Organizar as contas

Quer planejar viagens incríveis ao redor do mundo? Rodrigo Ruas dá o caminho

Em entrevista, viajante profissional e apresentador do ‘Ruas Mundo Afora’ dá dicas de planejamento financeiro para uma viagem inesquecível

apresentador e influencer de viagens, Rodrigo Ruas
Rodrigo Ruas, apresentador e influencer de viagens. Crédito: Divulgação

Por Redação B3 Bora Investir

Imagine viajar mais de 16 vezes por ano. Agora, que tal ter feito isso nos últimos 17 anos. E se eu te disser que neste período você vai ter visitado mais de 82 países. Todos esses números fazem parte do currículo do famoso viajante profissional, Rodrigo Ruas – que também apresenta o programa “Ruas Mundo Afora” no canal ‘Modo Viagem’ e no Globoplay.

Se você é daqueles que ainda não terminou de pagar sua última viagem e já está pensando na próxima, ou mesmo nunca viajou e quer tirar esse sonho do papel, essa entrevista do B3 Bora investir é para você.

Em uma entrevista exclusiva com Rodrigo Ruas, o profissional dá dicas de como fazer um planejamento de viagens perfeito e conta suas experiências pelo mundo. 

B3: Para quem quer viajar neste fim de ano ou planejar a viagem dos sonhos em 2023: quais são os primeiros passos para fazer um bom planejamento financeiro?

Rodrigo Ruas: Eu sempre digo que viajar nos últimos 15 anos se tornou acessível para todo mundo. Houve uma democratização das viagens, esse é o primeiro ponto. O segundo é que todo mundo pode realizar uma viagem extraordinária. Qual a diferença da viagem normal e de uma extraordinária? A viagem extraordinária é aquela repleta de detalhes, onde o roteiro, o hotel, os passeios importam. Claro, tudo planejado com antecedência. Então, a primeira dica que eu dou para realizar uma viagem extraordinária é cortar o supérfluo. Guarde bons momentos e transforme-os em momentos extraordinários. Como assim bons momentos? Comer uma pizza na terça e na quinta-feira, por exemplo, é gostoso. Só que muitas famílias que fazem isso depois vem me falar: ‘poxa Rodrigo, não tenho dinheiro para viajar’. Eu falo: ‘o que? Pera aí!’ Vocês gastam R$ 150 toda terça e R$ 150 toda quinta para pedir pizza. Isso dá R$ 300 por semana, R$ 1.200 por mês. Onde eu quero chegar com esse exemplo: comer uma pizza gostosa em família é um bom momento, mas a pessoa não se dá conta de que pode viver um momento extraordinário com esse mesmo investimento. Então, corte bons momentos para que você possa viver momentos extraordinários. Essa é a regrinha básica para ter a oportunidade de vivenciar uma viagem inesquecível.

B3: O destino tem forte influência na hora do planejamento. Após fazer essa escolha, como conseguir estimar os custos da viagem?

Rodrigo Ruas: O primeiro passo é procurar saber quanto vale a nossa moeda no país que você pretende visitar. Depois os preços de hospedagem e em seguida os melhores voos. Vamos aos exemplos. Uma viagem para a Turquia – onde a nossa moeda vale mais – fica mais fácil de planejar, mas nem sempre é assim. Em Londres, na Inglaterra, se a pessoa não se planejar, ela vai se dar mal. A primeira vez que eu fui para lá, no começo da minha carreira, eu não sentei em nenhum restaurante para comer porque é muito caro. Como eu me virei? Jantava naqueles restaurantes rápidos – que lá são super organizados e tem várias opções. A Noruega é outro destino caríssimo. Um hot dog custa R$ 100. Assim como nos meus programas, onde eu apresento uma estimativa de custo para aquele destino, a internet hoje ela é fascinante na hora de planejar uma viagem. Importante aqui pontuar que com a pandemia e a guerra houve um aumento de preços nas passagens aéreas, por exemplo. O seguro-viagem que era baratinho – uns US$ 15 por até cinco dias nos EUA, Europa, Canadá – hoje custa US$ 35, US$ 40.

B3: Outra grande dúvida são os gastos com refeições. Como fazer para caber no orçamento?

Rodrigo Ruas: Vou dar um exemplo que me ajuda muito quando faço uma viagem extraordinária com a minha esposa. Se a gente combina de ir jantar em um restaurante ‘top’, sabemos que vamos gastar de € 200 a € 350 – o que é caríssimo – estamos falando de R$ 1.500. Então, o que a gente faz? No almoço, ao invés de se sentar em um restaurante, comemos alguma coisa rápida: um pedaço de pizza, um hot dog na esquina, um hambúrguer. Às vezes até entramos em um supermercado e compramos aqueles sanduiches geladinhos. Com essa opção você tem duas economias – almoço e tempo. Porque durante o dia você quer aproveitar batendo perna, olhando os pontos turísticos. Quando dá seis da tarde, nós corremos para o hotel, tomamos um banho – ficamos lindos e maravilhosos – e vamos ter um jantar incrível. Em um almoço que gastaríamos € 30 por pessoa, nós abdicamos para gastar € 150, € 200 à noite. Em uma viagem, nunca se deve fazer uma grande refeição duas vezes ao dia. Alguém vai duas vezes na churrascaria? Ou em um rodízio? É um equilíbrio. Em Euro, para uma viagem extraordinária, se você reservar €100 por dia para alimentação é um bom número. Isso na Europa que hoje você tem a comida mais cara do mundo. Nas outras moedas, eu acho que se você reservar 50% disso por dia, você vai ter uma viagem confortável.

