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Mercados financeiros hoje: Payroll e Powell movimentam semana de feriado nos EUA

No Brasil, investidores acompanham discursos de Campos Neto

dólar
Com a agenda econômica local mais fraca na semana, o investidor deve focar no câmbio. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Uma agenda externa carregada deve movimentar os mercados antes do feriado de 4 de julho nos EUA na quinta-feira, e da publicação do relatório de emprego americano (payroll) de junho, na sexta-feira. Os investidores vão acompanhar pronunciamentos dos presidentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde; e do BC do Brasil, Roberto Campos Neto, no fórum promovido pelo BCE, em Sintra, Portugal. Também devem acompanhar as eleições gerais no Reino Unido e repercutir o resultado do primeiro turno da eleição legislativa na França, à espera do desfecho da disputa em segundo turno no próximo domingo. No Brasil, o boletim Focus e alguns índices de preços de junho vão nortear as expectativas de inflação e para a taxa Selic, assim como a Pesquisa Industrial Mensal de maio deve apontar o impacto no setor das enchentes registradas no Rio Grande do Sul.

Exterior

As bolsas na Europa sobem, assim como o euro e a libra se valorizam ante o dólar nesta segunda-feira, após o resultado do primeiro turno das eleições legislativas da França. A extrema direita conquistou mais de um terço dos votos, mas teve apoio menor do que o esperado. Há expectativas de que a extrema direita francesa não garanta maioria absoluta no segundo turno, em 7 de julho. O presidente francês Emmanuel Macron perdeu força dentro e fora do país.

Já as leituras finais dos PMIs industriais da zona do euro e Alemanha caíram, porém, ficaram acima das previsões, enquanto o PMI do Reino Unido trouxe uma inesperada queda, embora ainda na zona de expansão.

Em Nova York, os juros dos Treasuries voltam a subir e os índices futuros das bolsas sobem, após as perdas do último pregão, enquanto investidores aguardam dados econômicos dos EUA, incluindo duas leituras de PMI industrial, antes da ata do Fed e do relatório payroll. O mercado vê maior chance de início dos cortes de juros pelo Fed em setembro e ampliou na sexta a probabilidade de redução acumulada de 50 pontos-base (pb) em 2024, após a divulgação do PCE em linha com as previsões.

Na Ásia, as bolsas chinesas subiram após dados dissonantes de atividade manufatureira. O PMI industrial calculado pela S&P Global/Caixin mostrou leve avanço no mês passado, a 51,8, indicando expansão no setor, mas o dado oficial chinês ficou inalterado em junho ante maio, em 49,5, frustrando expectativa de alta e sugerindo contração do setor. Além disso, o Banco do Povo da China (PBoC) estabeleceu como prioridades fortalecer a política monetária, mantendo “liquidez razoável”, impulsionar o fornecimento de crédito e manter a oferta de dinheiro em nível consistente com as metas de crescimento do país asiático. Em reunião para balanço sobre o segundo trimestre, os dirigentes do BC chinês também se comprometeram a manter a estabilidade do yuan e implementar medidas necessárias para evitar eventuais desvios desnecessários da taxa de câmbio.

Brasil

Os sinais positivos nas bolsas em Nova York e as altas do petróleo e de 2,5% do minério de ferro na China sugerem uma melhora para o Ibovespa e podem ajudar também as ações da Petrobras e Vale, nesta segunda-feira. A bolsa brasileira teve o pior primeiro semestre em quatro anos, a despeito da recuperação em junho, de +1,48%. O EWZ, principal fundo de índice (ETF) do Brasil negociado em Wall Street, estava estável no pré-mercado por volta das 7 horas.

Com a agenda econômica local mais fraca na semana, o investidor deve focar no câmbio. O dólar pode passar por alguma realização diante da queda externa frente a pares principais e após a alta de 6,43% do dólar ante o real em junho e de 15,14% no primeiro semestre – o maior salto neste ano entre os emergentes relevantes e também a mais alta variação ante o real desde 2020. Na sexta, o dólar à vista fechou a R$ 5,5883 ecoando as incertezas fiscais e sobre a política monetária nos EUA que marcaram sobretudo o segundo trimestre. O Banco Central segue negando a possibilidade de intervir para mitigar a volatilidade, induzindo o mercado a ampliar a busca de proteção cambial, segundo analistas.

Nos juros, a alta dos rendimentos dos Treasuries hoje tende a pesar nos DIs com investidores atentos às projeções de inflação, Selic do boletim Focus, à espera do IPCA de junho, que sai na semana que vem.

No radar ficam ainda as medidas do governo e do Congresso para compensar a desoneração da folha de pagamentos de empresas e municípios. Na semana passada, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse que a discussão será objeto de um projeto de lei de sua autoria, que deve tramitar em regime de urgência, já que é preciso solucionar o caso até 19 de julho, prazo dado por decisão do ministro Cristiano Zanin (STF), para que o Executivo e o Legislativo encontrem uma forma para compensar a manutenção da desoneração da folha de pagamento.

*Agência Estado