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Brasil tem a menor criação de empregos formais para janeiro em três anos

Foram abertas 83,2 mil vagas com carteira em janeiro – metade do valor no mesmo mês do ano passado. Emprego no setor de serviços também desacelerou, segundo o Caged

Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
É o menor saldo de empregos formais desde o início da série histórica do Novo Caged iniciada em 2020. Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

A economia brasileira começou o ano com saldo positivo na criação de empregos com carteira assinada. Foram geradas 83.297 vagas formais em janeiro, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta quinta-feira, 09/03, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O resultado representa uma queda de 50,2% na comparação com janeiro do ano passado, quando foram abertos 167.269 empregos formais. Assim, a criação de vagas com carteira assinada representou menos da metade do registrado no mesmo mês de 2022.

É o menor saldo de empregos formais desde o início da série histórica do Novo Caged iniciada em 2020, ou seja, em três anos. (acompanhe no gráfico). Ao todo, segundo o governo federal, em janeiro foram registradas 1,87 milhão de contratações e 1,79 milhão de demissões.

Para o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso, o resultado de janeiro é positivo, mas já mostra uma desaceleração do emprego com carteira assinada.

“É um mercado de trabalho formal que paulatinamente, de forma lenta, está começando a perder fôlego e isso pode ser visto no setor de serviços – um dos que mais emprega no Brasil”.

EMPREGOS COM CARTEIRA

Fonte: Caged – Ministério do Trabalho e Emprego

Setores

Os números do Caged de janeiro mostram que foram criados empregos formais em quatro dos cinco setores da economia. Os que mais abriram vagas foram os serviços (40.686), seguido da construção (38.965), indústria (34.023) e agropecuária (23.147). No entanto, houve fechamento no comércio, menos 53.524.

No entanto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve uma desaceleração na criação de empregos com carteira assinada nos quatro setores que ficaram no positivo em janeiro. A principal queda foi nos serviços – que mais emprega no país. (veja o gráfico)

“O que mais chama atenção é o fato do setor de serviços ter criado menos postos de trabalho que há um ano. O setor ele foi o carro chefe na criação de vagas em 2022 e do PIB. O que a gente percebe é que ele começa a ter os seus primeiros sinais de perda de fôlego também. Em relação ao comércio, o destaque negativo já era esperado porque geralmente ele demite mais em janeiro”, explica Marco Caruso.

EMPREGOS COM CARTEIRA – SETORES

Fonte: Caged – Ministério do Trabalho e Emprego

Regiões

O relatório do Ministério do Trabalho e Emprego afirmou ainda que três das cinco regiões do país tiveram abertura de vagas com carteira assinada: Sudeste (18.778), Sul (32.169) e Centro-Oeste (27.352). Houve fechamento de postos de trabalho no Nordeste (-133) no Norte (-482).

Salário médio

O salário médio de admissão de novos empregados com carteira assinada ficou em R$ 2.012,78 em janeiro. Em dezembro de 2022, estava em R$ 1.923,97.

Pelo lado das demissões, os ganhos médios estavam em R$ 2.034,98 em janeiro, contra R$ 2.048,08 um mês antes.

Expectativas para 2023

O economista-chefe do Banco Original está pessimista com o mercado de trabalho formal em 2023. Segundo as projeções da instituição, o ano deve terminar com a criação de 500 mil postos de trabalho, bem abaixo dos 2.033.924 de 2022.

“Esperamos um PIB de 2023 mais baixo que o consenso do mercado, portanto com uma criação líquida de vagas menor. Então com um PIB mais fraco, o mercado de trabalho também será fraco”.

Marcos Caruso afirma que a crise nas empresas varejistas – após o caso da Americanas – pode impactar o mercado de trabalho neste ano.

“Vemos uma certa crise rondando o varejo com outros nomes aparecendo. Qual é a consequência disso para o mercado de trabalho? A gente ainda vai descobrir, mas é importante dizer que o varejo, assim como o serviços, é um grande empregador”, conclui.

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