Dólar dispara a R$ 5,80 após China retaliar tarifas dos EUA; Ibovespa B3 cai mais de 3%
Moeda norte-americana volta a subir nesta sexta-feira, após forte queda ontem

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O dólar é negociado em forte alta nesta sexta-feira, 4, revertendo as perdas da sessão anterior, à medida que cresciam os temores de uma guerra comercial global após a China retaliar as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Perto das 11h50, o dólar à vista subia 3,01%, a R$ 5,8014 na venda. Já o Ibovespa B3, referência do mercado acionário brasileiro, caía 3,54%, a 126.501 pontos.
‘Tarifaço’ de Trump: quais os produtos que o Brasil mais exporta para os EUA?
Na quinta-feira, 3, o dólar à vista fechou em baixa de 1,18%, a R$ 5,6290 — menor cotação de fechamento desde 16 de outubro do ano passado.
A China anunciou nesta sexta-feira medidas retaliatórias às tarifas impostas pelo presidente dos EUA, incluindo taxas adicionais de 34% sobre todos os produtos norte-americanos e restrições à exportação de algumas terras raras. O Ministério das Finanças da China afirmou que as tarifas adicionais serão adotadas a partir de 10 de abril.
Trump havia anunciado na quarta-feira uma tarifa de 34% sobre a China, além dos 20% que ele já havia adotado neste ano, elevando o total de novas taxas para 54%. Ele apresentou uma taxa mínima de 10% sobre todas as importações dos EUA, com tarifas mais altas para determinados parceiros.
“A resposta da China às novas tarifas dos EUA aumentou as preocupações do mercado. Não apenas com o impacto econômico direto dessas tarifas… A preocupação é que a medida possa levar a uma possível escalada adicional da guerra comercial pelo lado norte-americano”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.
Diante da perspectiva de que as tensões comerciais possam escalar ainda mais, à medida que outros parceiros dos EUA, como a União Europeia, também preparam suas respostas às tarifas de Trump, os investidores voltavam a fugir de ativos mais arriscados em busca da segurança.
No cenário doméstico, as atenções estão voltadas para a resposta brasileira às tarifas de Trump.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou na quinta-feira que a tarifa de importação imposta pelos EUA ao Brasil é ruim, apesar de ter ficado no nível mínimo de 10%, e que os dois países terão uma nova rodada de negociações na próxima semana.
Temor de recessão fortalece o dólar
O dólar também avançava frente a outras moedas emergentes em meio ao tombo de mais de 7% do petróleo e o movimento de fuga de ativos de risco após a retaliação chinesa.
O mercado adiantou a previsão para o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano e passou a precificar redução uma acumulada de 125 pontos-base (pb) ou mais como probabilidade majoritária até dezembro, segundo ferramenta de monitoramento do CME Group.
Já os juros futuros recuavam na esteira dos retorno dos Treasuries, por temores de recessão na economia americana e mundial e possível antecipação de corte de juros nos EUA como consequências da escalada da guerra comercial deflagrada pelo presidente americano Donald Trump.
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