Payroll: mercado de trabalho dos EUA surpreende e reforça visão de alta nos juros
O payroll mostrou que foram criadas 162 mil vagas de emprego, acima da expectativa de mercado
O mercado de trabalho americano surpreendeu em agosto com a criação de 162 mil vagas fora do setor agrícola, quase o triplo das 55 mil previstas por analistas, contrariando as expectativas de enfraquecimento observadas nos meses anteriores. A taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu em 4,1%, com 7 milhões de pessoas ainda sem trabalho, conforme dados do payroll divulgados nesta sexta-feira, 4, pelo Bureau of Labor Statistics (BLS).
O relatório do payroll de julho, inicialmente divulgado com uma perda de 23 mil vagas e gerando preocupações sobre a economia, foi revisado para uma criação positiva de 21 mil postos. O mês de junho também teve seus números corrigidos para cima, passando de 20 mil para 31 mil empregos.
Com isso, aumenta a pressão para uma postura mais dura do Fed na decisão de política monetária dos dias 15 e 16 de setembro. Os títulos do Tesouro americano tiveram forte alta nesta manhã, repercutindo também no Brasil, com abertura na curva de juros.
“Um mercado de trabalho mais forte, com crescimento real de salários, pode pressionar ainda mais a inflação e levar o Fed a de fato elevar os juros. Caso o mercado siga precificando uma nova alta de juros do Federal Reserve, o impacto tende a ser global, já que o juro americano funciona como âncora para os juros do mundo todo, puxando um dólar mais forte frente a outras moedas”, analisa Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.
Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, o dado aumenta as chances de um aumento de 25bps na taxa de juros americana na reunião de setembro. “Entretanto, o mercado de trabalho americano já estava estável desde o início do ano e com certeza o principal fator de decisão do FED para setembro será os dados de inflação (CPI) que serão divulgados na próxima semana”.
Já olhando para os impactos no mercado brasileiro, Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital, afirma que o Ibovespa, que chegou esticado após 11 altas e com resistência na casa de cerca de 188 mil pontos pode mostrar novos comportamentos com a nova leitura do Payroll.