Notícias

Entenda os 5 principais pontos do pacote fiscal do novo presidente da Argentina

Javier Milei alertou em seu discurso de posse que será preciso adotar “duras medidas” e foi categórico: “não há dinheiro”. Pacote para alcançar déficit zero será anunciado amanhã

225SBY6QRNADLNYHNUDUXAEQ2Q
Javier Milei: entenda as propostas econômicas do presidente eleito da Argentina

Por Redação B3 Bora Investir

O novo presidente da Argentina, Javier Milei, assumiu a ‘Casa Rosada’ neste domingo, 10/12, com uma análise catastrófica da economia do país. O ultraliberal afirmou que serão necessárias “duras medidas” para fazer a nação voltar a crescer.

Em discurso de costas para o Congresso, de que ele vai precisar para aprovar medidas de austeridade, e de frente para os seus simpatizantes, Milei reclamou que recebeu do governo anterior a “pior herança” e preparou os argentinos para tempos difíceis.

Segundo o jornal ‘El Clarín’, um dos mais importantes da Argentina, o pacote fiscal para alavancar a economia do país terá 14 pontos com o principal objetivo de zerar o déficit das contas públicas em 2024.

As medidas, costuradas com o novo ministro da Economia, Luis Caputo, devem ser anunciadas nesta terça-feira, 12/12.

Em entrevista à Reuters, o gestor de carteiras de mercados emergentes da Abrdn, Viktor Szabo, afirmou que a maioria dos argentinos não votou em Milei por causa da transformação econômica e sim porque odiava os outros candidatos.

“Você pode ganhar tempo com o mercado se fizer os barulhos certos, mas você tem uma população que nos últimos cinquenta anos se acostumou com o peronismo, então será difícil explicar a eles que há dificuldades por vir.”

O B3 Bora Investir explica os cinco principais pontos do pacote defendido pelo novo presidente. Entre as principais medidas, estão cortes de gastos, liberalização de preços de combustíveis e planos de saúde, desvalorização do peso e privatizações.

Ajuste fiscal de 5% do PIB: “no hay plata”

O novo presidente da Argentina foi categórico durante o seu discurso ao dizer que o país está sem dinheiro. “Não há solução alternativa para o ajuste”. Segundo Milei, será necessário cortar os gastos público em até 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

“A solução implica um ajuste fiscal no setor público de US$ 25 bilhões, que, ao contrário do passado, recairá quase inteiramente sobre o Estado e não sobre o setor privado”.

A previsão de déficit das contas públicas no ano que vem chega a 3,4% do PIB, ou seja, de tudo que é produzido no país. A equipe econômica de Milei quer tentar equilibrar receitas e despesas para zerar o déficit público em 2024.

Segundo o ‘El Clarin’, dentre as principais medidas para atingir esse objetivo estão:

  • Retirada gradual dos subsídios às tarifas entre janeiro e abril;
  • Não haverá obras públicas, exceto aquelas com financiamento externo;
  • Suspensão de contribuições não reembolsáveis aos estados;
  • Congelamento de benefícios orçamentários para empresas privadas;
  • Repasses para as universidades serão apenas pelos montantes e valores de 2023.

Congelar o orçamento de 2023

Para controlar as despesas, a proposta de Milei e seu ministro da economia é prorrogar o orçamento de 2023 para congelar os gastos. Assim, o financiamento de universidades e os salários públicos não seriam reajustados.

Controle da inflação

Ao congelar o orçamento e não oferecer reajustes a servidores públicos, Milei pretende iniciar um processo de controle da inflação. Isso acontece porque a maior parte dos empregados no país estão no setor público.

Uma outra medida para conter o avanço dos preços, que nos últimos doze meses atingiu 142,7%, é proibir que o Banco Central da Argentina emita moeda para financiar o Tesouro Nacional, ou seja, o déficit público.

Em seu discurso de posse, Javier Milei alertou que o corte drástico nos gastos públicos traria “estagflação”, ou seja, inflação elevada com estagnação econômica. Uma das principais consequência desse problema é justamente o desemprego.

“Não há alternativa ao ajuste e não há alternativa ao choque. Naturalmente, isso terá um impacto negativo no nível de atividade, no emprego, nos salários reais e no número de pessoas pobres e indigentes. (…) Haverá estagflação, é verdade, mas não é algo muito diferente do que aconteceu nos últimos 12 anos”, afirmou Milei.

Privatizações

O ultradireitista também falou em incentivar as privatizações. Para isso, o governo de Javier Milei converterá empresas públicas em sociedades anônimas. Segundo o ‘El Clarin’, a medida facilitará a venda das estatais.

Mudanças no câmbio

O presidente eleito também deve anunciar nesta terça-feira a desvalorização do peso e fixação do dólar comercial em cerca de 600 pesos.

Esse valor seria taxado em 30%, fazendo com que a moeda chegue na mão da população cotada próxima aos 800 pesos. Hoje, os argentinos pagam no câmbio paralelo (dólar blue) aproximadamente 965 pesos.

Outros pontos

Completam a lista de medidas, segundo o jornal ‘El Clarin’:

  • Liberação de preços de combustíveis e planos de saúde;
  • Transferência da dívida das Leliqs (títulos emitidos pelo BC argentino) para o Tesouro Nacional.

Já tem uma reserva de emergência e precisa aprender melhor sobre investimentos? Os cursos gratuitos do Hub de Educação da B3 podem te ajudar nisso, confira!

Sobre nós

O Bora Investir é um site de educação financeira idealizado pela B3, a Bolsa do Brasil. Além de notícias sobre o mercado financeiro, também traz conteúdos para quem deseja aprender como funcionam as diversas modalidades de investimentos disponíveis no mercado atualmente.

Feitas por uma redação composta por especialistas em finanças, as matérias do Bora Investir te conduzem a um aprendizado sólido e confiável. O site também conta com artigos feitos por parceiros experientes de outras instituições financeiras, com conteúdos que ampliam os conhecimentos e contribuem para a formação financeira de todos os brasileiros.

Últimas notícias