Fed mantém taxa de juros nos EUA, conforme amplamente esperado
Faixa está entre 3,50% a 3,75% desde dezembro
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) decidiu pela manutenção da taxa de juros no patamar de 3,50% a 3,75% ao ano, estável desde a reunião de dezembro. O resultado vem em linha com a expectativa do mercado.
Segundo comunicado divulgado, o comitê entende que atividade econômica tem se expandido em um ritmo sólido. “A criação de empregos permanece baixa, e a taxa de desemprego mudou pouco nos últimos meses. A inflação continua um pouco elevada”, diz o documento.
Mercado estima redução da Selic em 0,25 ponto esta semana. Entenda
Agora, os investidores aguardam o discurso de Jerome Powell, presidente da autoridade monetária, em busca de pistas sobre qual a possível trajetória da taxa de juros no curto e médio prazo. A coletiva de imprensa começa às 15h30 (horário de Brasília)
Minutos antes da decisão ser divulgada, o CME Fed Watch Tools apontava uma chance de 96,9% de manutenção dos juros na reunião de abril. Para o encerramento do ano, havia 39,4% de probabilidade de manutenção na mesma faixa, e de 40,4% de chance de um corte de 0,25 ponto ao longo de 2026. 16,2% do mercado projetava uma queda um pouco maior, para a faixa entre 3,00% e 3,25%.
Nas últimas semanas, a volatilidade nos preços do petróleo mexeu com as expectativas do mercado quanto à curva de juros americana. Os preços internacionais da commodity acumulam alta superior a 70% no ano até agora, em meio a temores sobre a interrupção do comércio global por conta da Guerra no Oriente Médio.
“As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas. O Comitê permanece atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato,” diz o comunicado do Federal Reserve.
Novas projeções do Fed são destaque
Na avaliação de Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o Summary of Economic Projections (SEP) e o dot plot trouxeram sinais relevantes para o mercado. “As projeções medianas dos membros do FOMC mostraram uma mudança de postura importante”, afirma. “Os membros já enxergam condições para iniciar cortes antes do que sinalizavam em dezembro. A projeção para o fim de 2026 (primeiro ano) recuou de 3,4% para 3,1%, o que implica dois cortes de 0,25 p.p. até dezembro, ante apenas um na projeção anterior”, completa.
Segundo ele, o destino final dos juros é mais alto do que o mercado se acostumou. “Não voltaremos ao mundo de juros zero”, projeta Trevisan.
*Matéria em atualização