FIIs em 2026: É hora de focar em renda ou ganho de capital?
Para o educador financeiro Ricardo Natali, o cenário é positivo para o setor
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Após um ano de recuperação expressiva para os fundos imobiliários em 2025, o que esperar de 2026? Em entrevista a Danilo Barbosa, Head de Research do Clube FII, o educador financeiro Ricardo Natali, do Lucro FC, projetou um cenário positivo para o setor, destacando a importância da estratégia e da visão de longo prazo para o investidor. Você pode assistir ao vídeo completo disponível no canal do Clube FII no YouTube clicando aqui.
Ricardo Natali iniciou a conversa lembrando que, apesar do otimismo no final de 2025, o início do ano foi marcado por incertezas, o que reforça sua tese de que tentar prever o melhor momento de compra é uma tarefa complexa. “Quem encheu o carrinho naquela época, está sorrindo à toa”, comentou, defendendo a disciplina dos aportes mensais como a melhor forma de construir patrimônio, independentemente das narrativas de curto prazo do mercado.
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FIIs ficaram caros?
Com a valorização dos ativos em 2025, questionado sobre os preços atuais dos FIIs, Natali afirmou não acreditar que os ativos estejam caros. Para ele, o momento é de “preço justo”. “Comprar bons fundos imobiliários a um preço justo é fazer boas compras. O preço justo não é caro”, explicou. Ele argumenta que, embora as barganhas não sejam tão evidentes como no passado, ainda há potencial, especialmente em um mercado mais estável em comparação com ações ou criptoativos.
Perspectivas para 2026: Renda ou ganho de capital?
Sobre a montagem de carteira para 2026, Natali revelou que busca manter um equilíbrio de 50% em fundos de papel e 50% em fundos de tijolo. No entanto, com a perspectiva de queda da taxa Selic, ele acredita que pode fazer sentido aumentar a exposição aos fundos de tijolo, que tendem a se beneficiar com a valorização dos imóveis. Ele classifica os FIIs, tanto de papel quanto de tijolo, como parte da fatia de “segurança” de seu portfólio de investimentos, priorizando ativos de alta qualidade (high grade).
Os riscos também foram abordados. Para os fundos de papel, o principal perigo é a inadimplência, especialmente nos ativos de maior risco (high yield). Já nos fundos de tijolo, a alavancagem financeira exige atenção. Natali foi enfático ao afirmar que prefere um fundo high grade a preço justo do que um high yield com grande desconto, pois prioriza a tranquilidade. “Fundo imobiliário não é para me tirar o sono”, disse.
O especialista também comentou sobre a consolidação da indústria de FIIs, com fusões e aquisições se tornando mais comuns. Ele vê o movimento como um sinal de amadurecimento e uma evolução natural, que pode tornar os fundos brasileiros maiores e mais atrativos para o investidor estrangeiro, destravando valor no longo prazo.
Ao final, Natali deixou uma mensagem para o investidor que se sente paralisado por ter “perdido o bonde” da alta de 2025: não espere tirar o atraso de um dia para o outro. “Aplique sempre, faça aportes mensais, faça diversificação da sua carteira e esteja bem acompanhado. O caminho é bom”, concluiu.
*Matéria publicada originalmente em ClubeFII, parceiro de B3 Bora Investir