Mercado

Combustíveis voltam a impactar a inflação que avançou em novembro

IPCA desacelerou em relação a outubro; inflação acumulada em 12 meses chega a 5,90%, menor taxa em quase dois anos. Alimentos pesam, mas sobem menos

Bomba abastece carro em posto. de combustível
Combustíveis têm bastante peso na inflação. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país, foi de 0,41% em novembro, após avançar 0,59% no mês anterior. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgados nesta sexta-feira (09/12). A alta foi puxada pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos e bebidas.

Confira os últimos resultados mensais da inflação:

Gráfico Inflação IPCA 2022

A inflação acumulada no ano chega a 5,13%. Em 12 meses ficou em 5,90% abaixo dos 6,47% observados nos 12 meses imediatamente anteriores e a menor taxa desde fevereiro de 2021. Apesar dessa queda, o IPCA nessa comparação segue bem acima da meta (3,5%) e do teto da meta do Banco Central que é de 5%.

Combustíveis voltam a pesar

O avanço no grupo transportes – que teve o maior impacto na inflação em novembro – foi puxado principalmente pelo aumento dos combustíveis (3,29%), que em outubro haviam recuado 1,27%.

Os preços do etanol avançaram 7,57%, a gasolina subiu 2,99% – e exerceu o maior impacto individual no índice do mês. O óleo diesel teve alta de 0,11%. A exceção foi o gás veicular que caiu 1,77%.

É importante destacar também a alta nos emplacamentos e licença (1,72%), automóvel novo (0,50%) e seguro voluntário de veículo (0,97%). No lado das quedas, os preços das passagens aéreas recuaram 9,80%, após as altas de 8,22% em setembro e 27,38% em outubro.

“A alta da gasolina está ligada ao aumento do preço do etanol. Isso ocorreu por conta de um período de entressafra da produção de cana de açúcar. A gasolina leva álcool anidro em sua composição”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Alimentação pesa, mas sobe menos

Os preços dos alimentos e bebidas seguem pesando no bolso dos consumidores brasileiros. Em novembro, o grupo avançou 0,53%, valor menor que os 0,72% registrados em outubro. No entanto, em 12 meses, comprar comida ficou 11,84% mais caro – bem acima dos 5,90% do índice geral. A alta mensal foi puxada pela alimentação no domicílio que subiu 0,58%.

Os alimentos que mais subiram em novembro foram:

  • Cebola: +23,02%
  • Tomate: +15,71%
  • Frutas: +2,91%
  • Arroz +1,46%

“No caso da cebola tivemos uma redução da oferta nacional, principalmente do Nordeste, mas também de outros locais como São Paulo e Minas Gerais. Essa diminuição não foi coberta por importações porque não existe uma grande oferta de cebola no mercado externo. Em relação ao tomate, a oferta costuma ser afetada pelo fator clima. Nesta época do ano, a safra de inverno já está esgotada”, explica o gerente da pesquisa.

No lado das quedas, o leite longa vida teve redução de 7,09%, assim como já havia acontecido nos meses anteriores. No ano, a variação acumulada do produto, que chegou a 77,84% em julho, está agora em 31,20%. Houve recuo também nos preços do frango em pedaços (-1,75%) e do queijo (-1,38%).

A alimentação fora do domicílio subiu 0,39%, abaixo do mês anterior (0,49%). Enquanto a refeição desacelerou de 0,61% em outubro para 0,36% em novembro, o lanche seguiu caminho inverso, passando de 0,30% para 0,42%.

Vestuário, saúde e habitação também sobem

Renovar o guarda-roupas também está cada vez mais pesado. O grupo Vestuário avançou pelo quarto mês consecutivo e subiu 1,10%. Em 12 meses, o grupo já acumula alta de 18,65% – a maior entre os nove grupos que compõem o IPCA.

O grupo Saúde e cuidados pessoais ficou próximo da estabilidade (0,02%), mostrando uma desaceleração em relação a outubro (1,16%). Essa perda de ritmo é explicada pela mudança de comportamento nos preços dos artigos de higiene pessoal, que passaram de alta de 2,28% em outubro para queda de 0,98% em novembro.

Em Habitação, os preços ficaram 0,51% mais caros, valor bem acima do observado no mês anterior (0,34%). O resultado foi influenciado pelas altas do aluguel residencial (0,80%) e da energia elétrica residencial (0,56%).

Veja abaixo as variações de cada grupo em novembro:

  • Alimentação e bebidas: +0,53%
  • Habitação: +0,51%
  • Artigos de residência: -0,68%
  • Vestuário: +1,10%
  • Transportes: +0,83%
  • Saúde e cuidados pessoais: +0,02%
  • Despesas pessoais: +0,21%
  • Educação: +0,02%
  • Comunicação: -0,14%

Sobre nós

O Bora Investir é um site de educação financeira idealizado pela B3, a Bolsa do Brasil. Além de notícias sobre o mercado financeiro, também traz conteúdos para quem deseja aprender como funcionam as diversas modalidades de investimentos disponíveis no mercado atualmente.

Feitas por uma redação composta por especialistas em finanças, as matérias do Bora Investir te conduzem a um aprendizado sólido e confiável. O site também conta com artigos feitos por parceiros experientes de outras instituições financeiras, com conteúdos que ampliam os conhecimentos e contribuem para a formação financeira de todos os brasileiros.

Últimas notícias