B3: Cartão de crédito, débito, dinheiro em espécie. Como resolver o dilema de qual é o melhor meio de pagamento para levar em uma viagem?

Rodrigo Ruas: Hoje existem várias soluções que eu utilizo. Tem os cartões de crédito com zero anuidade em que é possível pagar só 1% de IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] nas transações. Tem bancos digitais que isentam da burocracia de transferir dinheiro para fora do país. Mas independente dessas tecnologias, eu sempre levo dinheiro em espécie. Agora quanto levar? Cada país tem a sua necessidade, mas eu levo uma quantia de, no mínimo, US$ 20 por dia. O ideal US$ 50 por dia em espécie. Vou ficar dez dias, US$ 500. Dependendo do país, tem que levar mais. É importante observar também a questão cultural. No Egito, por exemplo, não se tem a maquininha. Lá há muitas feiras a céu aberto que não aceitam o cartão. É difícil até em restaurante. É o caso da Tailândia, Camboja, Vietnã. Já na Turquia, por exemplo, se aceita cartão em todos os lugares do país.

B3: A duração da viagem também é importante nesse planejamento financeiro?

Rodrigo Ruas: Exato. Saber escolher a data certa também é um passo importante desse planejamento. Eu sempre faço uma brincadeira: você sabe quanto custa um dia de férias? Nas minhas contas, um dia de férias equivale a 11 dias de trabalho. Por isso ele deve ser muito bem aproveitado. Então se você não planeja bem, se você não se estrutura legal, você perde. Tem que investir muito bem esse tempo.

B3: São quase 17 anos viajando o mundo e mais de 80 países visitados. Você lembra de algum perrengue que você passou?

Rodrigo Ruas: Sim. Eu estava agora na Copa do Mundo no Catar para a inauguração de um hotel – inclusive que está super na moda e onde as esposas dos jogadores da Seleção estão hospedadas. Eu perdi a minha carteira com uns US$ 500 e € 200. Sempre ando com esse dinheiro, porque várias vezes estou gravando o programa e me chamam para outro lugar. Tinha documentos, cartões…. agora estou tirando tudo novo. E teve uma vez também que passei por um perrengue por falta de planejamento. Há mais ou menos dez anos atrás, cheguei na Índia e a minha produção esqueceu de me avisar que eu tinha que tomar a vacina da febre amarela. Fomos parar em um hospital de quarentena e ficamos presos lá. Teve todo um trabalho diplomático – porque estávamos a convite do Ministério do Turismo da Índia. Entraram em contato com a Embaixada do Brasil para me tirar de lá. Foi bem engraçado.

B3: Agora para encerrar. Você está nas redes sociais, no YouTube e no canal ‘Modo Viagem’ com o ‘Ruas Mundo Afora’. Quero saber os seus planos para 2023.

Rodrigo Ruas: Vai ser o ano da colheita. Durante a pandemia eu vendi tudo o que eu tinha e construí um hotel em Campos do Jordão. Eu acho que vai ser o melhor ano da minha vida. É sempre assim. Lembrar de cortar a pizza de terça e quinta para viver momentos extraordinários. Tudo é planejado. Antes de ser pai, eu e minha esposa vamos em 2023 fazer uma viagem de despedida sem filhos. Ficaremos 75 dias na Ásia – vamos no final de fevereiro e voltamos 75 dias depois. Viajaremos para a Tailândia, Camboja, Filipinas, Indonésia e talvez Cingapura. Depois vamos transformar em programas – porque a minha esposa Anne Bueno faz o ‘A Vida é uma Passagem’, que está disponível no GloboPlay e na Globosat e eu tenho o ‘Ruas Mundo Afora’. Nós vamos virar a família ‘Ruas’ viajando. A gente fazia 16 viagens por ano antes da pandemia e agora, em 2023, a ideia é fazer três viagens por ano só que de um mês.

Quem é Rodrigo Ruas?

Rodrigo Ruas é um dos mais respeitados viajantes profissionais do mercado de turismo. Em seu programa ‘Ruas Mundo Afora’, do canal Modo Viagem e do Globoplay, compartilha as mais fantásticas experiências com milhares de telespectadores.

O sonho de ser um viajante profissional começou após se formar na Manchester High School e pela Universidade Ohio State nos Estados Unidos, em fotografia. Seu primeiro programa foi criado no final do curso de jornalismo em seu Trabalho de Conclusão de Curso, que lhe rendeu nota máxima e acendeu ainda mais suas ideias, transformado o que era apenas um hobby em um negócio para vida toda.

Os programas de Rodrigo Ruas já têm mais de cinco milhões de seguidores nas redes sociais e 1,5 milhões de visualizações no YouTube.

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