Investir melhor

Professor Mira: O que grandes investidores podem te ensinar sobre investir em bolsa?

Aprenda sobre qualidade, diversificação e gestão de risco para multiplicar seu patrimônio no longo prazo com ações, usando as estratégias de Warren Buffett, Ray Dalio, Peter Lynch e Seth Klarman


Professor Mira

Professor Mira

Investidor profissional, Analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira. Empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor best-seller e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos pelo mundo. Está nas redes sociais como @professormira


Se você acompanha minha coluna aqui no Bora Investir, é bem provável que já invista em Bolsa ou, minimamente, tenha pensado em começar. E na minha opinião, essa é uma das melhores decisões que um investidor pode tomar.

Construir e gerenciar uma carteira de investimentos sem incluir uma parcela de renda variável é negligenciar todo o potencial que as ações possuem para multiplicar patrimônio de forma consistente no longo prazo.

O que separa os investidores de sucesso daqueles que apenas “tentam a sorte” não é a quantidade de dinheiro que possuem para começar, mas sim algumas premissas atemporais e fundamentos simples que guiam as mentes mais brilhantes do mercado.

Para te mostrar que não é necessário reinventar a roda, hoje eu trago os pilares que sustentam as fortunas de alguns dos maiores investidores da história para que você veja que os fundamentos são mais lógicos e simples do que parecem.

Lições para o investidor comum na bolsa

Grandes investidores como Warren Buffett, Ray Dalio e Peter Lynch construíram impérios não por sorte ou por “dicas quentes”, mas através da aplicação rigorosa de premissas de investimento que qualquer pessoa, mesmo começando com pouco, pode e deve considerar.

1. Warren Buffett: foco na qualidade e no longo prazo

O “Oráculo de Omaha” é, sem dúvida, a figura mais emblemática do investimento em valor (Value Investing). A filosofia de Warren Buffett é simples, mas exige disciplina e paciência. Suas principais premissas são:

  • Compre empresas, não ações: Buffett ensina que, ao comprar uma ação, você está comprando uma parte de um negócio real. O foco, portanto, deve ser a qualidade intrínseca da empresa: sua vantagem competitiva, a força da sua marca, a perenidade dos seus lucros e a competência de sua gestão.
  • Margem de segurança: ele só investe quando o preço da ação está significativamente abaixo do que ele calcula ser o valor intrínseco da empresa. Isso cria uma margem de segurança que protege o capital contra erros de avaliação.
  • Compre e mantenha: sua estratégia é o famoso Buy and Hold. O poder do reinvestimento de dividendos e a valorização patrimonial sobre os lucros reinvestidos (no caso da capitalização interna) se manifestam plenamente em horizontes temporais muito longos.

Dentro dessa filosofia, a cotação diária não é relevante. A grande pergunta é: “Eu compraria esta empresa inteira para ter como negócio pelos próximos 10 ou 20 anos?” Se a resposta for sim, você está no caminho certo.

2. Peter Lynch: invista no que você conhece

Se Buffett preza pela paciência, Peter Lynch, o gestor que transformou o Fidelity Magellan Fund em uma lenda, enfatiza a importância da observação cotidiana, a partir da seguinte perspectiva:

  • O poder do investidor comum: Lynch popularizou a ideia de que o investidor comum tem uma vantagem sobre os profissionais de Wall Street, porque conseguem identificar tendências de sucesso ou produtos inovadores muito antes que os analistas as detectem em balanços corporativos.
  • Investir no que se conhece: a máxima de Lynch é “Invista no que você conhece”. Se você adora um produto, se seus vizinhos ou colegas de trabalho estão sempre falando sobre uma nova loja ou tecnologia, investigue a empresa por trás dela. Esse conhecimento de primeira mão pode ser um excelente ponto de partida para a análise fundamentalista.
  • Os tipos de ações: ele classificava as ações em categorias (como slow growers, stalwarts e fast growers) para entender o que esperar de cada uma, buscando empresas de crescimento rápido e bem geridas.

Enquanto Buffett nos ensina a olhar para a qualidade duradoura do negócio, Lynch nos mostra que as grandes oportunidades podem estar, literalmente, na prateleira do supermercado ou no posto de gasolina da esquina, exigindo apenas um olhar atento.

3. Ray Dalio: a força da diversificação e o all weather portfolio

Movendo-nos do investimento em valor para o mundo da gestão macro e de risco, encontramos Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates e criador do conceito de “All Weather Portfolio” (Carteira para Todas as Estações).

