Organizar as contas

Itens típicos da Páscoa ficaram 50,75% mais caros nos últimos 5 anos

Confira itens que ficaram mais caros – e o que ficaram mais baratos

A Páscoa segue como uma das datas mais fortes do varejo brasileiro. Mas a data pode ser também um teste para o bolso do consumidor. Enquanto as prateleiras se enchem de ovos de chocolate e produtos típicos da época, o que mais chama atenção a cada ano são os preços.

Um levantamento da Rico mostra que o preço dos itens mais consumidos no período (como chocolates, bombons, açúcar e azeite) subiram mais que a inflação geral do país nos últimos 5 anos.

Entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, o IPCA, que mede a inflação oficial ao consumidor, acumulou alta de 33,13%. Já a chamada “cesta de Páscoa” avançou 50,75% no mesmo intervalo.

“Nos últimos cinco anos, os principais itens consumidos na Páscoa tiveram aumentos bem acima da inflação média do país. Isso mostra que, embora os preços tenham subido de forma geral na economia, os produtos tradicionalmente associados à data ficaram ainda mais caros para o consumidor”, explica Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico.

No entanto, quando analisado apenas o último ano, o cenário é de maior alívio. Nos últimos 12 meses até janeiro de 2026, a cesta de Páscoa registrou alta de 2,51%, abaixo do IPCA de 4,44%, movimento que reflete um ambiente de desaceleração inflacionária.

Segundo a analista, essa dinâmica tem relação direta com fatores macroeconômicos. “Esse movimento tem relação com a política monetária restritiva, com a taxa de juros em 15%, além da apreciação cambial observada desde o ano passado e da maior oferta global de alguns alimentos”, afirma.

Inflação da cesta de Páscoa

CategoriasAcumulado 5 anos (Jan/21 a Dez/25)Acumulado 12 meses (Fev/25 a Jan/26)
Índice geral33,13%4,44%
Cesta de Páscoa50,75%2,51%
Açúcar cristal34,00%-10,74%
Açúcar refinado57,51%-4,76%
Azeite de oliva51,56%-22,76%
Balas43,46%4,42%
Biscoito44,09%8,01%
Chocolate e achocolatado em pó85,10%19,06%
Chocolate em barra e bombom78,44%24,77%
Frutas55,98%0,73%
Leite condensado35,60%2,67%
Manteiga32,77%-5,53%
Pescados9,29%-0,53%

Chocolate continua pressionado mesmo com queda do cacau

Um destaque na inflação da cesta de Páscoa é o chocolate. Apesar da queda recente das cotações internacionais do cacau, os preços do produto final continuam subindo.

“Mesmo com a queda das cotações internacionais do cacau ao longo de 2025, a inflação do chocolate no Brasil seguiu pressionada. Isso acontece porque a indústria trabalha com defasagem no repasse de custos”, explica Maria Giulia.

Segundo ela, muitos produtos vendidos atualmente ainda foram produzidos com insumos comprados em momentos de preços mais altos da commodity.

Além disso, outros fatores continuam pressionando os preços.

“Custos logísticos elevados, reajustes nas embalagens e toda a cadeia de produção impactam o preço final do chocolate, especialmente em um período de forte demanda como a Páscoa”, diz.

Azeite teve forte queda recente

Outro produto tradicional da data que chamou atenção nos dados foi o azeite de oliva. O produto chegou a registrar forte alta entre 2023 e 2024 após quebras de safra na Europa, responsável pela maior parte da produção mundial.

“No entanto, o cenário mudou recentemente. A safra europeia melhorou e houve recuperação da produção, o que ajudou a reduzir os preços internacionais e abriu espaço para queda no varejo”, afirma Maria Giulia.

Sazonalidade também pressiona preços

Além das tendências de inflação, outro fator que impacta os preços da Páscoa é a sazonalidade.

“Nos meses que antecedem a Páscoa, a demanda por chocolates, balas e açúcar aumenta significativamente, e isso costuma gerar ajustes de preços por fabricantes e varejistas”, explica a analista.

Esse movimento está ligado à dinâmica clássica de oferta e demanda e ajuda a explicar por que muitos produtos ficam ainda mais caros no período próximo à data.

Quer analisar os seus investimentos em um só lugar? Baixe o APP B3! Mais tempo para você, mais inteligência para seus investimentos