificação “além do beta tradicional” 


Alexandre Frade, da Itaú Asset

Alexandre Frade, da Itaú Asset

Sênior Portfolio Manager de Estratégias Indexadas da Itaú Asset Management. Experiência de 10 anos em Fundos de Pensão, e 5 anos na BlackRock como Gestor Sênior de ETFs listados na América Latina. Desde 2018, trabalha na Itaú Asset com foco em mandatos Indexados e ETFs.


Em momentos de estresse geopolítico, como o atual, marcado pela escalada do conflito envolvendo o Irã, o mercado costuma entrar rapidamente em modo risk-off. Bolsas pressionadas, volatilidade elevada, commodities energéticas em alta e uma busca mais intensa por ativos de proteção compõem um ambiente particularmente desafiador para carteiras excessivamente concentradas no beta tradicional, baseado em renda fixa, ações e crédito corporativo locais. 

É justamente nesses períodos que a diversificação “além do beta” mostra seu valor. Ativos com comportamento distinto, baixa correlação estrutural com ações e funções macroeconômicas claras passam a exercer um papel central: reduzir a volatilidade agregada da carteira, amortecer perdas em cenários adversos e preservar a capacidade de atravessar regimes de mercado mais instáveis. 

O ouro segue sendo o exemplo mais clássico desse papel defensivo. Historicamente visto como reserva de valor, tende a se beneficiar em ambientes de incerteza elevada, choques geopolíticos e riscos inflacionários — elementos que se intensificam quando conflitos no Oriente Médio afetam preços de energia e expectativas de política monetária. No mercado local, o GLDI11, ETF de ouro da Itaú Asset, permite acessar essa proteção de forma eficiente: exposição ao metal sem variação cambial, combinada ao carrego do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Essa estrutura transforma o ouro em um componente não apenas defensivo, mas financeiramente eficiente dentro da alocação. 

Outro pilar relevante nesse cenário são os títulos do Tesouro americano. Em momentos de estresse global, Treasuries tendem a funcionar como ativo de refúgio, beneficiandose da busca por segurança, liquidez e previsibilidade. Além disso, em um ambiente de desaceleração ou maior aversão a risco, a queda das taxas longas pode gerar ganhos de capital relevantes. O T10R11, ETF da Itaú Asset que oferece exposição aos Treasuries de 10 anos em reais e sem risco cambial, permite incorporar esse papel defensivo à carteira de forma simples e transparente. Tratase de uma peça fundamental na diversificação, combinando proteção, liquidez e sensibilidade positiva a choques de crescimento. 

Já os criptoativos ocupam uma posição distinta nessa arquitetura. Não são ativos defensivos clássicos, mas uma classe alternativa, com fundamentos próprios, oferta limitada e dinâmica que, em determinados ciclos, se distancia dos mercados tradicionais. Em carteiras bem estruturadas, funcionam como fonte de convexidade e assimetria positiva no médio e longo prazo. O BITI11, ETF de Bitcoin da Itaú Asset, permite acessar essa exposição de forma regulada, integrando o universo cripto à lógica tradicional de alocação via ETFs. 

O ponto central não é substituir o beta tradicional, mas complementálo. Em períodos como o atual, carteiras excessivamente dependentes de ações globais ficam vulneráveis a choques exógenos difíceis de antecipar. A combinação disciplinada de ouro, Treasuries e cripto, cada um com uma função distinta, amplia o conjunto de fontes de retorno e torna o portfólio mais robusto a diferentes regimes macroeconômicos. 

Diversificar “além do beta” é reconhecer que o mundo real é mais complexo do que os modelos lineares sugerem. Em ambientes de incerteza elevada, essa complexidade, quando bem organizada, deixa de ser um risco e passa a ser uma vantagem estratégica. 

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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