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Sinqia: “Setor de tecnologia permite que pessoas invistam nas empresas com as quais se identificam”

Área de tecnologia cresceu nos últimos anos e Diretor Vice-Presidente da Sinqia espera avanço no futuro

João Carlos Bolonha, Diretor Vice-Presidente responsável por Produtos, Pessoas, Tecnologia e Vendas da Sinqia. Foto: Divulgação.
João Carlos Bolonha, Diretor Vice-Presidente responsável por Produtos, Pessoas, Tecnologia e Vendas da Sinqia. Foto: Divulgação.

Por João Paulo dos Santos

O setor de Software e Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (ISSTIC) vem se expandindo no Brasil. Quem aponta isso é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), que informou um crescimento de 6,5% do setor de 2020 para 2021, segundo o relatório Indústria de Software e Serviços de TIC no Brasil: caracterização e trajetória recente.

Uma das empresas da área que acredita no avanço do setor é a Sinqia, fintech que oferece sistemas, softwares e soluções tecnológicas para o sistema financeiro brasileiro. A companhia é listada na bolsa desde 2012, compondo o nível mais alto da B3 (Novo Mercado) desde 2017.

Segundo João Carlos Bolonha, Diretor Vice-Presidente responsável por Produtos, Pessoas, Tecnologia e Vendas da empresa, o crescimento do setor ocorreu por dois motivos principais: a inovação de base e questões externas, que aceleraram a digitalização na vida das pessoas. Ambos os motivos, um multiplicando o outro, fizeram com que a quantidade, qualidade e relevância das organizações de tecnologia tivessem forte expansão. 

Em entrevista ao B3 Bora Investir, João Carlos Bolonha ainda comentou sobre o cenário, desafios e expectativas do setor de tecnologia no Brasil. Confira:

B3: Como vocês avaliam os últimos 5 anos do setor de tecnologia? 

João Carlos Bolonha: O setor de tecnologia cresceu, aumentou sua versatilidade e presença. Isso ocorreu por dois motivos principais: a inovação de base do setor, como computação em nuvem, que removeu barreiras e facilitou a criação de soluções; e questões externas, que aceleraram a digitalização na vida das pessoas, seja em finanças, varejo, saúde, educação, manufatura ou nas relações com os governos. Ambos os motivos, um multiplicando o outro, fizeram com que a quantidade, qualidade e relevância das organizações de tecnologia tivessem forte expansão.  

B3: Quais os desafios do setor na sua opinião? 

João Carlos Bolonha: O setor de tecnologia está em crescimento no Brasil, com várias implicações, e ainda irá crescer bastante, inclusive no entendimento setorial, seja pelas comparações com outros setores nem sempre precisas ou mesmo benchmarks que acabam misturando diferentes países para atingirem volume. Isso com o tempo terá ajuste, será mais afinado com a realidade do segmento. Portanto, as pessoas que se dedicarem no entendimento profundo do setor e investirem em organizações que façam sentido com o seu plano, certamente o estarão fazendo em um momento promissor.  

B3: Na hora da tomada de decisão de quais empresas e setores investir, por que as pessoas físicas escolheriam o de tecnologia? Como o setor se diferencia para os investidores em relação a outros? 

João Carlos Bolonha: Sobre questões mais funcionais, vários processos foram digitalizados e isso abriu acesso para dezenas de milhões de brasileiros, que nos últimos dois anos fizeram, por exemplo, pela primeira vez uma transação financeira digital pela Internet. Junto com isso, foi preciso termos atenção redobrada e maior investimento em segurança, mão de obra especializada e adoção de tecnologias que realmente tragam valor para seus clientes e negócios. 

O setor de tecnologia é dinâmico, fornece a base para os grandes saltos de produtividade da era atual e é super diversificado, seja pela natureza da empresa em si, estabelecidas ou de crescimento, até na relação com as pessoas, de consumidores até entre empresas. Isso tudo traz um portfólio bastante amplo, rico, permitindo que as pessoas tenham a real possibilidade de investirem em empresas que se identifiquem, participem, e que façam sentido com o seu plano de alocação de investimentos. Finalmente, é um setor ainda em seus primeiros passos no Brasil se comparado com outros mercados como o norte-americano, que evidentemente dá espaço para uma tese de comprovado crescimento.  

