O que ficou mais barato e os vilões da inflação em 2025 – e o que esperar para 2026
IPCA fechou o ano passado abaixo do teto da meta, mas pressão da inflação de serviços ainda é fator de preocupação
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A inflação oficial do país fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta e o menor índice desde 2018 (3,75%), segundo divulgou o IBGE.
A principal pressão veio do preço da energia elétrica, que saltou 12,31% e respondeu, sozinha, por 0,48 ponto percentual do Índice de Preços ao Consumidor-Amplo (IPCA) do ano passado.
Já o principal alívio veio do grupo alimentos e bebidas, que teve variação de 2,95% em 2025 contra 7,69% em 2024. Entre as maiores quedas, destaque para o feijão-preto (-32,38%), o arroz (-26,56%), o azeite de oliva (-21,04%) a batata (-13,65%) e o leite longa-vida (-12,87%). Veja aqui o detalhamento da IPCA.
A inflação é sentida de forma diferente pelas famílias uma vez que os preços dos 377 subitens monitorados pelo IBGE e que compõem o IPCA tem um peso diferente para cada tipo de família.
Confira abaixo as maiores altas e quedas no ano de 2025:
Inflação: principais quedas entre alimentos

Principais quedas entre não alimentícios

Principais altas entre alimentos

O que esperar para inflação de 2026
Para 2026, a projeção atual do mercado é de alta de 4,06%, também abaixo do teto da meta, segundo as expectativas coletadas pela último Boletim Focus do Banco Central.
Apesar do arrefecimento da inflação em 2025, a alta de alguns preços ainda é monitorada com atenção pelo Banco Central. A inflação de serviços, por exemplo, acelerou de 4,78% em 2024 para 6,01% em 2025, e o agregado de preços monitorados, ou seja, administrados pelo governo, de 4,66% para 5,28%.
Os economistas destacam que o comportamento mais benigno das commodities e do câmbio ao longo do ano de 2025 foi o principal fator que favoreceu o resultado da inflação no ano passado.
“Essa melhora da inflação foi puxada pela queda dos preços das commodities em reais, que contribuiu para aliviar a pressão sobre os alimentos e bens industriais. Para 2026 e 2027, porém, nossa projeção é de um IPCA a 4,8%, impulsionado pelo mercado de trabalho robusto e pela perspectiva de um real mais depreciado, em meio às preocupações com o aumento da dívida pública no Brasil’, analisa o economista do C6 Bank Heliezer Jacob.
Julio Barros, economista do Daycoval, sobre o IPCA de dezembro, destaca que o inflação de 4,26% de 2025 “ainda é um número bem distante da meta central de 3%”.
O Banco Central volta a se reunir no final deste mês para decidir sobre a política monetária. No mercado, há uma expectativa majoritária de manutenção dos juros em janeiro, e início de um ciclo de cortes a partir de março ou abril, a depender da evolução da inflação de serviços.
“A tendência é que a autoridade monetária promova uma mudança gradual no tom de sua comunicação a partir de janeiro, preparando o terreno para a flexibilização monetária — com os cortes provavelmente tendo início em março —, mas sem abrir mão de uma postura cautelosa diante de possíveis surpresas oriundas da inflação de serviços. Nesse contexto, os dados do mercado de trabalho ganham papel ainda mais central na condução da política monetária”, afirma Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos.
*Matéria originalmente publicada em IstoÉ Dinheiro, portal parceiro de Bora Investir