CDB

Quais os cuidados a tomar antes de investir em CDBs

Apesar de contar com a garantia do FGC, é preciso se atentar aos riscos antes de investir em um CDB

Os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) se popularizaram no Brasil como uma forma de diversificar as aplicações em renda fixa. Esses títulos, emitidos por bancos, contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e por isso são considerados seguros pelos investidores. Mesmo assim, qualquer investimento envolve riscos – e é preciso calma para analisar os papéis antes de fazer um aporte.

CDB e Tesouro Direto: quais os prós e contras desses dois títulos de renda fixa?

Risco de crédito dos CDBs

“As pessoas às vezes encaram o CDB com uma simplicidade muito grande, mas o crédito bancário tem risco e é difícil de ser analisado. Dentro do mercado financeiro há pessoas que se dedicam só a isso: analisar o balanço, o nível de endividamento do banco, qual o tipo de endividamento, o prazo”, explica planejadora financeira Estela Borgheri.

O também planejador Jeff Patzlaff concorda. “O mundo ideal é que você fizesse uma análise do balanço do banco. Mas a realidade é que é difícil fazer essa análise”, diz ele.

Então, para avaliar o risco, sem precisar conhecer os balanços dos bancos a fundo, eles sugerem alguns caminhos. “Algumas ferramentas ajudam a pessoa física a entender o tamanho daquele risco, como os ratings”, diz Estela. “Os bancões, que têm rating excelente, costumam oferecer rentabilidade menor, de 101% do CDI, por exemplo. Outros bancos, mais arriscados, já oferecem 110%, 120%. Então, só pela discrepância de taxa, você consegue saber que aquele banco ou instituição financeira tem risco maior”

“Não existe milagre, se o rendimento oferecido está muito alto, é bom buscar entender o motivo. Pode ser uma oportunidade de mercado, mas pode ser um papel de risco mais alto”, complementa Jeff.

Outro exercício que Estela sugere é comparar o que está sendo oferecido como rentabilidade no CDB com as taxas do Tesouro Direto. “As instituições financeiras devem oferecer rentabilidade maior, mas se estiver muito acima, muito discrepante, não existe mágica, existe um risco atrelado a essa operação”.

Cobertura do FGC

Um fator que mitiga o risco de crédito no caso dos CDBs é a cobertura do FGC. Se o banco emissor do título tenha algum problema e não consiga honrar os pagamentos, o FGC entra em ação: cobre o limite de até R$ 250 mil por CPF. O problema, no entanto, é que o processo pode demorar.

“O grande problema de ter de acionar o FGC é a dor de cabeça e a tensão” até o ressarcimento, explica Jeff. “Se uma parte do seu valor investido em CDB der problema, tudo bem. Você só não deve colocar todo o dinheiro” em um único emissor, resume.

Liquidez

Um ponto importante a analisar em qualquer título de crédito é o prazo. Isso porque quem quiser resgatar um título antes do vencimento está exposto a dois fatores que podem reduzir a rentabilidade do investimento: a marcação a mercado e o spread cobrado.

A marcação a mercado é a variação de preço do título, especialmente aqueles prefixados e indexados à inflação, a depender do cenário econômico. “Títulos indexados à inflação com prazo longo podem ter volatilidade maior do que a de ação”, lembra Jeff.

Já o spread é a diferença que o banco ou instituição financeira cobra na recompra do título.

Isso não significa, no entanto, que não vale a pena escolher CDBs sem liquidez diária ou com prazos maiores. Apenas é importante casar o prazo com a sua necessidade de receber aquele dinheiro de volta.

CDB vale para a reserva de emergência?

“Eu prefiro que reserva de emergência fique em CDB de banco que você trabalha no dia a dia”, diz Jeff. Lembrando que, para essa finalidade, o ideal é escolher CDBs que ofereçam liquidez diária. Outra opção é escolher títulos do Tesouro Direto, mais especificamente, o Tesouro Selic.

+ Por que o Tesouro Selic é usado para reserva de emergência? 

Estela tem uma posição similar. “Para reserva de emergência, é Tesouro Selic ou no máximo um CDB de bancão. Não faz nenhum sentido colocar a reserva de emergência em um banco que seja mais arriscado porque está pagando uma taxa maior, só para ter um pouquinho de rentabilidade”, diz ela.

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