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Mercados financeiros hoje: entrevistas de Haddad e Lula são destaque em manhã morna no exterior

Em entrevista ao Roda Vida, o ministro Fernando Haddad disse que uma eventual revisão da meta de déficit zero não foi discutida recentemente

Tela com gráficos de investimentos. Foto: Adobe Stock
Várias economias do mundo estão debruçadas sobre o assunto com o objetivo de tornar as novidades mais acessíveis e seguras. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

Os investidores começam a terça-feira de olho na entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Rádio Metrópole, de Salvador, em meio a preocupações com as contas públicas e uma eventual antecipação de mudança na meta de déficit fiscal zero do governo em 2024. Dados de arrecadação federal em dezembro e consolidados de 2023 também são esperados, além da participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento para apresentar o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto), que teve a vigência prorrogada até o fim de 2028. Na enxuta agenda internacional, o índice de confiança do consumidor da zona do euro é o destaque, após a decisão de juros do Banco do Japão, além de balanços nos Estados Unidos de 3M, Procter & Gamble (P&G), General Electric e Netflix.

Exterior tem agenda fraca e bolsas operam sem direção única

Os mercados internacionais operam sem direção única, com os futuros das bolsas em Nova York rodando perto da estabilidade, e os mercados europeus indicando perdas leves, enquanto os juros dos Treasuries longos sobem e o dólar perde para seus pares principais, com expectativas por balanços de empresas americanas e o índice de confiança do consumidor na zona do euro.

Na Ásia, a bolsa de Tóquio foi exceção e caiu, após o Banco do Japão (BoJ) deixar sua política monetária inalterada e a taxa de depósitos em -0,1% ao ano. Já a moeda local, o iene se fortaleceu ante o dólar e o juro do título do governo japonês (JGB, pela sigla em inglês) de 2 anos avançou a 0,055%, atingindo o maior nível desde 27 de dezembro, após o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, dizer que a instituição irá considerar interromper o relaxamento monetário se sua meta de inflação de 2% for atingida de forma sustentável.

Na China, o tom positivo prevaleceu, na esteira de relatos de que o país está preparando um grande pacote para ajudar seus mercados de ações, que acumularam fortes perdas em pregões recentes. Segundo a Bloomberg, autoridades da China planejam mobilizar cerca de 2 trilhões de yuans (US$ 278 bilhões), principalmente das contas externas de estatais chinesas, para comprar ações no mercado doméstico por meio da aliança com a Bolsa de Hong Kong. Outros 300 bilhões de yuans em recursos locais também seriam usados para investir em ações.

No Brasil, mercado repercute falas de Haddad

A indefinição do rumo das ações no exterior, principalmente em Nova York, pode trazer volatilidade à bolsa local em manhã com alta de 1,42% do minério de ferro, mas queda do petróleo e com investidores atentos ao risco fiscal. Dados de arrecadação do governo e sobretudo a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ontem à noite, devem repercutir.

O ministro disse que o assunto de uma eventual revisão da meta de déficit zero traçada para 2024 não foi discutida recentemente com o presidente Lula, mas pontuou que “houve desidratação” das medidas apresentadas pelo governo ao Congresso. Do lado da receita, o ministro voltou a defender a revisão da desoneração da folha de pagamentos, de forma gradual, e disse esperar uma decisão a respeito até a próxima semana. Segundo ele, os presidentes Lula, da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), “não pareceram refratários a dialogar reoneração”, após ruídos no mercado ontem por temores de que o debate sobre a desoneração provoque uma antecipação na decisão de rever a meta fiscal.

Haddad disse não temer problemas na tramitação da agenda econômica no Congresso em 2024 e reiterou ser necessário ter cautela com os benefícios fiscais, que precisam ter limites de prazo e contrapartidas definidos em lei. “Não está havendo aumento de carga tributária, não criamos impostos ou elevamos alíquotas”, reiterou. Ao ser questionado sobre a agenda de corte de gastos, defendeu começar a discutir custos “pelo andar de cima”. Sobre o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), Haddad disse que o presidente da Câmara, Arthur Lira, o deputado Felipe Carreiras e membros do seu futuro gabinete discutiram em 2022 um limite total para o Perse, de R$ 20 bilhões, e não um acordo temporal. Lira rebateu o ministro: “Ele não combinou comigo. Combinou R$ 25 bilhões com o Congresso.”

No radar ficam ainda os detalhes da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024, publicada no Diário Oficial da União, com veto de R$ 5,6 bilhões em emendas parlamentares, mas garantindo um fundo eleitoral recorde de R$ 4,9 bi para a eleição municipal deste ano. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), atribuiu o veto “unicamente” à diferença entre o IPCA estimado e o realizado. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, vai concluir de onde vão ser retirados esses vetos nos próximos dias, disse o relator do Orçamento de 2024, deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP).

*Agência Estado

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