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B3 Educação: Fed, petróleo e Copom. Por que o que acontece lá fora mexe com o seu bolso aqui
O Fed decide os juros dos EUA no dia 29 de julho, o petróleo dispara com a tensão no Oriente Médio e o Copom se reúne na semana seguinte
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Por Marina Naime
Nesta quarta-feira (29), o Federal Reserve — o banco central dos Estados Unidos — anuncia a decisão sobre a taxa de juros americana. Na semana seguinte, nos dias 4 e 5 de agosto, é a vez do Copom definir a Selic por aqui. No meio do caminho, um terceiro personagem entrou em cena e bagunçou o mundo todo: o preço do petróleo, que voltou a subir com força.
À primeira vista, essas informações podem parecer distantes do seu dia a dia. Mas essas três coisas — juros americanos, barril de petróleo e Selic — estão mais que conectadas ao seu cotidiano. Fica aqui que a gente te explica como isso tudo está conectado.
O “preço mais importante do mundo”
Não é exagero: a taxa de juros dos Estados Unidos é frequentemente chamada de o preço mais importante do mundo. E a razão é simples. Os EUA têm a maior economia do planeta, e o dólar é a moeda usada como referência no comércio e nas reservas internacionais. Quando o Fed mexe nos juros, ele mexe, na prática, no custo do dinheiro no mundo inteiro.
Funciona mais ou menos assim: quando os juros americanos sobem, os títulos do governo dos EUA — considerados os investimentos mais seguros do mundo — passam a pagar mais. Para um investidor global, fica difícil recusar. Resultado: o dinheiro sai de mercados emergentes, como o Brasil, e volta para a terra do Tio Sam. O dólar se valoriza, o real perde força, e os ativos por aqui sentem o impacto.
Quando os juros americanos caem, acontece contrário. O dinheiro procura retornos melhores em outros lugares, os mercados emergentes ficam mais atraentes, entra capital estrangeiro no Brasil e o real tende a ganhar terreno frente ao dólar.
Por isso, mesmo quem só investe no Brasil e nunca comprou um dólar na vida sente, direta ou indiretamente, o que é decidido em Washington.
O detalhe que torna a decisão desta semana especial é o clima dividido dentro do próprio Fed. Os juros americanos estão parados na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, mas em junho o comitê surpreendeu ao sinalizar que a próxima mudança pode ser uma alta, e não um corte, algo que ninguém esperava no começo do ano. O motivo? A inflação americana voltou a incomodar. E aqui entra o segundo personagem da nossa história.
A gente não come petróleo, mas depende dele para quase tudo
Ninguém coloca petróleo no prato. Ainda assim, é difícil pensar em algo no mundo moderno que não dependa dele. O barril está por trás do combustível que move caminhões, navios e aviões; do plástico das embalagens; dos fertilizantes que ajudam a produzir alimentos; da energia que abastece indústrias. Quando o petróleo sobe, esse aumento é refletido em toda a cadeia de distribuição de produtos, chegando na gôndola do supermercado, no posto e na farmácia.
E o petróleo subiu bastante nas últimas semanas. Em meados de julho, o barril do tipo Brent (referência internacional) rondava os US$ 88 — uma alta de cerca de 25% em doze meses. O estopim foi geopolítico: a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e os temores em torno do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás negociados no mundo. Basta a ameaça de que essa passagem seja fechada para os preços dispararem.
Aqui está a conexão que fecha o raciocínio: petróleo mais caro significa inflação. E inflação alta é justamente o que faz um banco central pensar duas vezes antes de cortar juros — ou até considerar subir. Não à toa, a alta recente do barril fez crescer, no mercado, a percepção de que o Fed pode elevar os juros já nesta reunião.
E o Brasil no meio disso tudo?
Chegamos ao Copom, que decide a Selic nos dias 4 e 5 de agosto. Em junho, o Comitê cortou a taxa básica de 14,50% para 14,25% ao ano, dando continuidade ao ciclo de queda dos juros.
Parte do mercado ainda projeta novos cortes ao longo do ano, mas parte ainda prevê que o Banco Central pode fazer uma pausa na próxima reunião. E os dois personagens desta reportagem têm tudo a ver com essa mudança de humor.
Primeiro, os juros americanos. Se o Fed mantém os juros altos o Banco Central brasileiro perde espaço para acelerar os cortes por aqui. Reduzir a Selic num momento em que os EUA seguram os juros pode espantar capital estrangeiro e encarecer o dólar, aumentando a inflação brasileira.
Segundo, o petróleo. No próprio comunicado de junho, o Copom listou explicitamente os choques ligados ao petróleo e seus derivados entre os principais riscos de alta para a inflação. O preço do barril não é uma preocupação abstrata e já está no radar de quem decide os juros brasileiro.
Traduzindo: a expectativa de queda da Selic é real, mas não está cravada. Um dólar mais forte por conta dos juros americanos e um petróleo pressionado pela geopolítica podem, juntos, deixar o Banco Central mais cauteloso e adiar ou reduzir o ritmo dos cortes.
O que levar dessa história
Juros nos Estados Unidos, barril de petróleo e Selic parecem assuntos de uma realidade distante. Não são. Eles “conversam” o tempo todo e influenciam o rendimento dos seus investimentos, o custo do seu financiamento e o preço do que você coloca no carrinho do supermercado.
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