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Yo Fordelone: Quanto custa a dor do arrependimento?

Uma das maiores fontes de arrependimento entre investidores é o atraso para começar


Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Planejadora financeira com certificação CEA (Anbima), Yo Fordelone é formada em economia e jornalismo. Investidora qualificada, alcançou a sua independência financeira aos 36 anos. Em seu Instagram, ajuda outras pessoas a conseguirem mais tempo e liberdade.


Se arrependimento matasse, eu não estaria aqui falando de finanças nesta coluna.  A frase de arrependimento aparece com frequência nas conversas que tenho com alunos e clientes. A mais comum de todas é: “eu deveria ter começado antes”.

Uma das maiores fontes de arrependimento entre investidores é o atraso para começar.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos pela instituição financeira Charles Schwab com mulheres investidoras mostra que a idade média de início nos investimentos é de 31 anos. No Brasil não encontrei nenhuma pesquisa paralela, mas arrisco dizer que muito provavelmente a idade é mais elevada.

Dessas investidoras, 85% dizem se arrepender de não ter começado ainda mais jovem.

Não é escolher a ação errada. Não é perder dinheiro em um investimento específico. É o tempo perdido.

E faz sentido. Em finanças, o tempo não é um detalhe – ele é o principal ativo. É ele que permite que os juros compostos trabalhem a seu favor. Mas existe um ponto que pouca gente fala: começar cedo não significa acertar sempre.

Eu comecei a investir aos 17 anos. Isso, à primeira vista, parece uma vantagem enorme. E foi, mas não da forma que muitos imaginam. Não porque eu fiz tudo certo. Pelo contrário.

Saí da tradicional caderneta de poupança direto para fundos de ações caros, sem entender exatamente no que estava investindo. Na primeira queda, me assustei e saquei.

Em outro momento, coloquei dinheiro em produtos estruturados que, no fim, perderam para o CDI. Também passei anos em renda fixa básica (CDBs, Tesouro Selic e Tesouro IPCA), não por estratégia, mas pela falta de tempo (e energia) para estudar melhor minhas opções.

Já comprei ações sem entender o negócio. Já tomei decisões que hoje eu não repetiria. E, ainda assim, foi esse caminho, com erros incluídos, que me trouxe até aqui.

O que isso ensina?

Que o verdadeiro custo não está em errar. Está em não participar.

Muita gente adia o início dos investimentos esperando o “momento ideal”, o conhecimento completo ou a segurança absoluta. Só que esse momento não existe. O que existe é aprendizado em movimento.

O arrependimento, nesse caso, nasce de uma ilusão: a de que, se tivéssemos começado antes, teríamos feito tudo perfeitamente. A realidade é outra. Provavelmente teríamos errado antes também, e é aí que mora a vantagem de começar cedo. Errar mais novo faz você aprender mais rápido.

Em outras palavras, errar cedo é barato. Errar tarde, com mais dinheiro, responsabilidades e menos tempo, costuma custar mais caro.

Ao longo de mais de duas décadas investindo, uma coisa ficou clara para mim: investir bem não é sobre evitar erros, mas sobre evoluir com eles. Ajustar rota, aprender e continuar.

Se existe um conselho prático em meio a tudo isso, é simples: comece com o que você sabe hoje, mesmo que seja pouco.

Daqui a alguns anos, você pode até olhar para trás e pensar: “eu faria diferente”. Mas dificilmente vai dizer: “eu deveria ter esperado mais”.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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