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Inflação menor na Europa não deve diminuir ritmo de aperto dos juros

Na comparação anual, preços na zona do euro chegaram a 5,5% em junho, ante 6,1% no mês anterior. Inflação na Grã-Bretanha caiu para o nível mais baixo em mais de um ano

Euro. Foto: Agência Brasil
Resultado consolida a expectativa para um aumento da taxa básica de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) na reunião da próxima semana. Foto: Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O aperto monetário nas economias da Europa começou a dar sinais mais claros de resultados nos preços aos consumidores. No entanto, o ritmo de crescimento dos juros deve se moderar pouco, segundo analistas.

Enquanto a inflação anual na zona do Euro perdeu ritmo, mesmo com os núcleos (que captam a tendência dos preços) ainda pressionados, os preços no Reino Unido desaceleraram para o menor patamar em 15 meses.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro avançou 5,5% em junho na comparação anual. O resultado mostra uma desaceleração em relação a alta de 6,1% em maio. É o nível mais baixo desde quando a Rússia invadiu a Ucrânia no ano passado.

Os dados divulgados pelo Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, nesta quarta-feira, 19/07, vieram em linha com o esperado pelo mercado. Na comparação mensal, a inflação avançou 0,3%, ante uma estabilidade registrada no mês anterior.

O economista da XP, Francisco Nobre, explica que apesar da impressão positiva de hoje, a inflação segue mais rígida do que a esperada em toda a zona do euro. “Isso acontece por conta do aumento dos custos de energia e escassez de mão de obra”.

O que pode pressionar os juros na Europa?

O núcleo de inflação da zona do euro veio mais forte do que o esperado pelo mercado. Subiu 5,5% em junho na comparação anual, contra os 5,3% do mês anterior.

Esse resultado consolida a expectativa para um aumento da taxa básica de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) na reunião da próxima semana.

“Não estamos pensando em pausar a alta dos juros”, traçou a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde. Segundo ela, a estagnação econômica e aperto nas condições de crédito ainda pressionam esta decisão.

Em junho, o BCE elevou seus juros básicos em 0,25 ponto percentual. Com a alta, a taxa de juros referencial subiu para 3,50%, os juros de empréstimos foram para 4,25% e o juro de refinanciamento para 4%.

“Os mercados reagiram positivamente e a maioria dos economistas espera agora um aumento de 0,25 ponto percentual dos juros. No entanto, ainda acreditamos em uma alta de 0,50 pontos após a reaceleração do ritmo de aperto na reunião de junho”, afirmou Nobre.

Desaceleração da inflação no Reino Unido surpreende

A taxa de inflação da Grã-Bretanha caiu mais do que o esperado em junho na comparação anual e atingiu o nível mais fraco em quase um ano e meio.

O CPI subiu 7,9% no mês passado, ante alta de 8,7% em maio. O mercado aguardava crescimento de 8,1%. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, a redução refletiu a queda nos preços dos combustíveis.

“Houve também efeitos de queda notáveis ​​de alimentos e bebidas não alcoólicas, móveis e utensílios domésticos, restaurantes e hotéis”, afirmou o órgão.

Na comparação mensal, o CPI avançou 0,1% em junho, perda de ritmo na comparação com a alta de 0,8% no mês anterior.

O núcleo, que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia, e apontam uma tendência para os preços, subiu 6,9%, ante 7,1% de maio.

“De fato, a inflação do Reino Unido continua a ser a mais alta entre as economias do G7, e mais evidências de que a inflação básica e de serviços está diminuindo serão necessárias antes que o BoE [Banco da Inglaterra] seja capaz de aliviar sua política monetária”, conclui o economista da XP.

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