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Ibovespa cai 1,49% e volta aos 114 mil pontos; dólar sobe a R$ 4,98

Ata do Copom, inflação local e juros dos EUA, divulgados nesta manhã, impactaram o Ibovespa

Sede da Bolsa de Valores em São Paulo, com telão mostrando as cotações das ações. Foto: Divulgação/B3
Sede da Bolsa de Valores em São Paulo, com telão mostrando as cotações das ações. Foto: Divulgação/B3

A bolsa de valores hoje fechou em forte queda, dando sequência ao seu período de prejuízo. Agora, são quatro quedas seguidas desde o dia 21, quando o Ibovespa desceu dos 118 mil pontos para os 114 mil. O dólar, por outro lado, segue sua trajetória de alta.

Os ativos de risco foram impactados pela alta dos juros futuros americanos, que batem patamar recorde. Com isso, o mercado tem avaliado que as taxas devem seguir altas por mais tempo.

No cenário interno, a prévia da inflação aponta que os preços seguem desacelerando, mas podem vir a subir nos próximos meses devido à base de comparação atual, que é bastante reduzida.

Além disso, a ata do Copom, publicada nesta manhã, reiterou que o ritmo de cortes da taxa básica de juros seguirá em 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões.

Assim, o Ibovespa fechou em queda de 1,49%, a 114.193,43 pontos, perto da mínima, que foi de 114.162,28.

Com isso, o índice mantém a trajetória negativa do último pregão, quando houve queda de 0,07%, com a Vale (VALE3) anotando uma das maiores perdas da sessão.

Dólar hoje

Por outro lado, com relação ao câmbio, o dólar segue se valorizando na comparação com o real. A moeda norte-americana fechou em alta de 0,42%, cotada a R$ 4,9871.

No cenário internacional, a divisa também se valorizou. O DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas importantes, subiu 0,22%, a 106,23 pontos.

Na segunda, o dólar avançou ante o real e passou dos R$ 4,96, além de ter subido no cenário externo.

Ações em alta na bolsa de valores hoje

A Sequoia, do setor de logística, liderou o ranking de maiores altas da bolsa de valores hoje, depois de subir à casa dos dois dígitos.

Simultaneamente, entre as gigantes, destaque para a BRF, de proteína animal, que movimentou mais de R$ 400 milhões no dia e subiu mais de 2%. Veja a lista das cinco melhores do dia.

  • Sequoia (SEQL3) +13,33%
  • Méliuz (CASH3) +4,50%
  • Cruzeiro do Sul (CSED3) +3,82%
  • Avezedo e Travassos (AZEV3) +2,87%
  • BRF (BRFS3) +2,37%

Ações em baixa

Por outro lado, na ponta inferior da bolsa, a Guararapes, dona da Riachuelo, liderou as perdas, e foi seguida de perto pela Tecnisa, de construção e incorporação.

Entre os maiores volumes, destaque para a Petz, que movimentou mais de R$ 73 milhões e ficou entre as piores quedas do dia. Confira as cinco empresas que mais perderam nesta terça.

  • Guararapes (GUAR3) -8,04%
  • Tecnisa (TCSA3) -7,65%
  • Petz (PETZ3) -6,60%
  • Oi (OIBR3) -6,06%
  • BR Properties (BRPR3) -5,87%

Os rankings contemplam ações que movimentaram mais de R$ 1 milhão no dia. As cotações foram apuradas entre as 17h15 e as 17h30, depois do fechamento, mas estão sujeitas a atualizações.

Bolsas mundiais

As bolsas de Nova York fecharam em queda, com o Nasdaq liderando o movimento, após novas máximas dos juros dos títulos longos dos Treasuries em meio a expectativas de que o Federal Reserve (Fed) manterá juros altos por mais tempo nos Estados Unidos.

A Amazon despencou e outras das “sete magníficas”, bloco formado por ações de tecnologia que vinham se destacando com ganhos recordes, também foram pressionadas.

O índice Dow Jones fechou em baixa de 1,14%, aos 33,618,62 pontos, com a desvalorização diária mais acentuada desde março deste ano; o S&P 500 terminou o pregão com queda de 1,47%, aos 4.273,51 pontos e o Nasdaq derreteu 1,57%, aos 13.063,61 pontos.

As bolsas da Europa também fecharam com viés de baixa. As preocupações com a desaceleração economia da China também pesaram no sentimento dos investidores europeus.

Na Bolsa de Londres, o índice FTSE 100 fechou em alta marginal de 0,02%, aos 7625,72 pontos; em Frankfurt, o DAX caiu 0,97%, aos 15255,87 pontos; em Paris, o CAC 40 recuou 0,70%, aos 7074,02 pontos; em Milão o FTSE MIB perdeu 1%, aos 28098,88 pontos; em Madri, o Ibex 35 cedeu 0,94%, aos 28,115.35 pontos; e, em Lisboa, o PSI 20 teve perdas de 0,29% aos 6101,58 pontos. As cotações são preliminares.

Inflação

Indicador que mexe com a bolsa de valores hoje, o IPCA-15 de setembro avançou 0,35%. Com este resultado a prévia da inflação oficial atinge 5% em 12 meses, no mês anterior a alta era 4,24%.

“Em termos qualitativos, a difusão caiu ainda mais, mas serviços apresentou certa aceleração”, destaca o economista André Perfeito.

“Podemos esperar uma certa piora na margem nos próximos indicadores, uma vez que a base de comparação já é bastante baixa, mas nada que, neste momento, possa piorar as expectativas de maneira adicional”, acrescenta.

Juros futuros americanos impactam Ibovespa

Os rendimentos dos títulos públicos americanos seguem renovando as máximas, atraindo os investidores para a renda fixa americana contra investimentos conservadores e arrojados pelo mundo todo.

“O aumento da inclinação da curva de juros prossegue de forma expressiva e é a principal placa tectônica que tem se movimentado na atual conjuntura”, explica Marco Caruso, economista-chefe do PicPay.

“Vários jornais estão dizendo que o juro futuro está subindo pela narrativa de juros mais alto por mais tempo dos BCs. Pode ser, mas parece que tem mais coisa acontecendo”, completa Caruso.

Assim, ele menciona como possíveis motivos o aumento da emissão de títulos, que faz o preço do título cair e o juro subir. Além disso, desavenças geopolíticas com os EUA estão reduzindo a exposição de alguns países aos títulos americanos.

Pesam pela alta de juros a piora da nota de risco dos EUA e incertezas de curto prazo para a maior economia do mundo.

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