Tipos de investimentos

Tesouro Direto: entenda o que é e como investir em títulos do governo

Títulos da dívida do governo federal são uma opção de investimento com pouco risco e boa previsibilidade de retorno

Foto do edifício do Banco Central localizado no Setor Bancário Sul em Brasília. Foto: Rmcarvalhobsb - stock.adobe.com
Há 16 milhões de CPFs cadastrados para investir no Tesouro Direto, com 1,8 milhão ativos. Foto: Rmcarvalhobsb - stock.adobe.com

O Tesouro Direto, programa da Secretaria do Tesouro Nacional do Brasil implementado em 2002 em parceria com a B3, é uma modalidade de investimento muito usada por quem ainda não está familiarizado com o mercado financeiro. Isso porque os riscos são muito baixos e é possível saber qual é o rendimento ou, ao menos, como ele será calculado.

Quando alguém investe em títulos do Tesouro Direto está, na prática, emprestando dinheiro ao governo federal e lucra com a taxa de empréstimo, que varia conforme o tipo de título e o prazo da dívida. O risco da aplicação é o risco de o país “quebrar” e tornar-se incapaz de pagar o que deve aos investidores, que é remoto.

A previsibilidade de retorno do investimento é maior porque os títulos do Governo Federal são de renda fixa, isso é, seu rendimento é dado por uma taxa pré-fixada ou varia de acordo com um indexador já conhecido no momento da compra do título.

Você sabia?

Já são 16 milhões cadastrados para investir no Tesouro Direto e 1,8 milhão estão ativos.

Principais títulos do Tesouro Direto

Tesouro Prefixado

Títulos com rentabilidade definida no momento da compra por meio de taxa fixa estabelecida pelo governo. Essa taxa equivale à rentabilidade anual dos títulos de Tesouro Prefixado, sempre publicada na tabela do Tesouro Direto;

Tesouro Prefixado com juros semestrais

É idêntico ao Tesouro Prefixado, porém com pagamento de juros semestrais. Ou seja, ao final de seis meses, o investidor recolhe uma porcentagem da quantia que investiu, equivalente ao juro composto do período;

Tesouro Selic

A rentabilidade do título é atrelada a um indexador econômico, no caso, à taxa básica de juros – a Selic. Uma característica importante do Tesouro Selic é a rentabilidade diária. Num cenário hipotético de taxa Selic anual de 10%, o rendimento diário seria 10% dividido pelo número de dias úteis em um ano;

Tesouro IPCA+

Utiliza a inflação oficial (IPCA) como indexador, ou seja, a rentabilidade anual equivale ao IPCA acrescido de uma taxa predefinida. Como o retorno desse investimento é sempre maior que a inflação, é uma opção em momentos de alta dos preços para manter o poder de compra;

Tesouro IPCA+ com juros semestrais

A rentabilidade anual é calculada de maneira idêntica ao do Tesouro IPCA+, mas com pagamento de juros semestrais. Para saber mais sobre o assunto, não deixe de assistir ao vídeo sobre Tesouro Direto preparado pela B3.

Você sabia?

LFT, ou Letra Financeira do Tesouro, é o antigo nome do Tesouro Selic

Como investir no Tesouro Direto?

Desde 2002, quando a plataforma do Tesouro Direto foi lançada, comprar títulos públicos ficou mais fácil. Antes disso, pessoas físicas só podiam investir nessa modalidade de maneira indireta, por meio de participação em fundos de investimento. Hoje, é possível comprar títulos públicos por meio de corretoras de valores e bancos.

No site do Tesouro Direto é possível consultar uma tabela com todos os títulos disponíveis, acompanhados de informações como:

  • rentabilidade anual (expressa em porcentagens);
  • investimento mínimo;
  • preço unitário;
  • vencimento, ou data em que será possível resgatar a quantia investida com a totalidade do rendimento prometido.

Como comprar títulos do Tesouro Direto em 4 passos

1 – Acesse o site do Tesouro Direto e simule um investimento. A função Simulador pode tanto recomendar um título de acordo com objetivos e prazos do investimento quanto simular a aplicação em cada um dos títulos disponíveis.

2 – Após escolher o título, o investidor deve se cadastrar em uma instituição financeira habilitada para negociar títulos do Tesouro Direto. Há vários bancos e corretoras que não cobram taxa para fazer essas aplicações.

3 – O valor da aplicação deve ser transferido para a conta do banco ou corretora escolhida.

4 – O controle das aplicações é feito pelo investidor por meio da plataforma digital da corretora ou do banco; o site ou aplicativo oficial do Tesouro Direto também podem ser usados.

O Tesouro é pop

Preço unitário é o valor integral do título, mas, para tornar o investimento ainda mais acessível, o governo fraciona os títulos e o investidor pode adquirir uma parcela dele – que corresponde ao investimento mínimo.

Se mesmo com as informações das tabelas o investidor tiver dúvidas sobre qual título escolher, há uma ferramenta, também disponível no site do Tesouro Direto, que pode ser a solução.

O simulador faz duas perguntas ao investidor: quais são os objetivos do investimento (aposentadoria, casa nova, estudos, carro novo, reserva de emergência ou apenas investir) e por quanto tempo pretende deixar o dinheiro investido (1 a 3 anos, 3 a 9 anos, mais de 10 anos ou “não sei ainda”).

Em seguida, o sistema dá sugestões de títulos baseadas nas respostas. Para cada título sugerido, é possível fazer uma simulação de investimento em duas situações: “quanto quero investir hoje” (partindo do que você tem hoje, para estimar quanto resgatará no vencimento da aplicação) e “quanto quero resgatar no futuro” (parte do que você quer ter no futuro para calcular quanto tem que investir).

Custos do investimento

O investidor deve ficar atento às taxas e aos tributos cobrados nas operações com títulos do Tesouro Direto. Há a taxa de custódia da B3 sobre o valor dos títulos, referente aos serviços de guarda e movimentação dos saldos. É cobrada a cada semestre ou na ocorrência de um evento de custódia, como pagamento de juros, venda ou vencimento do título. Hoje, essa taxa está em 0,20% ao ano.

Desde 2020 a B3 zerou a taxa de custódia para quem investir até R$ 10.000 no Tesouro Selic.

Uma segunda taxa é cobrada pelo agente de custódia, isto é, a instituição que o investidor contrata para guardar seus valores mobiliários, uma corretora de valores, na maioria das vezes. Mas, diante da competição, muitos isentam os investidores dessa cobrança. No site do Tesouro Direto é possível consultar as taxas cobradas por algumas corretoras.

Por fim, é cobrado Imposto de Renda. A tributação incide sobre o rendimento do período da aplicação com alíquota regressiva:

  • 22,5% sobre resgates em menos de 180 dias;
  • 20% para até 360 dias;
  • 17,5% para até 720 dias;
  • 15% a partir de 721 dias.

Quer continuar aprendendo sobre o assunto? Veja também nosso post sobre o que são juros e como eles são cobrados nos investimentos. Até lá!

Para saber ainda mais sobre investimentos e educação financeira, não deixe de visitar o Hub de Educação da B3.

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