B3: Como o Brasil está em relação ao resto do mundo no setor de tecnologia? 

João Carlos Bolonha: O Brasil tem uma posição de destaque na base da pirâmide da produção do setor, seja pelo perfil de adoção de novas tecnologias em desenvolvimento, pela quantidade total de pessoas na produção de software em si e a digitalização da população. Isso foi capturado por grandes organizações de setores variados, ao mesmo tempo que o setor seguiu bastante fragmentado. Essa realidade vem mudando radicalmente nos últimos anos, exatamente pelos motivos que comentamos na primeira pergunta – e com isso temos o crescimento acelerado do setor de tecnologia, dadas as capacidades de base. 

B3: Como lidar com o desafio de mão de obra e evasão de talentos com as oportunidades para os profissionais ao redor do mundo? Como a empresa busca minimizar esse desafio? 

João Carlos Bolonha: Embora o formato já existisse, isso foi bastante reforçado nos dois últimos anos. Diria que por fatores extraordinários, o modelo foi estimulado ao extremo e encontrará seu ponto de equilíbrio. Já estamos observando essa busca de equilíbrio, seja nas pesquisas internas ou nas de mercado. O formato híbrido tem se mostrado com melhor retorno, onde hoje já temos níveis de satisfação superiores ao da pandemia, priorizando ações de formação de talentos, troca entre profissionais com diferentes momentos de carreira, trazendo o sentimento de fazer parte de algo. Priorizamos as ações de escritório para colaboração, comunicação e troca. Havendo sentido, as pessoas percebem.  

B3: Quais são os desafios do setor de tecnologia para os próximos 5 anos?  

João Carlos Bolonha: O setor de tecnologia precisa trabalhar melhor sua relação com a formação de novos talentos. As áreas de tecnologia no Brasil, segundo pesquisa da Kantar, possuem enorme oportunidade de maior representatividade, muito pouco diversa, onde mais de um terço das pessoas entrevistadas identificaram a sua própria área, de tecnologia, como a menos diversa da empresa. Um importante desafio passa também pela melhor formação, desenvolvimento e retenção de talentos.  Isso posto, a presença cada vez mais constante nos processos do dia a dia, agora digitais, trará também maior atenção a elementos de segurança e inclusão.  

B3: Quais as perspectivas para os próximos 5 anos? 

João Carlos Bolonha: O setor seguirá em expansão, como comentado, o que trará ganhos não só pelo crescimento e impacto das empresas, mas também pela maior representatividade do setor como um todo, atraindo atenção cada vez maior dos investidores. Isso ocorrerá pela expansão natural dos elementos de inovação já em curso do setor, como a eficiência contínua na capacidade de processar dados, inteligência artificial e computação distribuída, assim como os elementos comportamentais envolvendo digitalização dos processos cada vez mais presente no dia a dia, trazendo uma capacidade de assistência computacional sempre crescente.  

Mais sobre a Sinqia

A Sinqia é uma empresa fundada em 1996, que fornece softwares e soluções tecnológicas para o sistema financeiro brasileiro. Ela é companhia aberta desde 2012, e tem seus papéis negociados no Novo Mercado da B3 desde 2017. 

O capital da empresa é pulverizado, com mais de 83% de suas ações ordinárias (SQIA3) circulando livremente pelo mercado de capitais. Todos os seus maiores acionistas detêm menos de 10% do capital total da companhia.

A companhia se beneficia do crescimento das fintechs brasileiras, com destaque para os bancos digitais e plataformas de investimentos. Esse avanço também abre mercado para a Sinqia como fornecedora de soluções tecnológicas para bancos menores, que investem no digital, e empresas não financeiras que expandem para o ecossistema financeiro digital.

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