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Corte na Selic é assunto para depois do Carnaval? Veja expectativas para o Copom

Mercado enxerga BC cauteloso que deve esperar nova rodada de dados de mercado de trabalho e atividade antes do início do ciclo de cortes

Com ISTOÉ Dinheiro

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Na esteira da resiliência da atividade econômica brasileira, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve optar pela manutenção de juros na reunião desta semana, deixando o início de ciclo de cortes para a reunião de março, segundo especialistas ouvidos pela IstoÉ Dinheiro.

Por conta de um mercado de trabalho ainda nas mínimas e dados de atividade que tem mostrado uma desaceleração dentro do esperado, uma parte significativa do mercado espera que o Copom se limite a mudanças no comunicado.

A maior parte da divergência fica com as discussões sobre Selic terminal, podendo ser de 12% a 12,50%, e a magnitude dos cortes, com alguns especialistas esperando que o ciclo comece com 0,25 ponto percentual (p.p.) ao passo que outros miram cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p..

Copom terá 8 reuniões em 2026; veja calendário e projeção para a Selic

Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual Portfolio Solutions, espera um corte de 0,25 p.p. e um comunicado sem o trecho que cita que o BC ‘não hesitará em subir a taxa de juros’.

“Isso sinalizaria o início do ciclo de cortes, ainda que não seja explícito ao falar isso”, observa.

A visão do buy side do BTG, portanto, é do ‘corte com credibilidade’, com um BC mais comedido ao iniciar a flexibilização da política monetária e, paulatinamente, mostrar uma postura mais dovish.

Além disso, a autoridade monetária também teria mais tempo para analisar uma nova rodada de dados de mercado de trabalho e atividade, ajudando a embasar ainda mais as decisões seguintes do Copom.

Em se tratando de inflação, Frasson comenta que, apesar de o IPCA ter fechado abaixo do teto da meta, o núcleo ainda preocupa.

“Acho que mesmo com o câmbio na faixa de R$ 5,30, sendo deflacionário, o BC não deve cortar em janeiro. O corte precisa vir com credibilidade e a inflação de serviços precisa desacelerar. Algumas aberturas vão continuar reagindo bem com esse câmbio, mas o núcleo da inflação, que é serviços, inclusive piorou, na margem, do último Copom para cá.”

Cinco cortes consecutivos na Selic

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno, projeta cinco cortes consecutivos na Selic, começando na reunião de março. O cenário prevê uma pausa no ciclo de quedas da taxa de juros na reunião de setembro, fechando o ano com juros básicos a 12,50%.

Para o ano subsequente, a projeção é de 10,75%

“Temos esse cenário desde meados do segundo semestre do ano passado, com corte somente em março. Esperamos mudanças no comunicado, com o BC preparando os dados. Na margem é um cenário mais positivo”, comenta.

O economista frisa que o câmbio deve tirar a pressão da atividade e da inflação, e que a inflação novamente deve fechar dentro da banda da meta. A projeção da Suno é de 4% de IPCA – enquanto a inflação de serviços, que preocupa mais, deve arrefecer para 5%.

Sobre o fiscal, destaca que a trajetória da dívida ainda é um ponto de preocupação, apesar do horizonte de cumprimento da meta primária pelo Governo Federal.

“O que mais me preocupa é a trajetória da dívida. Acreditamos que o governo consegue cumprir com as metas fiscais, mas tem dois pontos que eu preciso trazer. Um deles é que vamos ter atividade mais fraca em 2026, estamos com 1,8% de projeção. O nível de arrecadação deve desacelerar”, avalia.

“Outro ponto que estamos de olho é que o governo deve utilizar outras ferramentas para aumentar popularidade, como programas de crédito, consignado privado, também tem a reforma do imposto de renda”, completa, citando medidas que devem impactar o fiscal.

4 a cada 10 subitens do IPCA estão acima do teto da meta de inflação

Em seu relatório macro mais recente, a XP aponta um cenário de curto prazo mais favorável para a economia brasileira em 2026, mas com desafios relevantes no horizonte de 2027, especialmente no campo fiscal.

Em relação à inflação, a casa aponta fundamentos mais favoráveis para bens industrializados em 2026, mas alerta que a inflação de serviços deve permanecer elevada, pressionada por um mercado de trabalho apertado e por um cenário fiscal expansionista.

Apesar da melhora recente dos índices, uma parcela relevante dos subitens do IPCA segue acima do limite superior da meta, e as expectativas inflacionárias continuam desancoradas.

“Apesar de alívio recente, cerca de 40% dos subitens do IPCA estão acima do limite superior da meta”, diz o time de macro da XP, liderado pelo economista Caio Megale.

No campo da política monetária, a XP afirma que o comportamento da inflação tem sido melhor do que o esperado, mas ressalta que as expectativas ainda estão bem acima da meta.

A casa mantém a projeção de início do ciclo de cortes de juros em março, tema central para a reunião do Copom de janeiro, que tende a reforçar uma postura de cautela e dependência dos dados.

A projeção de Selic terminal é de 12,50%.

Selic de um dígito em cenário de horizonte reformista

Megale, da XP, declarou em entrevista à IstoÉ Dinheiro na semana anterior que uma taxa básica de juros na casa de 9% é crível para 2027 em um cenário de governo reformista e comprometido com o fiscal.

“O Banco Central tem espaço para retirar o “extra aperto” que foi necessário anteriormente. Vemos uma possibilidade de corte total na ordem de 2,5 a 3 pontos percentuais ao longo do ano. O ritmo de 12,50% ainda é um juro real alto para uma inflação que corre perto de 4,5%”, disse.

“Se o governo sinalizar reformas profundas no segundo semestre [administrativa e desvinculação do orçamento citadas anteriormente], existe espaço para cair até 11% ou 9,5% [próximo ano]. Caso contrário, se o cenário for de “ajustes insuficientes”, o BC deve ser mais cauteloso e estacionar nos 12,50%.”

*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir

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