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Mais de um milhão de mulheres investem na bolsa de valores

Número de investidoras vem crescendo – e elas têm motivação e obstáculos próprios no mercado financeiro

Jovem negra com camisa amarela em frente ao notebook em sua mesa de trabalho
Mulher: 1,3 milhão de mulheres investem em renda variável. Foto: Adobe Stock

Em abril de 2021, a B3 alcançou um número histórico: 1 milhão de mulheres investindo em renda variável. O marco mostra não só o interesse crescente de pessoas físicas pelo mercado de capitais, mas também que o mundo das finanças, sempre dominado pelos homens, começou a mudar.

A B3 convidou duas investidoras para discutir a participação das mulheres nos mercados: Camila Farani, fundadora da boutique G2 Capital, e Paula Reis, fundadora do canal Mulher Trader.

O que motiva as mulheres a investir – e quais os obstáculos?

A entrada de investidoras no mercado de capitais não aconteceu de uma hora para a outra. Foi, na verdade, um processo gradual iniciado há alguns anos.

Segundo Paula Reis, o maior interesse das mulheres pelo mundo das finanças começou por volta de 2018 e se deve, sobretudo, à grande quantidade de informação circulando em sites e redes sociais.

Vários canais do Youtube passaram a compartilhar experiências de quem já investe, despertando o interesse de quem ainda não investia.

A influenciadora digital ainda cita a preocupação das mulheres com o futuro como outro motivador da maior participação feminina na bolsa. A criação de uma reserva de emergência ou poupança direcionada à educação dos filhos é um objetivo comum entre os investimentos das mulheres.

Se as mulheres têm suas próprias motivações para investir, também é verdade que enfrentam alguns obstáculos particulares. No caso do day trade, segundo Paula Reis, mulheres têm como principal desafio lidar com a tripla jornada, isto é, conciliar trabalho, filhos e operações na bolsa.

Um ponto positivo para as traders, de acordo com Paula, é o bom preparo psicológico para lidar com frustrações de expectativa – pois há sempre um atrito entre o retorno esperado de uma operação e o comportamento das ações em determinado dia.

A investidora também afirma que mulheres costumam avaliar com maior clareza os riscos envolvidos em operações de day trade.

Apesar disso, Paula Reis alerta que o day trade é recomendado apenas para quem já tem experiência com investimentos. Para aquelas que acabaram de entrar no mercado financeiro, é melhor começar por investimentos menos arriscados, sempre respeitando o perfil de investidor.

Empreendedorismo e investimento para mulheres

Outro espaço que as mulheres vêm conquistando nos últimos anos é o do empreendedorismo, trazendo novas ideias e práticas ao mundo dos negócios. Frente a diferentes caminhos, algumas mulheres podem se ver na dúvida entre empreender ou investir.

Camila Farani diz que “investir é obrigatório“, pois mesmo com pequenas quantidades é possível poupar e obter rendimento. Já o empreendedorismo é um “estilo de vida“, que demanda mais tempo em comparação com a rotina de investimentos.

Quem investe nem sempre é um investidor profissional, mas o empreendedor sempre deve se especializar em sua área de atuação.

Uma vez que investir é necessário, como explicou Camila, Paula Reis dá dicas de como dar os primeiros passos no mercado financeiro. Organizar as contas pessoais e focar em educação financeira são requisitos importantes para qualquer investidor inexperiente.

Se a decisão for investir em renda variável, Paula recomenda, ainda, procurar setores empresariais que sejam de interesse da pessoa ou que tenham feito parte de sua carreira profissional. Esse foco vai tornar a rotina de investimentos mais prazerosa e segura.

Mesmo com muitos avanços nos últimos anos, o mercado financeiro pode ficar ainda mais atrativo para o público feminino. Paula Reis relembra que foi só na década de 1960 que as mulheres ganharam direito a ter um CPF – condição necessária para operar na bolsa de valores.

Isso também mostra que, ao longo de muitas décadas, assuntos como trabalho, conquistas e independência financeiras foram excluídos do cotidiano das mulheres. E foi só nas gerações mais recentes que elas puderam se educar sobre finanças.

*As informações acima foram divulgadas durante transmissão ao vivo promovida pela B3 no dia 26 de maio de 2021.

Para saber ainda mais sobre investimentos e educação financeira, não deixe de visitar o Hub de Educação da B3.

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