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Professor Mira: O FGC devolveu o dinheiro do Banco Master. Onde investir?

Entenda quais são suas opções para investir o dinheiro que veio do FGC


Professor Mira

Professor Mira

Investidor profissional, Analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira. Empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor best-seller e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos pelo mundo. Está nas redes sociais como @professormira


O fechamento de 2025 trouxe um susto para muitos investidores com a liquidação do Banco Master. Mas agora que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou a devolução dos recursos de quem tinha investimentos na instituição, é natural que surja a dúvida: onde colocar esse dinheiro para não perder o prazo das suas metas?

Em fundamento, nada mudou, afinal, quando você optou por investir em um CDB, que é um título de renda fixa com prazo de vencimento determinado, é porque a meta para esse recurso tinha prazo equivalente ao título, do contrário, não faria sentido o investimento.

Sendo assim, se a sua meta permanece a mesma, o ideal é que você busque títulos cujo vencimento e rentabilidade esperada sejam compatíveis com esta. E de antemão, te garanto: o que não vai faltar nos próximos dias é a abordagem de bancos e corretoras te oferecendo produtos de investimento visando captar esse recurso do Master que agora entra em circulação.

Se o plano for continuar com o recurso na renda fixa, é interessante neste momento avaliar as alternativas que o Tesouro Direto têm disponíveis, e meu papo contigo hoje é sobre Tesouro e o que você deve levar em conta para escolher seus títulos.

Organize sua “nova” liquidez por horizontes

Antes de reinvestir os valores recebidos do FGC, revise suas metas. Separar cada uma delas por prazo garante eficiência e evita resgates antecipados, que podem causar prejuízos

1. Curto prazo: onde o objetivo é a disponibilidade

Se o dinheiro que voltou do Master será usado nos próximos meses, não complique. Nesse caso, mais relevante do que a taxa é a liquidez, e para isso, o Tesouro Selic é ótima opção por ter baixa volatilidade e liquidez imediata

2. Médio prazo (3 a 6 anos): travando taxas altas

Se sua meta tem um pouco mais de prazo para ser realizada, você pode se beneficiar muito do atual ciclo e travar uma taxa de rendimento elevada e aqui suas opções no tesouro direto se ampliam: 

  • Tesouro Prefixado: Com a Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, e projeções de cortes ao longo deste ano, travar uma taxa fixa agora pode garantir uma rentabilidade muito acima da média futura. O ponto de atenção está na inflação: se ela surpreender negativamente, o ganho real pode ser comprometido. Por isso, mais importante do que a taxa em si é saber qual rentabilidade mínima sua meta exige e se o prazo do título está alinhado a ela.
  • Tesouro IPCA+ (curto): Para proteger o poder de compra contra surpresas na inflação, títulos como o IPCA+ 2029, que no momento em que escrevo este artigo está pagando IPCA + 7,97% a.a., é uma ótima opção.

Dica importante: atenção aos cupons! Para metas de acumulação, evite títulos com juros semestrais. Eles antecipam o Imposto de Renda e reduzem a força dos juros compostos 

3. Longo prazo: o motor da independência

Metas como aposentadoria, a faculdade dos filhos, um intercâmbio longo, mudança de país, entre outras que envolvem altas somas, precisam de crescimento real relevante. Se você decidir usar títulos do Tesouro para isso, deve avaliar criteriosamente qual alternativa se encaixa mais perfeitamente em seus objetivos.

  • Tesouro IPCA+ com vencimento longo: são títulos que garantem um ganho real. Independentemente do nível de inflação, você sempre receberá a inflação + a taxa contratada, e no atual ciclo econômico, garantir IPCA+7%, por exemplo, é excelente oportunidade para multiplicar dinheiro mais rápido.
  • Tesouro RendA+: Ideal para quem quer uma renda extra na aposentadoria. Você investe durante o período de acumulação e recebe parcelas mensais corrigidas pela inflação por 20 anos a partir do vencimento do título. Esses títulos têm vencimentos entre 2030 e 2065. Dessa forma, é possível você estruturar um plano de aposentadoria combinando títulos com vencimentos diferentes. Um título com vencimento em 2030, por exemplo, irá garantir renda até 2049. Para continuar recebendo depois disso, você precisa ter o Renda 2050 que irá pagar mensalmente até 2069 e assim sucessivamente.
  • Tesouro Educa+: Funciona de forma similar ao RendA+, porém, com pagamentos por 5 anos. É perfeito para custear estudos ou até projetos pessoais, como um período sabático, por exemplo.

Em se tratando de metas de longo prazo, vale um adendo importante: não se esquecer da diversificação.

Se os recursos que você vai receber do FGC serão alocados para metas a serem realizadas daqui 8 anos ou mais, o Tesouro deve ser parte da sua alocação, e não o total. Seu resultado será mais eficiente se esse investimento em títulos públicos for combinado com renda variável para potencializar o crescimento patrimonial.

Na renda fixa os preços também oscilam

É impressionante o número de mensagens que recebo de investidores assustados com a oscilação de seu saldo em títulos do Tesouro. São pessoas que me escrevem preocupadas por achar que estão perdendo dinheiro. 

Muita calma nessa hora! Você não está perdendo nada e a variação que você vê no seu saldo é apenas a marcação a mercado. Diferente do Tesouro Selic, os títulos Prefixados e IPCA+ oscilam diariamente.

  • Preço de hoje: a marcação a mercado é apenas o valor pelo qual você venderia o título agora, se decidisse sair antes do vencimento.
  • A regra de ouro: se você carregar o investimento até o vencimento, receberá exatamente a taxa que contratou, sem sustos. O prejuízo só acontece se você vender antes do prazo em um momento de juros em alta.

Investir o dinheiro do Master em títulos públicos

Se alocar o dinheiro recebido do FGC em Tesouro Direto for a opção mais adequada às suas metas, entenda que não existe “o melhor título” e que escolher apenas pela taxa de juros não é a melhor decisão.

A melhor estratégia é uma combinação entre prazos, tolerância ao risco, metas precificadas corretamente e disciplina nos aportes. Quando você alinha metas com os títulos corretos, não se assusta com oscilações e, passa a usar o tempo a seu favor, pois saberá quando priorizar liquidez, quando travar taxa, quando proteger poder de compra e quando aceitar volatilidade em troca de crescimento.

Ter liquidez nesse momento em que a Selic segue em alta é uma oportunidade excelente para retomar as metas que te levaram a investir no Master, reavaliar as escolhas e otimizar seus recursos. 

Lembre-se que enriquecer não depende de decisões brilhantes e isoladas, mas de boas escolhas repetidas com disciplina. 

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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