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China não deve abandonar, por enquanto, política de ‘covid-zero’

Autoridades seguem inflexíveis com surtos de covid. Confinamentos impactam produção da Apple e já refletem no mercado

Bandeira da China no mastro em frente a um prédio.
Na Ásia, o destaque fica por conta do 20° Congresso do Partido Comunista da China. Foto: Adobe Stock

O governo da China reafirmou hoje, 7/11, a sua política de tolerância zero contra os casos de covid-19, após vários dias de especulações de possíveis mudanças. As autoridades de saúde chinesas disseram, em entrevista coletiva, que seguem “de maneira inflexível” a política de impedir a entrada de casos no país e acabar com os surtos à medida que são descobertos. As informações são da agência de notícias Nikkei Asia.

Os boatos movimentaram os mercados financeiros mundiais na semana passada. A política de ‘covid-zero’ impactou o crescimento econômico do país – um dos principais consumidores de commodities mundiais. Esse impacto já foi sentido nas importações que caíram 0,7% em outubro em relação ao ano anterior. A expectativa dos economistas era que o índice ficasse estável. Em setembro, o crescimento foi de 0,3%.

As exportações também ficaram no negativo, puxadas pelo enfraquecimento da demanda global. Os embarques encolheram 0,3% no mês passado, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O valor contrasta com o crescimento de 5,7% em setembro, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China publicados hoje. O mercado esperava alta de 4% nos embarques.

“O governo da China desmentiu e disse que vai manter a política de covid-zero. E estamos também observando um aumento dos casos. Isso pode pressionar um pouco. O mercado não está devolvendo o rali que teve na sexta-feira, mas essa notícia é importante para a gente acompanhar”, explica Ubirajara Silva, gestor da Galapagos Capital.

Recorde de casos na China

 Nesta segunda-feira, o país asiático registrou o maior número de contágios pelo coronavírus em seis meses. Foram 5,6 mil novos casos da doença, quase metade deles na província de Guangdong, importante centro industrial no sul onde se concentram grandes portos comerciais.

Os confinamentos impactaram a produção na maior fábrica de smartphones da Apple, em Zhengzhou. A empresa advertiu que a produção foi “impactada temporariamente” e que os clientes vão enfrentar demoras para receber os aparelhos.

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Impactos no mercado

 Por volta das 13h, as ações da Apple cediam 1,56%, negociadas a US$ 136,22. A queda impactava a Nasdaq – bolsa americana de tecnologia – que operava praticamente estável. O Dow Jones tinha leve alta de 0,56%.

Os investidores também seguem atentos aos possíveis comentários de membros do Federal Reserve (FED) sobre o ciclo de aperto monetário. A semana também é marcada pelas eleições legislativas nesta terça-feira (08) e pelos números de inflação que serão divulgados na quinta-feira (10).

Reflexos no mercado brasileiro

Bolsa do Brasil (B3) operava em forte queda no início da tarde pressionada pelas ações da Petrobras. Por volta das 13h, o Ibovespa cedia 2,07% aos 115.713 pontos. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caiam 1,66%, a R$ 27,83. As ações ordinárias (PETR3) operavam com menos 0,94%, a R$ 31,42.

As ações da estatal seguem mais um dia no negativo, reflexo de mudanças após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa dos analistas é de que haja alterações nos investimentos da empresa e no pagamento de dividendos. Para o gestor da Galapagos Capital, o cenário não é positivo para as ações da Petrobras.

“Os próximos dias vão ser importantes aqui no Brasil quando vai começar a engrossar as conversas sobre quem vai fazer parte do novo governo. Outra coisa é a performance da Petrobras com esses ruídos sobre um possível cancelamento dos dividendos. Então, a gente vai ver a empresa sofrendo nos próximos dias”.

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