Tesouro direto

Tesouro Selic, Prefixado ou IPCA+: o que acontece com os investimentos se a Selic cair?

Mudanças na Selic impactam diretamente em investimentos de renda fixa como os do Tesouro Direto

Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, decide sobre o patamar da taxa básica de juros do Brasil – e depois de 2 anos, pode voltar baixar a Selic. Essa possível mudança impacta diretamente os investimentos, e principalmente os ativos de renda fixa, como os títulos do Tesouro Direto.  

Há dúvidas, no entanto, sobre qual será a magnitude desse movimento. Atualmente, a maior parte do mercado projeta uma queda de 0,25 ponto porcentual, mas ainda há quem espere uma redução de 0,50 p.p.  

“Antes da mais recente guerra no Oriente Médio, era consenso entre os especialistas do mercado financeiro que o Banco Central iniciaria o corte na taxa de juros na próxima reunião do Copom. O fato é que, em função dos conflitos, a insegurança provocada por ele e a oscilação dos preços do petróleo e cotação do dólar, os técnicos do Copom podem optar por uma medida mais cautelosa”, aponta Paula Sauer, professora da FIA Business School. 

A maior preocupação, de acordo com a professora da FIA, é em relação ao preço do petróleo, que disparou de valores e entre US$ 66 e US$ 72 por barril para o petróleo de referência internacional Brent para mais de US$ 100 o barril.  

“O aumento do preço do petróleo leva ao aumento de preços em cadeia, combustíveis, fertilizantes, custo de transportes (que é na maioria das vezes repassado ao consumidor final), alimentos entre outros preços que sofrem com o aumento do custo de produção. E pronto! Temos um risco de inflação”, alerta Sauer. 

Queda da Selic e os investimentos

Segundo Paula Sauer, o mercado de uma maneira geral “já contava com essa redução da taxa de juros, e muitos títulos já estão precificados a partir desse novo cenário”. No entanto, ela afirma que a taxa de juros brasileira ainda é extremamente atraente, considerada uma das mais altas do planeta. 

“Caso a queda na taxa de juros se concretize, temos uma valorização dos títulos já emitidos que pagam taxas mais altas. Isso gera ganhos pela marcação a mercado, especialmente em prefixados, que ganham com a queda da taxa, e os títulos atrelados ao IPCA+, que ganham também com o aumento da inflação”, explica a professora.  

Para Sauer, isso acontece, uma vez concretizada a queda nas taxas de juros, porque os novos títulos passam a ser emitidos com taxas menores e retornos progressivamente menores ao longo do tempo, mas ainda extremamente atraentes, “se considerar que podem entregar para o investidor liquidez e um retorno ainda na casa de dois dígitos, pelo menos até o final de 2026”. 

De uma maneira geral, a professora da FIA ressalta que, com a queda da taxa de juros, é esperado o seguinte cenário para cada título

  • Tesouro Selic: Rentabilidade futura cai 
  • Tesouro Prefixado: Tende a valorizar 
  • Tesouro IPCA+: Pode valorizar, dependendo da inflação 

“Isso ocorre porque os preços dos títulos são ajustados pela chamada curva de juros. Quando o mercado acredita que os juros cairão, essa curva recua – e os títulos com taxas já fixadas ficam mais valiosos”, ressalta. 

Perspectiva para cada título do Tesouro Direto

Ao olhar título por título, Paula Sauer destaca: 

Tesouro Selic 

O Tesouro Selic, por ser pós-fixado, é considerado o menos sensível à variação da taxa Selic. Porém, em caso da efetivação da queda da taxa de juros, a rentabilidade futura diminui e não há grande valorização do preço do título. Ainda assim, continua sendo de extrema importância na composição das carteiras de investimentos para constituir a reserva de emergência, dar liquidez a carteira e amortecer a volatilidade. Ainda assim, tende a perder atratividade relativa quando o ciclo de cortes começa. 

Tesouro Prefixado 

Por outro lado, os títulos prefixados são os que mais se beneficiam em um cenário de expectativa de queda na taxa de juros. Imagine que um investidor comprou um título pagando 13% ao ano se levado até o prazo final e depois os novos títulos passam a pagar 10% ao ano. O título antigo fica mais valioso no mercado.  

Prefixados tendem a se valorizar no início do ciclo de queda de juros. Mas é importante ressaltar que a taxa acordada no momento da compra só é garantida caso o investidor mantenha o título até o vencimento. Se decidir vender antes, estará sujeito à marcação a mercado – que pode trazer ganhos, mas também prejuízos para o investidor. 

Tesouro IPCA+ 

O comportamento deste título do Tesouro Direto é um pouco mais sofisticado, pois ele paga: IPCA + taxa real. Imagine um título IPCA + 6%, quando os juros reais da economia caem, esse título também se valoriza, especialmente os de prazo longo.  

Em um cenário de queda de taxa de juros, esse título tende a se valorizar. Além disso, esse tipo de papel protege contra inflação, sendo muito utilizados nas carteiras para objetivos de longo prazo, pois apesar de valorizarem menos que os prefixados no curto prazo, oferecem proteção inflacionária e estabilidade de poder de compra. 

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