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Prévia da inflação fecha o ano em 5,90% puxada por alimentos

Em dezembro, o IPCA-15 avançou 0,56%, menor patamar para o mês desde 2018. Alimentação e bebidas, encerra 2022 com avanço de 11,96%

Vendedores e frequentadores na Feira da Ceilândia. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os preços dos Alimentos e Bebidas foram os que mais pesaram na formação da prévia da inflação em 2022. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) – considerado a prévia da inflação – subiu 0,52% em dezembro. A taxa é a menor para o último mês do ano desde 2018 (-0,16%). Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram publicados nesta sexta-feira, 23/12. O resultado ficou um pouco abaixo da previsão dos economistas de alta de 0,56%.

Confira os resultados mensais da prévia da inflação em 2022:

Gráfico IPCA-15

No ano, o IPCA-15 acumulou alta de 5,90% – a menor taxa em 20 meses, ou seja, desde março de 2021 (5,52%). No entanto a prévia da inflação fechou 2022 bem acima da meta de 3,5% e do teto de 5% estabelecidas pelo Banco Central (BC). Na comparação com dezembro de 2021, o IPCA-15 desacelerou bem como você acompanha no gráfico abaixo.

Veja os resultados em 12 meses da prévia da inflação em 2022:

Gráfico IPCA-15 variação de doze meses

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados em dezembro, sete tiveram alta. Os maiores impactos vieram dos grupos Transportes e Alimentação e bebidas. Esse último grupo teve o maior peso para a prévia da inflação no ano – como veremos abaixo.

Alimentação pesou em 2022

Os preços dos Alimentos e Bebidas foram os que mais pesaram na formação da prévia da inflação em 2022. O grupo avançou 11,96% – mais que o dobro da média do IPCA-15 no ano. Tubérculos, raízes e legumes foram os itens que mais subiram: 37,05%; seguidos das frutas (30,03%) e das massas (22,30%).

Em dezembro, a variação mensal foi de 0,69%. Os alimentos para consumo no domicílio subiram 0,78%, puxados pelas altas da cebola (26,18%) e do tomate (19,73%). Esses dois produtos tiveram variações acumuladas de 52,74% e 49,84%, respectivamente, nos últimos três meses. Os preços do arroz (2,71%) e das carnes (0,92%) também subiram em dezembro.

Na contramão desses itens, ficaram os preços do leite longa vida (-6,10%) – queda pelo quarto mês seguido. No entanto, o produto termina 2022 com aumento de 25,42%. A alimentação fora do domicílio avançou 0,45% e o lanche teve alta de 0,88%.

Saúde teve o segundo maior impacto no ano

O grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve o segundo maior peso no IPCA-15 do ano: alta de 11,24%. Os produtos de higiene pessoal foram os que mais subiram (16,59%), seguido pelos itens farmacêuticos (13,58%).

No último mês do ano, o grupo desacelerou de 0,91% para 0,40%, puxado pelos itens de higiene pessoal, que passaram de alta de 1,76% em novembro para 0,04% em dezembro.

Houve queda nos preços dos produtos para unha (-5,05%), perfumes (-1,54%) e produtos para pele (-1,39%). No lado das altas, o destaque mais uma vez foram os plano de saúde (1,21%), que incorpora a fração mensal dos reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023.

Terceiro maior impacto veio do Vestuário

O grupo vestuário teve em 2022 a maior alta acumulada na prévia da inflação na comparação com todos os grupos – avanço de 18,39%.

As maiores contribuições vieram das roupas masculinas (+21,79%), femininas (+20,61%) e dos calçados e assessórios (+17,56%).

Transportes teve deflação no ano

O ano de 2022 foi marcado pela deflação no grupo dos Transportes – que acumulou queda de 1,01%. A baixa de 23,69% nos preços dos combustíveis explica essa retração no IPCA-15.

Aqui é importante lembrar que essa queda veio de forma artificial com as medidas para reduzir o preço dos combustíveis implementadas pelo governo federal. Em julho, o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrado pelos Estados, foi limitado a uma taxa entre 17% e 18% sobre itens como combustíveis e energia elétrica.

A redução de impostos dos combustíveis – que impacta diversos setores da economia – reverteu a alta da inflação. No entanto, o efeito não é duradouro uma vez que o aumento na demanda, por exemplo, pode fazer os preços voltarem a subir. Isso sem contar que a redução de outros tributos – como PIS/Cofins e Cide – valem apenas até 31 de dezembro – o que pode causar um repique nos preços.

Em dezembro, o grupo transportes avançou 0,85% na prévia da inflação. Esse aumento – pelo segundo mês consecutivo – foi puxado pela alta nos preços das passagens aéreas (0,47%), que haviam recuado quase 10% no mês anterior.

Os preços dos combustíveis (1,79%) seguiram em alta, embora o resultado tenha ficado abaixo do observado em novembro (2,04%). A gasolina (1,52%), contribuiu com o maior impacto individual no índice do mês, enquanto o etanol (5,44%) teve a maior variação entre os combustíveis pesquisados.

Óleo diesel (-1,05%) e gás veicular (-1,33%) tiveram queda de preços em dezembro.

Acompanhe a variação anual de todos os grupos pesquisados pelo IPCA-15:

  • Alimentação e bebidas: 11,96%
  • Habitação: 0,24%
  • Artigos de residência: 8,39%
  • Vestuário: 18,39%
  • Transportes: -1,01%
  • Saúde e Cuidados pessoais: 11,24%
  • Despesas pessoais: 7,54%
  • Educação: 7,37%
  • Comunicação: -1,17%

Veja a variação de dezembro de todos os grupos pesquisados pelo IPCA-15:

  • Alimentação e bebidas: 0,69%
  • Habitação: 0,40%
  • Artigos de residência: -0,46%
  • Vestuário: 1,16%
  • Transportes: 0,85%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,40%
  • Despesas pessoais: 0,39%
  • Educação: 0,00%
  • Comunicação: 0,18%

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