A perspectiva de Dalio:

  • A máquina econômica: Dalio vê os mercados como uma máquina movida por ciclos de crédito e produtividade. Ele foca em entender como o panorama macroeconômico afeta o desempenho de todos os ativos.
  • A santa trindade da diversificação: o princípio central de Dalio é que você deve construir uma carteira que se saia bem em qualquer cenário econômico. Ele argumenta que o segredo não é adivinhar o futuro, mas sim ter ativos que se comportam de forma diferente (ações, bonds, ouro, commodities) para que, quando um cai, o outro se mantenha ou suba.
  • Descorrelação: o que realmente importa na diversificação, segundo Dalio, é a baixa correlação entre os ativos. A alocação de risco (e não de capital) é o que protege a carteira em momentos de crise.

Em outras palavras, o conselho de Dalio para você é não colocar todos os ovos na mesma cesta pois a resiliência da sua carteira depende da exposição a diferentes classes de ativos.

4. Seth Klarman: a defesa do capital acima de tudo

Finalmente, temos Seth Klarman, que também segue a filosofia do value investing, mas com uma ênfase na gestão de risco. Ele é fundador do o autor do aclamado livro Margem de Segurança.

A visão de Klarman: 

  • Preservação do capital: enquanto outros buscam a rentabilidade máxima, Klarman foca, primeiramente, em não perder dinheiro. Ele defende que a preservação do capital é o objetivo fundamental e que, assegurado isso, o crescimento virá naturalmente.
  • O investimento contrário: Klarman frequentemente busca ativos que estão fora de moda ou que foram desproporcionalmente castigados pelo medo ou pela euforia do mercado. Ele compra o que o mercado está vendendo irracionalmente e vende o que o mercado está comprando irracionalmente.
  • Não focar apenas em ações: embora seja um investidor de ações, Klarman tem um olhar mais amplo. Ele está disposto a manter grandes quantidades de caixa quando não encontra bons negócios, e investe em dívidas e outras classes de ativos quando o preço está atrativo.

O ensinamento de Klarman para o pequeno investidor é que a disciplina, a paciência e a aversão ao risco são as chaves para o sucesso. O medo de perder dinheiro deve ser maior do que a ambição de enriquecer rapidamente. E eu complemento: promessas mágicas são sempre enganosas e se algo parece bom demais pra ser verdade, é porque realmente não é verdade! 

A bolsa de valores é para todos

O que vemos o tempo todo nas estratégias de grandes mestres do mercado não são fórmulas mágicas e secretas que os guruzinhos de internet tanto gostam de propagar. Ao contrário, são apenas o óbvio ignorado pela maioria: investimento na bolsa não é um jogo de azar, mas sim um processo disciplinado de alocação de capital em bons negócios.

Por que investir em ações é o caminho mais lógico?

  1. Proteção contra a inflação: no longo prazo, as empresas aumentam seus preços e lucros, repassando a inflação. Suas ações, portanto, tendem a valorizar acima dela, o que o dinheiro em Renda Fixa ou na Poupança raramente consegue fazer de forma consistente em janelas de tempo longas.
  2. O poder do reinvestimento: ao reinvestir dividendos você coloca o dinheiro para trabalhar sobre o dinheiro, acelerando exponencialmente o crescimento do seu patrimônio.
  3. Acessibilidade: com a tecnologia, é possível comprar frações de ações ou ETFs com valores incrivelmente baixos. Você pode começar a investir em ótimas empresas com apenas R$ 10 ou R$ 50, por exemplo. 

No meu canal do youtube, existem as carteiras de R$ 50, com ativos criteriosamente selecionados e que ajudam o investidor iniciante a começar do jeito certo e reforçam que mais importante que o valor do aporte inicial é a consistência e o tempo.

Investir em ações é investir no seu futuro

É muito comum ouvirmos as pessoas fazendo uma espécie de separação entre bolsa de valores e “economia real”, e isso não faz o menor sentido. Bolsa de valores é economia real! É através das negociações ocorridas nesse ambiente que as empresas conseguem crescer e fomentar o crescimento econômico dos países. 

Tudo está interligado e ao investir em bolsa, pessoas comuns como eu e você podemos participar do crescimento das melhores empresas do mundo.

Os princípios são simples: disciplina, paciência, foco na qualidade do negócio (Buffett), diversificação (Dalio), investimento no que você entende (Lynch) e gestão de risco (Klarman).

Por muito tempo, o mercado de ações foi visto como um ambiente complexo e exclusivo para “tubarões”, que exigia grandes quantias iniciais e um conhecimento profundo de mercado. No entanto, essa percepção está cada vez mais distante da realidade.

Não espere ter um grande capital para começar. O investidor que começa hoje com pouco e investe consistentemente tem uma vantagem de tempo que nenhum montante inicial consegue comprar. Comece com o que você tem e não pare mais, pois bolsa de valores é para todos.

As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

Para conhecer mais sobre finanças pessoais e investimentos, confira os conteúdos gratuitos na Plataforma de Cursos da B3. Se já é investidor e quer analisar todos os seus investimentos, gratuitamente, em um só lugar, acesse a Área do Investidor.