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Governo decide manter meta de déficit zero para 2024

Informação foi passada à imprensa pelo relator do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, Danilo Forte (União Brasil-CE)

Balança de ferro refletindo nota de cinquenta reais, com moedas de um real fazendo pesa
Toda empresa listada na B3 é obrigada por lei a divulgar suas Demonstrações Financeiras (DFs) a cada trimestre. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

Agência Estado

O relator do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, Danilo Forte (União Brasil-CE), disse nesta quinta-feira que o governo decidiu manter a meta de déficit zero em 2024. Ele falou a jornalistas no Palácio do Planalto depois de reunião com ministros.

“O governo manteve a posição dele de meta fiscal zero. Tirou qualquer possibilidade de emenda ao relatório, qualquer mensagem modificativa com relação ao que está sendo decidido, e a preservação do arcabouço fiscal”, declarou Forte.

“Vamos trabalhar agora para concluir a votação do Orçamento para dar ao país um Orçamento factível em 2024. A possibilidade de revisão poderá vir em alguma mudança no futuro, mas no presente o governo manteve a meta fiscal zero”, disse o deputado.

+ Entenda a discussão em torno de uma possível mudança da meta fiscal em 2024

Além de Danilo Forte, também estavam no encontro os ministros da Fazenda, Fernando Haddad; do Planejamento, Simone Tebet; da Gestão, Esther Dweck; e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Também compareceu o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues.

Era esperada também a presença do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Ele não participou porque está no lançamento regional do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Belém, no Pará, e deve retornar para Brasília no final da tarde.

Haddad e Tebet foram os primeiros a sair da reunião, antes mesmo de ela acabar. Eles deixaram o Palácio do Planalto por volta das 12h30. Haddad chegou à Fazenda sem falar com a imprensa.

De acordo com Danilo Forte, Haddad voltou a demonstrar preocupação com a conclusão das votações no Congresso de projetos que aumentam arrecadação do governo. O deputado mencionou a possibilidade de ter mais prazo para concluir o texto da LDO. Disse que deverá entregar o relatório final na segunda ou na terça – dia 20 ou 21.

Economistas avaliam que mudança é desfecho mais provável

Economistas avaliaram hoje, durante uma reunião com o Banco Central, que a mudança da meta de déficit primário zero para 2024 é o desfecho mais provável das discussões em curso hoje sobre o cenário fiscal. A incerteza sobre esse tema é o principal fator que mantém as expectativas de inflação de longo prazo desancoradas, segundo os analistas.

Esse foi o consenso dos participantes da primeira reunião do BC com economistas de hoje, realizada entre 9h e 10h30 na sede da autoridade monetária no Rio de Janeiro. As informações sobre o encontro, que é fechado à imprensa, foram obtidas com profissionais que participaram do evento e conversaram com o Broadcast sob a condição de anonimato.

“Dado que não se acredita na meta de déficit zero, a maioria avalia que o melhor para o preços de ativos e para o cenário econômico local seria postergar a mudança o máximo possível e só realizá-la no ano que vem”, disse um dos participantes, ressaltando que outro dos presentes aventou que um possível anúncio da alteração já este ano poderia ser positivo, por reduzir a incerteza.

Os economistas também mencionaram a expectativa de desaceleração da economia em 2024, devido ao fim do impulso da agropecuária visto este ano. As projeções apresentadas aos diretores do BC ficaram entre 1% e 1,5%. E ao menos dois participantes mencionaram previsões de crescimento menor em 2024, em torno de 0,8%, conforme relatos de profissionais que participaram do encontro.

Os cenários para a inflação também entraram em pauta. Para 2023, as projeções apresentadas variaram entre 4,3% e 4,6%, todas abaixo do teto da meta perseguida pelo BC (4,75%). Os analistas citaram o comportamento benigno da inflação corrente e a principal divergência entre as estimativas foi concentrada na possibilidade de um novo corte nos preços dos combustíveis ser anunciado ainda este ano.

Para 2024, as estimativas variaram entre 3,5% e 4,1% e o El Niño foi listado como principal vetor de risco. “Muito se falou sobre o impacto do El Niño tanto sobre o preço de alimentos quanto de energia elétrica, devido à seca que ele pode provocar no Norte e Nordeste do País”, relatou um dos economistas presentes.

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