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BC projeta PIB maior neste ano, mas alerta para incertezas em 2023

Desafios internos e externos foram apontados para explicar a desaceleração da expectativa de crescimento da economia brasileira em 2023

Banco Central do Brasil, BACEN, BC. Foto do edifício do Banco
A autoridade monetária também estimou maior crescimento para o consumo das famílias.

Por Redação B3 Bora Investir

O Banco Central (BC) elevou a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro desde ano de 2,7% para 2,9%, segundo o Relatório de Inflação Trimestral (RTI) publicado nesta quinta-feira, 15/12. A alta se refletiu na elevação da previsão de crescimento do setor de serviços – de 3,4% para 4,1%. No entanto, as estimativas para agropecuária (0% para -2%) e indústria (2,4% para 1,9%) recuaram.

“As projeções atuais refletem a perspectiva de que a desaceleração da atividade econômica se consolide no quarto trimestre deste ano e ao longo de 2023, sob influência da esperada desaceleração global e dos impactos cumulativos da política monetária doméstica”, afirmou o BC no documento.

A autoridade monetária também estimou maior crescimento para o consumo das famílias – de 3,9% para 4,2%; e do consumo do governo de 0,7% para 1,6%. Os investimentos, representados pela formação bruta de capital fixo (FBCF) saíram de baixa de 0,4% para avanço de 0,7%.

 Para 2023, a estimativa de expansão do PIB foi mantida em 1% com uma perspectiva de queda na demanda interna e fatores externos como a crise na China e a guerra na Ucrânia.

“No cenário externo, permanecem desafios para o desempenho da atividade econômica global, decorrentes de aperto da política monetária em diversos países, da evolução da guerra na Ucrânia e, na China, da crise no setor imobiliário e da incerteza acerca da política de covid zero. No âmbito doméstico, há elevada incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal. Também persistem incertezas sobre a magnitude dos estímulos fiscais em 2023 e sobre sua transmissão para a atividade econômica.”

Impactos da expansão fiscal

O Banco Central alertou no seu relatório trimestral que a expansão fiscal pode trazer resultados diferentes para a atividade econômica brasileira. Se por um lado, os estímulos fiscais podem ajudar a sustentar a demanda agregada – especialmente no curto prazo. Por outro, podem impactar a sustentabilidade da dívida pública – o que pode prejudicar o crescimento econômico e as condições financeiras.

“Portanto, o resultado final depende da combinação da magnitude da expansão fiscal no curto prazo e da formulação exata do novo arcabouço fiscal”, completa o relatório.

A análise do BC vem no momento que o Congresso debate o aumento de despesas para manter o Bolsa Família em R$ 600 em 2023. A elevação de R$ 168 bilhões em gastos por dois anos, já foi aprovada pelo Senado e deve passar pela Câmara na semana que vem.

Inflação

O Banco Central revisou de 4,6% para 5% a estimativa de inflação em 2023. O resultado mostra – pelo terceiro ano consecutivo – o estouro da meta (3,25%) e do teto da meta (4,25%). A chance de isso acontecer, segundo o BC, é de 57%. Para 2022 e 2024, as projeções permanecem, como divulgadas na semana passada, de 6% e 3%, respectivamente.

O relatório detalhou que as principais pressões inflacionárias neste ano foram a pandemia – que interrompeu a oferta de alguns produtos; o pagamento de recursos extraordinários a população (como os auxílios temporários); e a guerra na Ucrânia que elevou o preço dos combustíveis.

Apesar do estouro das metas de inflação, o relatório afirmou que há sinais incipientes de arrefecimento da inflação, inclusive no segmento de serviços. Segundo o BC, essa desaceleração já é um efeito da alta dos juros que estão em 13,75% – maior patamar em seis anos. Para 2023, a inflação deve sofrer o impacto da volta de tributos federais sobre combustíveis e da elevação dos gastos por conta da PEC da transição.

“A inflação acumulada em 12 meses, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), continuou recuando desde o último relatório [setembro], na esteira dos efeitos das medidas tributárias e da recente queda dos preços das commodities. A inflação subjacente se mantém alta e em patamar incompatível com o cumprimento da meta de inflação, mas há sinais incipientes de arrefecimento”, explica o BC.

Juros

O relatório de inflação divulgado hoje trouxe ainda o cálculo das taxas reais de juros – que devem atingir o valor máximo de 7,8% no quarto trimestre de 2022 e no primeiro trimestre de 2023. No entanto, após esse período, a taxa entra em queda “atingindo 6,4% ao final de 2023, 5,1% ao final de 2024 e 4,9% ao final de 2025, acima ainda da taxa real neutra considerada, de 4%”.

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