Organizar as contas

Professor Mira: Riqueza ou status? A pergunta incômoda que vai definir o seu próximo ano

A falta de autoconhecimento é o maior risco para o seu patrimônio. Mais perigoso que a inflação ou a volatilidade da Bolsa é você não saber o que é "suficiente" para você


Professor Mira

Professor Mira

Investidor profissional, Analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira. Empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor best-seller e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos pelo mundo. Está nas redes sociais como @professormira


Chegamos àquela época do ano em que reavaliamos a jornada e pensamos no futuro. É o momento clássico de acessar a área do investidor da B3, checar proventos recebidos, abrir sua planilha pessoal de investimentos para avaliar se a carteira valorizou em linha com as metas (spoiler aqui: quem é da Comunidade Mira tem tudo isso automático na plataforma) e definir os planos financeiros para o próximo ano.

Tudo isso é importante mesmo, mas eu quero te convidar para uma reflexão diferente e que vai além das suas planilhas de investimentos. Eu quero que você olhe para o espelho.

Eu vejo muita gente chegando ao mercado financeiro obcecada pelo “número mágico”. O primeiro milhão, os R$ 100 mil de renda passiva, o carro de luxo na garagem. E não há nada de errado em ter essas metas, pelo contrário! Eu sempre bato na tecla de que meta precisa ser específica, mensurável e atingível. O problema começa quando a busca pela acumulação vira um fim em si mesma, descolada de quem você é e do que você realmente precisa.

A armadilha do ego nos investimentos

Você já parou para pensar por que você quer tanto aquele carro importado ou aquela viagem instagramável?

Muitas vezes, o investidor comete erros graves, como girar demais a carteira, correr riscos desnecessários ou até mesmo buscar atalhos duvidosos sugeridos pelos econocoachs de internet, só porque está com pressa. E essa pressa, na maioria das vezes, não é sobre liberdade financeira. É sobre ego e busca de validação social.

Vivemos em uma sociedade onde, infelizmente, “parecer” rico é muitas vezes mais valorizado do que “ser” rico. O antropólogo Michel Alcoforado toca num ponto fundamental sobre isso: no Brasil, nós temos uma cultura onde performar riqueza é uma forma de buscar aceitação e pertencimento. A gente compra coisas não pela utilidade delas, mas pela mensagem que elas enviam para os outros.

O perigo disso para o seu bolso é fatal. Quando você gasta dinheiro para mostrar que tem dinheiro, você está, na verdade, drenando a única coisa que poderia te dar liberdade de verdade: os seus ativos geradores de renda.

Riqueza é aquilo que você não vê

E aqui eu trago uma referência que considero leitura obrigatória para qualquer um que me acompanha: Morgan Housel. No livro A Psicologia Financeira, Housel traz um conceito que vira a chave na cabeça de muita gente: “Riqueza é aquilo que você não vê”.

Pense nisso por um segundo. Nós tendemos a julgar a riqueza financeira de alguém pelo que é visível, como casas, carros, roupas de grife e viagens. Mas isso são apenas os gastos da pessoa. A verdadeira riqueza é o dinheiro que não foi gasto. É a opção, a flexibilidade, o crescimento que está acontecendo silenciosamente na sua conta de investimentos.

Housel tem uma frase genial que resume essa batalha interna: “Guardar dinheiro é o intervalo entre o seu ego e a sua renda”. Se o seu ego infla na mesma velocidade que o seu salário aumenta, você nunca vai sair do lugar, não importa o quanto você ganhe. Se eu tivesse um único conselho pra te dar hoje, seria: imprima essa frase do Housel e pendure na porta da sua geladeira! 

Perguntas difíceis para fechar o ano

A falta de autoconhecimento é o maior risco para o seu patrimônio. Mais perigoso que a inflação ou a volatilidade da Bolsa é você não saber o que é “suficiente” para você.

Por isso, minha proposta para fechar esse ano não é apenas rebalancear a carteira, mas rebalancear as expectativas. Eu sugiro que você se faça algumas perguntas incômodas antes de definir suas metas para o próximo ano:

  1. Essa meta é minha ou é da sociedade? Eu quero trocar de carro porque o meu não me atende, ou porque eu preciso sinalizar sucesso para o meu vizinho ou para os meus parentes?
  2. Eu estou buscando independência ou aplausos? A verdadeira independência financeira te dá controle sobre o seu tempo, que é o maior dividendo que o dinheiro pode pagar, segundo Housel. O status apenas te prende a um custo de vida mais alto.
  3. O quanto “suficiente” é suficiente? Se você não definir onde fica a linha de chegada, vai passar a vida correndo numa esteira sem sair do lugar, sempre buscando “mais” e nunca alcançando a paz.

Investir com qualidade exige técnica, exige saber escolher bons ativos, sim. Mas exige, acima de tudo, comportamento. O sucesso financeiro tem menos a ver com inteligência técnica e muito mais a ver com como você se comporta.

Desejo que no próximo ano, você invista mais na sua liberdade financeira, entenda os vieses comportamentais que te fazem gastar por impulso e construa um patrimônio que sirva a você, e não ao seu ego. Se eu puder te ajudar nessa jornada, aqui nos nossos papos semanais no Bora Investir ou  lá na Comunidade Mira, será uma honra.

As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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