Conheça o Índice Tesouro Selic Low Turnover B3, novo indicador lançado pela B3
Novo indicador acompanha desempenho médio de títulos públicos pós-fixados atrelados à Selic
A B3 lançou nesta quinta-feira (26) o Índice Tesouro Selic Low Turnover B3 (ISELIC Low T B3), índice que acompanha o desempenho médio das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que são os títulos públicos pós-fixados atrelados à taxa básica de juros da economia brasileira.
O indicador foi desenvolvido para atuar como referência a investidores e gestores que utilizam LFTs em estratégias de renda fixa, oferecendo uma medida padronizada de desempenho para esse segmento do mercado.
As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), conhecidas pelos investidores como Tesouro Selic, são títulos públicos pós-fixados que acompanham a taxa básica de juros da economia. Por terem baixo risco, alta liquidez e rentabilidade ajustada à Selic, esses papéis são amplamente utilizados tanto por investidores que buscam segurança quanto por instituições financeiras para gestão de caixa. Além de oferecerem uma alternativa estável de investimento, as LFTs cumprem um papel importante para a economia ao ajudar no financiamento da dívida pública e na transmissão da política monetária, contribuindo para o funcionamento e o equilíbrio do sistema financeiro brasileiro.
“Com o Índice Tesouro Selic Low Turnover B3, ampliamos o conjunto de referências para o mercado de renda fixa com a utilização de um indicador focado em LFTs com critérios claros de elegibilidade e baixa rotatividade da carteira. Isso contribui para que investidores, gestores e emissores tenham mais transparência na avaliação de desempenho de estratégias vinculadas à taxa básica de juros”, afirma Hênio Scheidt, gerente de Produtos na B3.
Como o índice funciona
O ISELIC Low T B3 é um índice de retorno total, que considera tanto a variação de preços dos títulos quanto os fluxos de caixa ao longo do tempo. A carteira teórica é formada exclusivamente por LFTs emitidas pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Na data de rebalanceamento, apenas LFTs que atendem a critérios mínimos de prazo e liquidez entram na carteira. São elegíveis os títulos emitidos com prazo igual ou superior a dois meses, com vencimento a partir de 12 meses e que apresentem volume médio diário de negociação acima de um patamar definido com base no histórico recente do mercado.
Os títulos que deixarem de cumprir esses critérios ou que apresentarem queda relevante de liquidez são excluídos da carteira em rebalanceamentos posteriores. “A combinação de critérios de prazo e liquidez foi pensada para que o índice represente uma carteira de LFTs mais estável e com boa negociabilidade no mercado secundário, isso reduz a necessidade de trocas frequentes de ativos e se encaixa no conceito de ‘low turnover’”, explica Scheidt.
Ponderação e rebalanceamento
No índice, os títulos são ponderados por valor de mercado a partir do estoque de cada LFT e o volume médio diário de negociação no mercado secundário. Cada um desses fatores tem peso de 50% na definição da participação de cada papel na carteira teórica.
Os rebalanceamentos são realizados trimestralmente, no quinto dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, quando os pesos são recalculados de acordo com as informações mais recentes de mercado.
“A forma de ponderação do índice busca equilibrar a relevância econômica de cada título, medida pelo seu estoque, com a sua liquidez efetiva. Dessa maneira, o ISELIC Low T B3 tende a refletir tanto o tamanho quanto a negociabilidade das diferentes emissões de LFTs”, detalha o gerente de Produtos na B3.
O Índice Tesouro Selic Low Turnover B3 (ISELIC Low T B3) segue os critérios estabelecidos no Manual de Definições e Procedimentos dos Índices de Renda Fixa da B3. O documento reúne as regras e procedimentos utilizados na construção e manutenção dos índices, garantindo transparência e padronização na forma como os indicadores são calculados.
ETFs de Tesouro Selic
O novo indicador da B3 pode seguir de referência para ETFs, fundos listados em bolsa que replicam um índice de referência. No caso dos atrelados ao Tesouro Selic, o desempenho do fundo acompanha de perto o CDI. Assim, esses ativos funcionam como uma opção para quem busca segurança, liquidez e baixo risco no curto prazo.
Quando investir em ETFs que seguem a Selic
Segundo Professor Mira, educador financeiro e colunista do Bora Investir, esse tipo de ETF pode fazer sentido para quem quer montar uma reserva de emergência, mas prefere não aplicar em CDBs com vencimento. Afinal, quando um título vence, há o pagamento de imposto de renda, além do trabalho de reinvestir o dinheiro.
“O ETF não tem vencimento. Então você deixa o dinheiro lá pelo tempo que quiser – décadas, se quiser. Para quem deseja ter esse tipo de exposição, esse ETF faz bastante sentido”, afirma o educador.
Outra utilidade, diz ele, é para quem faz ou quer fazer operações com derivativos. “Eu opero derivativos, como opções de ações, e esse tipo de ETF funciona como garantia para as operações. Nem todas as corretoras aceitam CDBs de liquidez diária como garantia, mas o ETF não tem esse problema”, explica.
Como funciona a tributação dos ETFs de renda fixa?
Apesar da simplicidade operacional, o investidor precisa ficar atento à tributação do Imposto de Renda. No caso de ETFs de renda fixa, a alíquota de imposto de renda depende do prazo da carteira do fundo, seguindo a tabela:
| PRAZO DA ETF | ALÍQUOTA |
| Igual ou inferior a 180 dias | 25% |
| Entre 181 e 720 dias | 20% |
| Superior a 720 dias | 15% |