Índices

Os setores que lideraram os ganhos no 1º trimestre e o radar para os próximos meses

Com Ibovespa no topo do ranking global, levantamentos mostram que investidor privilegiou liquidez, qualidade e proteção

O primeiro trimestre de 2026 começou bem para os índices da B3, com destaque para o Ibovespa que avançou 16,35% no período, a maior alta trimestral desde o final de 2020. Convertido em dólares, o índice de referência da B3 avançou 22,65%. Isso o colocou como o índice de melhor performance entre os principais mercados internacionais, um resultado expressivo, especialmente em meio a um cenário global marcado por incertezas geopolíticas e macroeconômicas. 

Um levantamento da Elos Ayta Consultoria aponta que a alta ocorreu em diversos segmentos, com cinco dos 35 índices da B3 superando o Ibovespa. A exceção foi o índice de BDRs (BDRX), com recuo de 11,34%, o que reflete a valorização do real e as condições do exterior, avalia Einar Rivero, CEO da consultoria e especialista em dados financeiros. O movimento sinaliza uma rotação relevante de capital, com preferência clara pelo mercado doméstico.

Para o Itaú BBA, a combinação de choques geopolíticos, juros altos e mudanças do fluxo de capital molda um cenário desafiador, mas cheio de nuances para quem investe em Bolsa. No Ibovespa, enquanto a maioria das ações recuou, o desempenho das petroleiras ajudou a segurar a queda do índice. Na visão dos analistas do banco, isso reforça o papel do setor de petróleo como elemento de proteção em ambientes de incerteza e, ao mesmo tempo, eleva o risco de correção caso o conflito se resolva rapidamente.

Empresas de maior peso e dividendos

A concentração dos ganhos entre os índices da B3 ocorreu em papéis de maior liquidez e participação de mercado. O IBEE, que mede o desempenho médio das estatais, registrou avanço de 21,33%. Os índices IBrX 50 e MidLarge Cap registraram, na sequência, altas de 17,68% e 17,67%. Os indicadores refletem, respectivamente, a valorização média das 50 ações mais líquidas e negociadas da Bolsa e o desempenho médio das ações de maior valor de mercado.

Rendimentos dos índices setoriais da B3 no primeiro trimestre
ÍndiceCódigoRetorno %
Índice Bovespa B3 Estatais (Ibov B3 Estatais)IBEE21,33
Índice Brasil 50 (IBrX 50 B3)IBXL17,68
Índice MidLarge Cap (MLCX B3)MLCX17,67
Índice Brasil 100 (IBrX 100 B3)IBXX16,55
Índice de Governança Corporativa Trade (IGCT B3)IGCT16,47
Ibovespa B3IBOV16,35
Índice de Ações com Tag Along Diferenciado (ITAG B3)ITAG16,29
Índice Brasil Amplo (IBrA B3)IBRA16,16
Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC B3)IGCX15,86
Índice Dividendos (IDIV B3)IDIV15,13
Índice Utilidade Pública (UTIL B3)UTIL14,96
Índice Bovespa Smart Low Volatility B3 (Ibov Smart Low Vol B3)IBLV12,84
Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3)ICO212,16
Índice Financeiro (IFNC B3)IFNC11,66
Índice Bovespa B3 Empresas Privadas (Ibov B3 Empresas Privadas)IBEP11,62
Índice de Governança Corporativa – Novo Mercado (IGC-NM B3)IGNM11,59
Índice Valor (IVBX 2 B3)IVBX11,52
Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3)ISEE11,26
Índice de diversidade B3 (IDIVERSA B3)IDVR11,1
Índice Imobiliário (IMOB B3)IMOB9,95
Índice GPTW B3 (IGPTW B3)GPTW9
Índice Bovespa Smart Dividendos B3 (Ibov Smart Dividendos B3)IBSD8,84
Índice Bovespa B3 Equal Weight (Ibov B3 Equal Weight)IBEW8,01
Índice Bovespa B3 BR+ (Ibovespa B3 BR+)IBBR7,95
Índice de Energia Elétrica (IEE B3)IEEX7,83
Índice Small Cap (SMLL B3)SMLL5,75
Índice Agronegócio B3 (IAGRO B3)AGFS5,24
Índice de Consumo (ICON B3)ICON4,62
Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX B3)IFIX2,52
Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários de Alta Liquidez (IFIX L B3)IFIL2,28
Índice de Materiais Básicos (IMAT B3)IMAT2,18
Índice Bovespa Smart High Beta B3 (Ibov Smart High Beta B3)IBHB1,65
Índice do Setor Industrial (INDX B3)INDX1,3
Índice de BDRs Não Patrocinados-GLOBAL (BDRX B3)BDRX-11,34
Fonte: Elos Ayta Consultoria

