Renda fixa
Professor Mira: como ficam seus investimentos após a liquidação do Banco Master
É natural que quem tinha recursos no Master se sinta inseguro e confuso. Mas manter a cabeça fria e o foco na informação de qualidade é essencial
Professor Mira
Investidor profissional, Analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira. Empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor best-seller e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos pelo mundo. Está nas redes sociais como @professormira
O noticiário econômico dos últimos dias foi tomado por uma notícia que, compreensivelmente, causou uma onda de preocupação nos investidores: a liquidação extrajudicial do Banco Master decretada pelo Banco Central do Brasil (BC).
É natural que quem tinha recursos nessa instituição se sinta inseguro e confuso. Mas, como sempre digo, no mundo dos investimentos, manter a cabeça fria e o foco na informação de qualidade é essencial.
Nosso sistema financeiro tem mecanismos de proteção, e o mais importante a fazer nesse momento, caso você tenha investimentos no Banco Master, é entender como esses mecanismos funcionam e como acioná-los.
Por que o Banco Master foi liquidado
A decisão do Banco Central de liquidar extrajudicialmente o Master veio após a identificação de uma grave crise de liquidez e, mais seriamente, de irregularidades que indicam gestão temerária e, possivelmente, fraudulenta.
As investigações, que culminaram inclusive na prisão do controlador da instituição, apontam para um esquema complexo que envolveria, por exemplo, a emissão e venda de títulos de crédito falsos, com fraudes que podem ultrapassar a marca de R$ 12 bilhões.
A liquidação extrajudicial é uma medida extrema e acontece quando o BC conclui que a situação da instituição é irrecuperável. É, na prática, uma interrupção de todas as operações do banco, com o objetivo de retirar a instituição de forma organizada do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Neste contexto, o BC nomeia um liquidante para apurar os ativos e passivos, e é esse profissional que encaminhará a lista de credores ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Sua Proteção: O FGC em ação
O FGC funciona como uma espécie de “seguro” para depósitos e aplicações elegíveis, como poupança, conta corrente, CDBs, LCI, LCA, que os investidores possuem em instituições que funcionam sob o SFN, como é o caso do Banco Master.
A garantia atual do FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, portanto, se suas aplicações no Master estão dentro dessas premissas, não há com o que se preocupar, pois você receberá seu dinheiro de volta.
O que é essencial entender:
- Valores até R$ 250 mil estão integralmente protegidos e garantidos pelo Fundo.
- Valores acima de R$ 250 mil, portanto, acima da cobertura do FGC, entram na massa de liquidação, e sua recuperação dependerá da venda dos ativos do Banco Master, um processo que costuma ser longo, podendo levar anos, e sem garantia de ressarcimento integral.
Como reaver os recursos aplicados no Master
O ressarcimento pelo FGC não é automático, mas o procedimento está bem delineado, é simples e costuma durar algumas semanas após o decreto de liquidação.
Siga este passo a passo (Pessoa Física):
- Baixe o aplicativo do FGC: O Fundo possui um aplicativo (disponível para Android e iOS) dedicado ao ressarcimento.
- Cadastre-se no app, fornecendo seus dados pessoais e documentos.
- Aguarde a lista de credores: O liquidante nomeado pelo BC tem a responsabilidade de consolidar a base de credores e enviá-la ao FGC. Na média das últimas liquidações, isso levou uns 30 dias.
- Solicite o pagamento: Assim que o FGC receber e validar a lista, ele habilitará a opção de solicitação no aplicativo. Você deve escolher a conta bancária de mesma titularidade para o recebimento.
- Assinatura digital e recebimento: Após a solicitação e confirmação do valor, você precisará assinar digitalmente um termo. Estando tudo certo, o FGC costuma efetuar a transferência em até 48 horas.
Para Pessoas Jurídicas, o processo ocorre via Portal do Investidor do FGC, com etapas de preenchimento, análise documental e pagamento em conta de mesma titularidade (mesmo CNPJ).
A estabilidade do sistema financeiro não está ameaçada
Muitos se perguntam se a liquidação de um banco do porte do Master pode gerar um “efeito dominó” ou um risco sistêmico. A resposta é não, e essa é uma das mensagens mais importantes deste artigo.
A ação rápida e robusta do Banco Central, ao decretar a liquidação e afastar os administradores, demonstra justamente a eficácia dos mecanismos de regulação e proteção que temos no Brasil.
A liquidação é uma medida que busca preservar a estabilidade do sistema financeiro, permitindo que eventos isolados como este não contaminem o mercado como um todo. Técnicos do Tesouro Nacional, por exemplo, já sinalizaram que o episódio não deve gerar prejuízo à União, nem impacto na gestão da dívida pública.
O FGC, financiado pelas próprias instituições financeiras, é o amortecedor para o investidor, mas a atuação firme do BC é o que garante a solidez do SFN. O sistema é robusto o suficiente para absorver o Master sem abalos estruturais.
A lição que fica: risco, retorno e diversificação
Sei que acabo me repetindo muito quanto a isso, mas sou professor, então repetir para que as pessoas gravem uma informação, faz parte do meu ofício. Considero fundamental que para além das informações objetivas que temos sobre este evento, ele sirva também para reforçar uma lição valiosa que nunca pode ser esquecida: não existe almoço grátis no mercado financeiro.
A relação entre risco e retorno é um conceito central para toda decisão de investimento. Produtos financeiros tidos como mais arriscados precisam oferecer um potencial de ganho significativamente maior para compensar o investidor pela incerteza e pela maior chance de prejuízo.
Sempre que um investimento promete retornos muito acima da média sem um risco aparente, o investidor deve ter cautela, pois há um risco oculto que precisa ser identificado, seja ele de crédito, de mercado ou, em casos extremos, de fraude.
A recomendação é antiga, mas sempre atual:
- Diversifique sempre: é prudente que seus recursos destinados a produtos cobertos pelo FGC estejam distribuídos por mais de um emissor, sempre respeitando as regras sobre garantias oferecidas pelo fundo.
- Atenção ao risco: desconfie de taxas muito agressivas. Se a rentabilidade é muito maior que a dos grandes bancos ou da média do mercado, é porque o risco do emissor é maior, portanto, informe-se muito bem sobre quais os riscos envolvidos para decidir se estão de acordo com seu perfil.
O que fazer enquanto aguarda reembolso do Master
Quanto ao Master, não há motivo para você entrar em pânico, pois seus recursos elegíveis a reembolso estão em processo de recuperação. Siga os procedimentos formais do FGC e tenha confiança nas garantias do sistema. Além disso, mantenha-se atualizado sobre este assunto em fontes confiáveis como o Bora Investir, onde as informações divulgadas são sempre checadas com o máximo rigor e em conformidade com as regras do Sistema Financeiro.
Se orientando por esses parâmetros, agora é aguardar seu ressarcimento e aproveitar para já ir planejando o reinvestimento dos recursos para iniciar 2026 com as finanças em ordem. Conte sempre comigo e com a Comunidade Mira em sua jornada.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3
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