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Brasil tem rombo nas contas externas, mas investimento direto é o maior em 8 anos

Déficit nas transações externas subiu 46,3% entre janeiro em outubro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2021. Investimentos atingem US$ 73 bilhões

Notas de dólares sobrepostas. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Nos EUA, a inflação e a taxa básica de juros preocupam tanto quanto no Brasil. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

As contas externas brasileiras registraram um déficit de US$ 44,039 bilhões nos dez primeiros meses do ano – avanço de 46,3% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ -30,108 bilhões). Os dados são do Banco Central e foram divulgados nesta sexta-feira, 25/11.

Em contrapartida, os investimentos estrangeiros diretos na economia do país tiveram o melhor resultado em 8 anos e foram suficientes para cobrir o déficit das contas externas. De janeiro a outubro, os investimentos totalizaram US$ 73,954 bilhões – o maior patamar desde 2014 (US$ 74,76 bilhões). A série histórica do BC começou em 1995.

O resultado das transações correntes é um dos principais indicadores sobre o setor externo do país. Ele engloba a balança comercial (comércio de produtos e serviços entre o Brasil e outros países), serviços (adquiridos no exterior) e rendas (entrada e saída de dividendos, lucros e remessas de lucros do Brasil para o exterior).

A piora na parcial de 2022, segundo o Banco Central, foi puxada pelo resultado ruim na conta de serviços – que são os gastos no exterior e inclui viagens – e de renda. Apenas em outubro, o déficit nas transações correntes foi de US$ 4,625 bilhões. No mesmo mês de 2021, o saldo ficou negativo em US$ 6,012 bilhões.

O BC estima uma piora das contas externas em 2022. A projeção é de um déficit de US$ 47 bilhões – o que seria o maior desde 2019 (-US$ 65 bilhões) se confirmado.

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Gastos no exterior mais que dobraram

Os gastos dos brasileiros com viagens ao exterior somaram US$ 10,05 bilhões nos primeiros dez meses do ano. O valor é um aumento de 161% na comparação com o mesmo período do ano passado (US$ 3,84 bilhões).

Apesar de forte avanço, os números ainda estão longe do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, quando as despesas geralmente ficavam acima de US$ 1,3 bilhão por mês. No fim do ano, o valor chegava a crescer e bater os US$ 2 bilhões.

O dólar em patamar elevado também tem freado os gastos dos brasileiros no exterior. Nesta sexta-feira, por volta das 11h, a moeda americana avançava 0,91%, a R$ 5,35.

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