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Produtos e serviços consumidos durante o verão e o carnaval estão 16% mais caros

Avanço dos preços superou o IPCA do ano passado que ficou em 5,79%. Carnaval 2023 deve movimentar R$ 8,18 bilhões, valor abaixo do evento no pré-pandemia

Carnaval São Paulo. Foto: Edson Lopes Jr./Prefeitura de São Paulo
Quem disse que carnaval é só zoeira? Foto: Edson Lopes Jr./Prefeitura de São Paulo

Por Redação B3 Bora Investir

Os brasileiros devem gastar mais para aproveitar o verão e o carnaval 2023. Os preços dos produtos e serviços mais consumidos durante essa época subiram 16,6% em 2022, na comparação com 2021. O valor está bem acima da Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que ficou em 5,79%.

Segundo levantamento da XP, as passagens aéreas subiram 23,5% e tiveram o maior impacto nos preços do verão. O avanço aconteceu, apesar dos cinco cortes consecutivos nos últimos meses no valor do querosene de aviação. As quedas, entretanto, não foram suficientes para compensar a alta do custo dos últimos dois anos.

A economista da XP, Tatiana Nogueira, explica que as empresas aéreas sofreram muito durante a pandemia, devido as medidas de restrição de mobilidade e cancelamento de viagens. “Eles ainda estão lutando para contornar os prejuízos do período”, afirma.

Dentre os outros itens que vão pesar no bolso dos foliões estão hospedagem (18,2%), pacote turístico (17,2%), que tiveram fortes aumentos no ano passado. No caso dos serviços, a alta deve ser mais contida ao longo de 2023, no entanto os preços devem seguir em patamares elevados se comparado ao ano passado.

“Parte da elevação recente foi para corrigir custos represados. A passagem aérea, por exemplo, deve subir bem menos este ano do que em 2022, mas ainda fica com variação positiva”, explica Tatiana Nogueira. 

Pelo lado do turismo no Carnaval, o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes, explica que o crédito mais caro tem dificultado o retorno do setor ao patamar pré-covid.

“Esses serviços são, na maioria das vezes, comprados mediante parcelamento, o que, com o crédito mais caro, explica a dificuldade do setor do turismo em ultrapassar o nível pré-pandemia. A taxa média de juros dos empréstimos e financiamentos livremente obtidos por pessoas físicas atingiu 59% ao ano – maior patamar desde agosto de 2017, quando o índice era de 62,3%”, explica Bentes.

Se refrescar durantes os bloquinhos, atrás do trio elétrico ou desfilando no sambódromo no Rio ou São Paulo também ficou mais caro. O preço do sorvete avançou 20,1% no ano passado, seguido do refrigerante e de água mineral (12,4%) e da cerveja (9,4%).

Outros itens, muito utilizadas no verão, também subiram de valor. A maior alta veio de produtos para a pele, com avanço de 17%. Os preços de aparelhos de ar-condicionado cresceram 8,6% e os ventiladores estão, em média, 4,6% mais caros.

Apesar da alta, há uma tendência de desaceleração dos preços no decorrer deste ano. O movimento é reflexo do consumo menor, das vendas mais fracas do que o esperado no final do ano passado e das promoções para reduzir estoques.

“A demanda não cai só porque o crédito está mais caro e com o poder de compra do brasileiro diminuindo. O fato é que São Pedro deu uma ajudinha, com temperaturas mais baixas neste verão”, conclui a economista da XP.

Expectativa para o Carnaval 2023

O Carnaval deste ano deve movimentar a economia em R$ 8,18 bilhões em receitas, segundo estimativa da CNC. O valor é 26,9% maior que no ano passado quando foi registrado R$ 6,45 bilhões. No entanto, ainda está 3,3% abaixo de 2020 (R$ 8,47 bilhões), o último antes da pandemia de covid-19.

Os bares e restaurantes devem gerar a maior receita para o Carnaval deste ano, com movimentação esperada de R$ 3,63 bilhões. Seguido do transporte de passageiros (R$ 2,35 bilhões), serviços de hotelaria e hospedagem (R$ 890 milhões), empresas de lazer e cultura (R$ 780 milhões) e aluguel de veículos e agências de viagem (R$ 530 milhões).

Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o principal obstáculo para os gastos com a folia voltarem ao patamar pré-pandemia é o contexto econômico menos favorável no país.

“Os reajustes de preços de praticamente todos os segmentos, o aumento significativo da taxa de juros e o alto comprometimento da renda com dívidas fazem com que os gastos com lazer sejam comedidos, mas ainda assim consideravelmente maiores do que em 2021”, conclui.

INFLAÇÃO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS 2022 – VERÃO E CARNAVAL

IPCA5,79%
PRODUTOS VERÃO-CARNAVAL16,6%
Passagem Aérea23,5%
Sorvete20,1%
Hospedagem18,2%
Pacote Turístico17,2%
Produto para Pele17%
Refrigerante e Água Mineral12,4%
Cerveja9,4%
Ar-Condicionado8,6%
Ventilador4,6%
Açai (emulsão)3,4%
Fonte: XP/IBGE

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