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Cenário global beneficia economia brasileira, mas há riscos

Durante evento do UBS, economistas e gestores comentaram as perspectivas para a economia brasileira

Mapa geográfico com alfinete marcando local no mapa. Foto: Adobe Stock
Veja a lista dos principais índices mundiais espalhados pela América, Europa e Ásia. Foto: Adobe Stock

Por Daniela Frabasile

Desinflação global de bens industriais, bom nível de preço de commodities metálicas e agrícolas e queda de juros nos EUA devem ser alguns dos fatores externos a beneficiar o desempenho da economia brasileira ao longo dos próximos meses. Por isso, o tom em diferentes painéis do Latin America Investment Conference, organizado pelo banco UBS em São Paulo, foi de otimismo. No entanto, ainda há espaço para cautela.

“O Brasil está bem no contexto de se beneficiar do processo desinflacionário na parte de bens”, afirmou Pedro Jobim, economista-chefe da Legacy Capital. “E é muito difícil para o Brasil ir muito mal com os preços de commodities como estão”, completou, citando as cotações do petróleo, grãos e proteínas animais, itens importantes na pauta exportadora brasileira. “O Brasil depende cada vez mais dessas commodities, isso tem sido muito positivo”.

Ricardo Denadai, CEO e economista-chefe da Ace Capital, também tem uma visão positiva, com uma expectativa de crescimento de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mas com risco maior de o número ser mais alto que o esperado. “A contribuição da agropecuária vai ser menor, mas acredito que tenha um efeito multiplicador maior do que está estimado, e isso é muito significativo”, afirmou.

Ainda de acordo com Denadai, os bancos parecem preparados para voltar a conceder crédito, e a massa salarial deve continuar a crescer, apesar de a um ritmo menor do que no ano passado. “Essas forças trabalham dando sustentação para o PIB”. Nesse ambiente, afirmou ele, o foco principal de preocupação é com uma possível aceleração da inflação e com o mercado de trabalho.

Trajetória para a Selic

Com o consenso de que o Copom irá reduzir novamente a Selic num ritmo de 0,5 ponto porcentual a reunião dessa semana, a discussão sobre política monetária brasileira se concentra no nível a que a taxa básica será levada no fim do ciclo. Entre os economistas e gestores que participaram do evento, a maioria diz esperar uma redução para entre 8% e 8,5% ao ano (o Focus nessa semana projeta uma Selic de 9% ao final de 2024).

“Nesse cenário de inflação bem mais favorável, há espaço para mais cortes. A gente projeta uma Selic terminal a 8,5%, mas isso está condicionado ao cenário internacional”, diz Denadai.

“O Banco Central está conduzindo o processo de corte de juros. A situação no ano passado estava muito adversa e foi bem-administrada pelo BC. A gente acha que o juro poderia estar caindo em ritmo mais acelerado, mas isso não vai acontecer caso a situação não mude”, disse Jobim. Para o economista, no entanto, o panorama muda para 2025, quando a atividade econômica deve se desacelerar de forma mais acentuada e o Banco Central terá uma nova composição.

James Oliveira, sócio-fundador da Vinland Capital, compartilha da visão otimista, mas pontua os riscos. Segundo ele, a trajetória da política fiscal no Brasil ainda pode atrapalhar o trabalho do BC de reduzir os juros, além da questão de “o quão duro o BC será para enfrentar a inflação no fim do ciclo [de afrouxamento]”.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, detalha Denadai, “o mercado de trabalho está longe de estar fraco, mas está mais equilibrado do que se observava. A dinâmica de salários também está melhor do que se imaginava e a inflação core do PCE [medida oficial de inflação dos EUA] está mais baixa”.

Assim, ao que parece, os Estados Unidos se aproximam do que pode ser chamado de um soft landing – quando o banco central consegue alcançar seu objetivo de desacelerar a economia, mas sem cair numa recessão. O risco, no entanto, é de que quanto mais tempo as taxas se mantiverem elevadas, maior a chance de uma desaceleração acentuada da atividade.

“Parece que o Fed tem a preocupação de não ser ele a estragar a festa, não acabar com o soft landing, e por isso deve iniciar um ciclo de afrouxamento monetário, para não prejudicar o mercado de trabalho”, diz o economista da Ace.

Para James Oliveira, da Vinland, entretanto, a economia norte-americana ainda não sentiu todo o impacto da alta de juros. “Na nossa visão, o aperto feito até março de 2023 ainda vai chegar na economia, em todo o ano de 2024”. Mesmo assim, ele ainda concorda que a maior possibilidade é de um soft landing, “o que pouca gente acreditava que seria possível no começo do ciclo”. “A chance de recessão depende do Fed. Se, assim como ele atrasou o movimento de alta, ele se atrasar na normalização, aumenta a chance de uma recessão”

Sobre o crescimento da dívida nos Estados Unidos, Carlos Woelz, diretor da Kapitalo Investimentos, diz ter uma visão diferente da maioria. “Eu acho que a posição fiscal americana pode forçar um corte maior de juros”, afirmou. “Se a economia americana tiver uma desaceleração forte, o Fed terá de fazer o grosso do esforço de estímulo, porque não há espaço fiscal [para o governo aumentar os gastos]”, disse.

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