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Mercado de ETFs acelera crescimento em 2025 e aponta consolidação em 2026

Fundos listados ultrapassam R$ 90 bilhões sob gestão no Brasil, atraem investidor de renda fixa e ganham novas estratégias

O mercado brasileiro de fundos listados em bolsa (ETFs) passou por um crescimento relevante ao longo de 2025. O desenvolvimento dessa indústria se mostra em diferentes métricas: o patrimônio sob gestão via ETFs saiu de R$ 54 bilhões para R$ 91 bilhões. O número de investidores passou de pouco mais de 700 mil para 919 mil em dezembro de 2025, segundo dados da B3. Ao longo do ano, quase um novo ETF foi lançado por semana – em diferentes classes de ativos.

Além dos já tradicionais e conhecidos ETFs de ações, os ETFs de renda fixa se destacaram, tanto nos lançamentos quanto na captação.

Gestores de diferentes casas descrevem um ano de forte crescimento, puxado pela maior diversidade de opções, e pelas mudanças no modelo de distribuição de investimentos no Brasil. Ainda que a indústria ainda represente menos de 1% do patrimônio total de fundos no país, a percepção é de mudança estrutural na adoção.

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“2025 foi um ano histórico, transformador e irreversível. 2025 vai ficar marcado como o ano de inflexão da curva de adoção de ETFs no Brasil,” resume Bruno Stein, responsável pela área de fundos listados da Galápagos.

Além do crescimento do mercado em números, a classe tem ganhado atenção na mídia. “Temos casas de research cobrindo ETFs com time dedicado, influenciadores dedicados a ETF, a imprensa mais interessada em cobrir”, diz Bruno.

Danilo Gabriel, da XP Asset, concorda. “A gente tem feito o share of mind, temos conseguido puxar a atenção dos investidores em relação ao tema”, afirma. “Em 2025, a gente teve um crescimento de recursos, mas ainda assim é uma indústria de R$ 90 bi. Ainda não conseguimos virar a marca de 1% da indústria de fundos, mas a gente está próximo”.

A leitura para 2026 é de continuidade, com novos entrantes, mais produtos e consolidação do que foi lançado no último ano.

“Quando eu olho para 2026, imagino continuidade desse ciclo de atenção. Estamos falando muito do produto, potencialmente vão ter novos entrantes, novos produtos, e consolidação dos produtos que foram lançados em 2025”, conclui Danilo Gabriel.

Grades de ETFs mais completas e competição por eficiência

A janela de 2022 a 2025 é descrita por Bruno Stein como o período em que “o problema de oferta” começou a ser resolvido. Houve avanço em produtos internacionais e, sobretudo, em renda fixa, criando uma prateleira mais ampla para o investidor. “Acho que ainda tem muito ETF para ser lançado no Brasil, mas as principais classes de ativos já estão cobertas”, explica.

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Fundos listados de renda fixa tomam a dianteira: a “grande história” de 2025

Se o ano foi de expansão, a protagonista foi a renda fixa. No caso da Investo, por exemplo, mais de 60% das novas captações do mercado vieram dessa classe – com destaque para os ETFs de LFT (que investem em títulos do Tesouro Selic).

“O investidor brasileiro começou a entender o ETF também como instrumento de renda fixa”, diz Danilo Moreno, da Investo.

Alexandre Frade, Itaú Asset, também dá destaque para esse tipo de produto no ano de 2025. “A entrada dos ETFs em pós-fixados brasileiros, sempre dominado por fundos DI, é a grande história do ano de 2025 em termos de captação dos gestores em geral. Como o Brasil sempre teve uma concentração anormalmente alta em renda fixa, o potencial desse produto é muito grande”, diz.

Do lado da demanda, a aposta é que a virada em renda fixa se consolidará: “Duvido que qualquer investidor bem-informado, seja qual for o valor que ele tenha, termine 2026 sem ter nenhum ETF de renda fixa na carteira”, diz Bruno Stein.

Educação financeira segue como gargalo

Apesar da tração, o setor esbarra em um desafio de entendimento – desde conceitos de liquidez e formação de preço até o fato de que ETFs de renda fixa são negociados em bolsa.

