Educação Financeira

Casemiro, Ancelotti e seus investimentos: por que confiar na estratégia mesmo quando todo mundo critica

O que diferencia o investidor consistente do investidor ansioso não é a ausência de sustos, mas a capacidade de manter o plano quando o jogo aperta


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Por Marina Naime

Quem assistiu Brasil e Japão nessa segunda-feira (29) viveu uma montanha-russa emocional digna de circuit breaker na Bolsa. O Japão abriu o placar ao interceptar um passe errado do Danilo e terminamos o primeiro tempo com um pé fora da Copa. 

No segundo tempo, Casemiro apareceu de cabeça para empatar, depois de um cruzamento de Gabriel Magalhães. E, já nos acréscimos, quando o mundo todo estava achando que o jogo iria para prorrogação, Gabriel Martinelli decretou a virada e garantiu a vaga do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. 

Resultado: festa nos bares, nas ruas, nas redes sociais – e uma lição que cabe direitinho no nosso bolso.

“Tira o Casemiro!”: o coro que virou silêncio

Antes da bola rolar, a escalação de Carlo Ancelotti virou alvo de críticas. Casemiro como titular? Muita gente não gostou. O argumento era o usual: jogador “passado”, ritmo abaixo, fora de forma, não corre o que corria. Comentaristas, torcedores, perfis de aposta esportiva — quase todo mundo tinha um palpite melhor que o do técnico mais vitorioso da história das ligas europeias.

Aí o jogo começou. O Japão abriu o placar. O coro aumentou. “Eu falei!”, “Tinha que ter tirado!”, “Estratégia errada!”.

Só que Ancelotti não escalou Casemiro no chute. Ele tinha dados, leitura tática, contexto do adversário e um plano para o jogo. E quem decidiu o lance do empate, abrindo o caminho para a virada, foi exatamente quem todo mundo queria tirar.

O paralelo com seus investimentos

Agora pensa na sua carteira.

Quantas vezes você montou uma estratégia com base em informações confiáveis — leu sobre o ativo, liquidez, entendeu o cenário macro, riscos — e, no primeiro solavanco do mercado, começou a duvidar de tudo?

A bolsa caiu 3% num dia? “Tinha que ter vendido.” A Selic caiu e seu CDB rendeu menos no mês? “Investimento ruim.” A poupança ganhou do seu fundo num mês específico? “Era melhor ter deixado na poupança.”

Esse é o coro do “tira o Casemiro” aplicado à sua vida financeira. Barulho de curto prazo questionando uma decisão que foi tomada com horizonte de longo prazo.

O que separa estratégia de achismo

Ancelotti não escolheu Casemiro ao acaso. Ele avaliou seu histórico de títulos, função tática no time, a forma como o Japão joga e todo o cenário do jogo. 

Traduzindo para investimentos, uma boa estratégia também se apoia em pilares parecidos:

  1. Histórico e fundamentos do ativo – ações de uma empresa, títulos de renda fixa, um setor com perspectiva de crescimento
  2. Função na carteira – esse ativo está ali para proteger, equilibrar ou buscar retorno?
  3. Cenário macro – juros, inflação, câmbio, ciclo econômico
  4. Seu momento de vida – objetivo, prazo, tolerância ao risco

Quando esses quatro elementos forem colocados na ponta do lápis antes de você investir, o ruído do dia a dia perde força. Você não precisa rever a estratégia toda vez que a tela fica vermelha. Precisa rever quando algum desses quatro pilares mudar de verdade. 

Achismo é um passe errado

Repare uma coisa interessante no jogo: o gol do Japão não nasceu de um lance fora do roteiro, mas de um passe errado, uma decisão tomada no impulso, sem o devido cuidado.

No mercado, o passe errado tem nomes conhecidos: comprar na alta porque “todo mundo está comprando”, vender no susto porque o noticiário do dia foi ruim, mudar a alocação inteira por causa de um vídeo no Instagram. É o fator emocional se disfarçando de análise e sabotando a estratégia.

A boa notícia? Estratégia bem montada também tem capacidade de virar o jogo, como o Brasil fez nos acréscimos. Mas isso só acontece quando você resiste à tentação de abandonar o plano no meio da partida.

Três lições do gramado para a sua carteira

  • Confie no estudo, não no humor da arquibancada. Se a sua estratégia foi montada com base em planejamento, análises, dados e objetivos claros, ela merece mais paciência do que o seu feed das redes sociais sugere.
  • Diversificação é como escalação: cada um tem uma função. Renda fixa segura a defesa, ações fazem o ataque, fundos imobiliários ocupam o meio-campo. Tirar um pilar inteiro no susto desorganiza o time.
  • Revise o plano por motivo, não por emoção. Mudou seu objetivo? Mudou o cenário macro de forma estrutural? Aí sim, hora de ajustar. Caiu 5% num dia? Respira e continua.

Bora investir com estratégia

Como disse Ancelotti, sofrimento é normal. No campo e nos investimentos, ele tem razão. O que diferencia o investidor consistente do investidor ansioso não é a ausência de sustos — é a capacidade de manter o plano quando o jogo aperta. 

Se você quer dar o primeiro passo para construir uma estratégia de verdade — daquelas que aguentam o sofrimento de um segundo tempo difícil —, o nosso novo curso gratuito Bola no Pé, Dinheiro na Mão foi feito para isso. Em poucas aulas, você aprende a escalar a sua carteira como um técnico escala um time: defesa sólida, meio-campo equilibrado e ataque com maiores potenciais de ganho.

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