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Empresas chinesas: como investir em BDRs de ETFs chineses?

Mesmo com a desaceleração da segunda maior economia do mundo, é possível encontrar oportunidades investindo a partir do Brasil

Shangai, na China. Fonte: Pexels
Shangai, na China. Fonte: Pexels

Por Paula Pacheco, especial para o Bora Investir

Segunda maior economia do mundo, a China vinha construindo uma sequência de taxas expressivas de crescimento. Até que, de 2021 para cá, o país tem passado por uma série de ajustes e a atividade desacelerou.

O cenário deixa os investidores em dúvida sobre os resultados das empresas. Por outro lado, a expectativa é que o PIB chinês cresça 5% em 2023, acima do crescimento global. Não há uma unanimidade quanto à inclusão dos ativos chineses no portfólio – o desempenho não está entre os melhores, o que pode representar a perspectiva de crescimento.

Sinais mistos: o que está acontecendo com a economia da China e como isso afeta o Brasil?

Ainda assim, muitos investidores seguem considerando ativos do país para formar seu portfólio, de olho no potencial de crescimento do gigante asiático. A seguir, preparamos um passo a passo para quem quer investir na China por meio da segurança da Bolsa do Brasil. Confira!

Como investir em empresas da China morando no Brasil?

Cesar Crivelli, sócio e analista de ações da Nord Research, explica que, apesar do tamanho do mercado chinês, as atuais regulamentações restringem o alcance a alguns tipos de produtos.

Os brasileiros que têm interesse nos ativos chineses devem, como primeiro passo, abrir uma conta em uma instituição financeira – como corretora, banco ou plataforma de investimentos.

Quem quer investir sem sair do Brasil pode acessar ETFs (sigla para Exchange-Traded Fund, como são chamados os fundos que buscam replicar índices de mercado, como o Ibovespa, o S&P 500) e BDRs (que são certificados que representam ações de empresas estrangeiras, mas que são negociados no Brasil).

BDRs de ativos chineses

No caso de BDRs lastreados em empresas da China e cotados em reais, o investidor não tem o leque completo de papéis, mas contará com a maioria das empresas relevantes na China (são mais de 20 opções), aponta Alberto Amparo, head de Análise Internacional na Suno Research.

Dentre eles estão papéis conhecidos, como os da gigante do e-commerce Alibaba (BABA34) e do Baidu (BIDU34), o “Google chinês”.

Veja a lista completa de BDRS chineses

EMPRESACÓDIGOSETOR
ALIBABAGRBABA34Tecnologia / E-Commerce
AUTOHOME INCA1TH34Comunicação
BAIDU INCBIDU34Tecnologia
BEIGENE LTDB1GN34Farmacêutico
BILIBILI INCB1IL34Tecnologia
CHINA LIFE INSURANCE CO LTDL1FC34Financeiro
CHINA PETROLEUM & CHEMICAL CORPC1HI34Energia
CNOOC LTDC1EO34Energia
CTRIPCOMCRIP34Serviços – Viagens
GDS HOLDINGS LTDG1DS34Comunicação
HUAZHU GROUP LTDH1TH34Hotelaria
IQIYI INCI1QY34Comunicação
JD COMJDCO34Tecnologia / E-Commerce
NETEASENETE34Tecnologia
NEW ORIENTAL EDU & TECH GROUP INCE1DU34Escolas
PETROCHINPTCH34Petróleo, Gás e Biocombustíveis
PINDUODUO INCP1DD34Comunicação
TAL EDUCATION GROUPT1AL34Escolas
VIPSHOP HOLDINGS LTDV1IP34E-Commerce
WEIBO CORPW1BO34Comunicação
ZTO EXPRESS CAYMAN INCZ1TO34Delivery

ETFs têm variedade

Para Thiago Guedes, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Bridgewise, o investidor brasileiro deve optar pelas BDRs para acessar o mercado chinês se tiver acesso a um sistema de análise que traga informações técnicas sobre fundamentos das empresas. Do contrário, ele diz ser preferível optar pelos ETFs.

Hoje, quando se olha para a China, há uma boa variedade de ETFs negociados na bolsa brasileira.

“É o tipo de produto que permite ao investidor brasileiro estar exposto a uma média de empresas relevantes da China, ou seja, há uma exposição ao câmbio da moeda chinesa e ao crescimento econômico daquele país por meio da performance dessas companhias”, detalha o diretor da Bridgewise.

Riscos para ficar atento

Marcelo Marin, gestor de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, lembra que, ao investir em outros países, a carteira se torna mais diversificada. No entanto, é preciso ponderar os riscos, como em qualquer outro tipo de ativo.

“Apesar da China ser o maior país emergente, o investimento nas ações chinesas pode ser caracterizado como arriscado dada a grande regulação do governo sobre a economia, vide as intervenções nos setores de educação, como se viu em 2021, com a conversão de escolas privadas em organizações sem fins lucrativos, e de tecnologia e mídia, como o Alibaba”, diz Marin.

Como é o mercado de ações chinês

O mercado de ações da China, um dos maiores do mundo, tem duas bolsas principais: a de Xangai e a de Shenzen. Os especialistas costumam citar ainda a bolsa de Hong Kong, onde grande parte das empresas chinesas também são listadas.

As ações chinesas são separadas em 3 classes:

  1. Classe A: negociadas em Xangai e Shenzen, destinadas principalmente a investidores locais.
  2. Classe B: negociadas em Xangai e Shenzen também, tanto para locais quanto para estrangeiros.
  3. Classe H: negociadas em Hong Kong e abertas para todo tipo de investidor.

Entre os principais índices de ações, estão o Shanghai Shenzen CSI 300, constituí.

Conheça as maiores empresas chinesas

A lista das maiores empresas chinesas, apesar da diversificação, tem uma boa representatividade do setor financeiro. Confira as companhias com maior valor de mercado:

– Tencent Holdings (serviços de mídia, telecomunicações, games e redes sociais)

– Kweichow Mouta (bebidas)

– Industrial and Commercial Bank of China (ICBC, de serviços bancários)

– Alibaba Group (e-commerce)

– Petrochina (óleo & gás)

– Agricultural Bank of China (setor financeiro)

– China Construction Bank (setor financeiro)

– Contemporary Amperex Technology (produção de células e sistemas de baterias)

 – China Life Insurance Company (serviços financeiros)

– Ping and Insurance Company of China (serviços financeiros).

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