“As pessoas começaram a entender melhor o produto, e os ETFs de renda fixa, mas de forma ampla, ainda não. É o grande desafio que a gente tem como indústria: essa quebra de paradigma de que ETF é renda variável”, diz Andrés Kikuchi, da Nu Asset. “Ainda temos caminho enorme em 2026 em diante para esse educacional, mostrar que o portfólio pode ser montado com ETFs”.

“As pessoas fazem muita confusão; enxergam ETF como classe de ativo, quando, na verdade, o ETF é uma casca para acessar diferentes classes”, completa Frade, da Itaú Asset.

Distribuição e incentivos: fee-based ganha tração e muda o jogo

A mudança do modelo de remuneração de assessores de investimento, com maior adesão ao fee fixo (também conhecido como fee-based) é apontada como vetor relevante para a adoção de ETFs – por reduzir conflitos e enfatizar o custo total ao investidor.

“Uma maior adesão no mundo de fee fixo dá mais influência aos consultores, assessores e alocadores. Pensando na linha de custo que o investidor final tem, a busca por produtos mais eficientes é natural”, diz Danilo Gabriel, da XP Asset.

A eficiência tributária também pesa a favor dos ETFs em alguns casos. “Quando você encontra eficiência – como a tributária – isso aparece no retorno”, complementa Danilo Moreno, da Investo.

Agenda regulatória: revisão do Anexo 5 entra em cena

O fim de 2025 trouxe, segundo os gestores, mais um sinal positivo: a entrada da revisão do Anexo 5 na agenda regulatória da CVM. “Isso traz uma modernização regulatória muito positiva, que não trata apenas dos ETFs ativos,” diz Andrés Kikuchi, da Nu Asset.

No caso dos ETFs ativos, a preocupação central entre as casas é preservar os pilares do veículo, como o preço de tela próximo ao valor dos ativos, mercado secundário robusto e padronização, ao mesmo tempo em que se busca a geração de alfa.

“A grande discussão é como fazer, como trazer essa evolução. Como manter os benefícios de um ETF na gestão ativa, para que o produto continue sendo transparente, líquido, padronizado e com mercado secundário; para que tenha preço de tela muito próximo do preço de negociação dos ativos”, explica ele.

A expectativa, porém, é pragmática: os ETFs ativos seriam mais um vento favorável, ainda que não sejam vistos como uma condição para o crescimento do mercado de ETFs.

Migração de fundos tradicionais para ETFs

A leitura comum entre os gestores é que a migração de parte do capital hoje alocado em fundos tradicionais pode avançar, impulsionada por custo, simplicidade operacional e padronização. “Os ETFs têm vantagens muito claras. Essa migração vai ocorrer com facilidade”, diz Danilo Moreno, da Investo.

“Minha expectativa pessoal é que, no próximo ciclo de apetite a risco dos investidores, diferente do que foi 2017–2021, os fundos indexados vão capturar muito desse volume,” opina Danilo Gabriel, da XP Asset.

Perspectivas para 2026 (e além): consolidação de ETFs recém-lançados, novos entrantes e escala

O consenso para o próximo ano é de consolidação do que foi lançado, expansão do número de gestores e aprofundamento do uso de ETFs por investidores individuais e institucionais. “2025 é ano irreversível; 2026 tem que ser um ano de consolidação. Tudo isso que estamos falando tem que acontecer,” diz Stein.

Danilo Moreno, da Investo, vai na mesma linha. “O ano deve continuar com muitos lançamentos, incluindo novas assets entrando no mercado. Ainda tem muita estratégia nova para ser lançada no Brasil.”

Na Nu Asset, a projeção é ambiciosa para o horizonte de três a cinco anos: “A gente tem expectativa enorme de que esse mercado, ao longo dos próximos anos, vai alcançar números superlativos. Não vou cravar ano, mas em 3–5 anos, perto de R$ 1 trilhão,” diz Kikuchi

“Mas os ETFs continuam sendo menos de 1% da indústria de fundos; ainda achamos que estamos bem no começo. Foi um passo importante, mas o potencial de crescimento é espetacular”, diz Alexandre Frade, da Itaú Asset.

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