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Como a decisão (e o comunicado) do Fed afetam os investidores no Brasil

Segundo analista, as projeções do Fed reduzem a pressão sobre o câmbio e dão mais espaço para o BC reduzir os juros no Brasil

A decisão do Federal Reserve (Fed) desta quarta-feira (18/3), de manter a taxa de juros nos EUA na faixa de 3,50% a 3,75%, já era amplamente esperada pelo mercado. Mais importante do que a decisão em si, no entanto, foram os comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, e a atualização de projeções dos membros da autoridade monetária. Para o investidor brasileiro, o impacto pode ser relevante.

Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, as surpresas vieram especialmente do chamado dot plot, um gráfico publicado pelo Fed que mostra, ponto a ponto, onde cada dirigente do banco central espera que a taxa de juros esteja nos próximos anos.

Para Trevisan, isso tem três consequências imediatas para o Brasil:

1. Alívio para o câmbio

“Se o Fed sinaliza mais cortes, o diferencial de juros EUA-Brasil fica mais confortável para o Banco Central brasileiro conduzir a flexibilização da Selic sem medo de fuga de capitais”, afirma Trevisan. Isso reduz a pressão sobre o dólar.

2. Mais espaço para o Copom cortar juros

Com o Fed indicando flexibilização futura, o Banco Central brasileiro ganha segurança para avançar no ciclo de cortes. “O comunicado do Fed facilita a vida do BC brasileiro e permite ao Copom iniciar o ciclo de flexibilização (seja de 0,25 p.p. ou 0,50 p.p.) com mais conforto”, diz Trevisan.

3. Ambiente mais favorável para renda fixa e ações no Brasil

Na avaliação de Trevisan, a sinalização do Fed é positiva para a renda fixa e renda variável no Brasil. “Títulos IPCA+ e prefixados de duration intermediária se beneficiam de um cenário global de juros em queda. Na bolsa, setores sensíveis ao custo de capital (utilities, construtoras, bancos) ganham fôlego com a perspectiva de flexibilização simultânea aqui e nos EUA”, afirma.

O risco que permanece é o petróleo. Se a guerra no Irã se prolongar e o Estreito de Ormuz continuar parcialmente bloqueado, os preços de energia podem contaminar as expectativas inflacionárias tanto nos EUA quanto no Brasil, forçando ambos os bancos centrais a pisar no freio. O Fed deixou isso implícito no comunicado. O investidor precisa monitorar o barril de petróleo como a variável mais importante das próximas semanas.

O impacto da guerra no Irã nos juros

Pela primeira vez, o FOMC incorporou oficialmente os efeitos da guerra no Irã em suas projeções. O petróleo Brent, que opera nesta quarta-feira acima de US$ 100 o barril, já reflete o fechamento parcial do Estreito de Ormuz e pode impulsionar a inflação global.

“Os preços de energia já estão repercutindo: a gasolina nos EUA subiu, os custos de transporte subiram, e o risco é de que isso contamine a inflação de serviços e alimentos nas próximas leituras do CPI e do PCE”, diz Trevisan.

Assim, o risco mais claro no cenário à frente é sobre os preços da commodity. “Se a guerra no Irã se prolongar e o Estreito de Ormuz continuar parcialmente bloqueado, os preços de energia podem contaminar as expectativas inflacionárias tanto nos EUA quanto no Brasil, forçando ambos os bancos centrais a pisar no freio. O Fed deixou isso implícito no comunicado. O investidor precisa monitorar o barril de petróleo como a variável mais importante das próximas semanas”, conclui Trevisan.

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