Para Rivero, os números sugerem liderança de fluxo de origem institucional. Os aportes de capital não focaram apenas em crescimento, mas buscaram, nas palavras do analista, “qualidade e previsibilidade de fluxo de caixa”.

O movimento reflete o desempenho percentual acima de 14% de índices de governança (IGCX), utilidade pública (UTIL) e dividendos. O Índice de Dividendos (IDIV) avançou 15,13%, o trimestre de maior ganho desde o início de 2022. Os dados indicam atratividade das estratégias de renda em um contexto com o custo do dinheiro em elevação.

Juros e cenário doméstico afetam setores locais

Os setores com ligação direta à economia interna registraram ganhos em menores proporções. Os índices de small caps (SMLL), consumo (ICON) e imobiliário (IMOB) apresentaram avanços percentuais inferiores à média do mercado de ações. A explicação está na trajetória da taxa Selic.

Um relatório do Itaú BBA aponta que a revisão de expectativas para a taxa básica de juros afeta o mercado de forma desigual. A alteração penaliza as small caps e setores mais sensíveis ao custo de capital, como construção civil e varejo. A precificação de riscos no horizonte da economia nacional continua no cálculo dos agentes financeiros.

Projeções dos setores

Para os próximos meses, o cenário demanda diversificação de ativos. A guerra no Oriente Médio gerou volatilidade e pressão em cotações de petróleo, aponta o Itaú BBA, elevando o desempenho do Ibovespa, puxado pelas petroleiras. Ainda que o conflito se resolva mais cedo do que o esperado, o analista de estratégia do Itaú BBA Mathias Venosa afirma que vale a pena manter a exposição, porque o restante do portfólio deverá compensar a correção. 

“Avaliamos que adicionar ações ligadas ao petróleo é uma maneira inteligente de reduzir a volatilidade das carteiras com custo baixo, uma vez que a própria descorrelação dos ativos dentro dos portfólios contribuiria para esse objetivo”, avalia Venosa, em relatório.

O Itaú BBA adicionou empresas produtoras de petróleo ou de derivados nas carteiras de ações, como Top 5, Dividendos e Small Caps, incluindo a São Martinho que, por produzir etanol, substituto à gasolina, tende a “surfar um bom momento” como alternativa aos combustíveis fósseis.

Para os próximos meses, o Ibovespa deve seguir respondendo ao desdobramento da guerra no Oriente Médio e o impacto na oferta global de commodities energéticas. Ele destaca os riscos à frente, como a maior inflação e a desaceleração da atividade global. Internamente, o período de eleição e as discussões sobre política fiscal devem trazer maior volatilidade. 

O Brasil deve manter a atração de fluxo estrangeiro de capital, apesar do movimento ter enfraquecido em outros países emergentes. A entrada de recursos em bolsa conta com o impacto da posição do país em exportação de commodities e avaliações de preço (valuations) das empresas em múltiplos de negociação atrativos.

“O Brasil, por ser exportador líquido de petróleo e por ter uma matriz energética pouco dependente da commodity em termos relativos, parece ser uma das geografias menos prejudicadas por essa conjuntura conturbada. Por conta disso, ainda vemos um fluxo favorável, embora os valuations não estejam comprimidos como estavam há cerca de um ano”, afirma.

Os dados do primeiro trimestre de 2026 indicam relevância na seleção de ativos para os ciclos seguintes. A estratégia projetada por especialistas envolve balanceamento de ações de commodities e companhias pagadoras de dividendos, com monitoramento de preços em setores de consumo doméstico.

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