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Vendas do varejo fecham 2022 no positivo com avanço de 1%

É o menor crescimento para o comércio desde 2016. No último mês do ano passado, as vendas varejistas tiveram queda de 2,6%

Pedestres passam entre lojas e placas de preços no Saara, centro de compras popular no Rio de Janeiro
Vendas no varejo são importante termômetro da atividade econômica. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

As vendas do comércio tiveram uma forte queda de 2,6% em dezembro, em relação ao mês anterior. Apesar da baixa, o setor encerrou 2022 com avanço de 1%. É o menor crescimento anual desde 2016 (-6,2%), segundo os dados divulgados nesta quinta-feira, 09/02, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, explica que o resultado no ano está muito próximo ao dos anteriores. No entanto, o crescimento foi mais tímido.

“Em 2021, por exemplo, houve ganho acumulado de 1,4%. Então em 2022 há um crescimento similar, mas ainda mais tímido. Além disso, é muito concentrado, em termos de variação, no setor de combustíveis e lubrificantes, que acumulou alta de 16,6% no ano, uma distância grande para o acumulado dessa atividade em 2021 (0,3%)”, explica.

VENDAS DO VAREJO – ANO A ANO

Gráfico representando vendas de varejo mes a mes
Fonte: IBGE

Diante desse resultado, o varejo, que operou o ano inteiro acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), passou a operar 1,1% abaixo em dezembro. O resultado negativo no último mês de 2022 foi impactado pelos setores de hiper e supermercados, produtos alimentícios e bebidas, e outros artigos de uso pessoal e doméstico.

No comércio varejista ampliado — que inclui veículos, motos, partes e peças, e material de construção — houve uma alta de 0,4% em dezembro frente a novembro. No acumulado do ano, entretanto, queda de 0,6%.

VENDAS DO VAREJO 2022 – MÊS A MÊS

Gráfico representando vendas de varejo Ano a ano
Fonte: IBGE

Desempenho dos grupos em 2022

O desempenho do comércio brasileiro no ano passado foi positivo em cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE. Os principais aumentos foram em combustíveis e lubrificantes (16,6%) e no segmento de livros, jornais, revistas e papelaria (14,8%).

O gerente da pesquisa explica que o setor de combustíveis começou a avançar em julho, após a redução forçada do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pelo governo federal. No entanto, a alta durou apenas quatro meses, ou seja, até novembro.

“Em novembro, houve uma perda de 5,4% e o resultado de dezembro intensificou ainda mais essa trajetória. Mesmo assim, o acumulado do ano para esse setor foi o maior da série histórica”, conclui Cristiano Santos.

Pelo lado do setor de livros – que não acumulava alta, frente ao ano anterior, desde 2013 – o crescimento está associado ao retorno da circulação de pessoas e das aulas presenciais.

“É um setor que acumula perdas ao longo dos anos, por causa do esvaziamento das lojas físicas, já que muitas pessoas deixaram de comprar produtos físicos dessa natureza. O que explica esse crescimento no ano é a venda de materiais didáticos em um momento de volta às salas de aula de forma presencial”, destaca o pesquisador.

A atividade com maior peso na pesquisa do varejo – o setor de hiper e supermercados – terminou 2022 com ganhos de 1,4%, apesar da queda nos últimos dois meses do ano.

“Uma das explicações para esse crescimento é a queda de 2,6% no ano anterior. Em 2022, tivemos o efeito da inflação elevada sobretudo em alimentos, o que favorece mais esse setor que outros, já que muitos deixam de consumir outro tipo de produto para continuar comprando esses itens básicos. No último trimestre, tivemos também o efeito do aumento do Auxílio Brasil, alcançando as famílias de menor renda que tendem a usar o valor do benefício em hiper e supermercados”, analisa o pesquisador.

Os outros dois setores que cresceram no acumulado do ano foram Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (6,3%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,7%).

Na parte das quedas, destaque para Material de construção (-8,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-8,4%), Móveis e eletrodomésticos (-6,7%), Veículos e motos, partes e peças (-1,7%) e Tecidos, vestuário e calçados (-0,5%).

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