Renda fixa

Como e por que diversificar investimentos com a renda fixa?

Nenhum mercado está isento de volatilidade e, para assegurar o patrimônio, também é preciso diversificar na renda fixa

Fotografia de cesta de palha tombada com ovos e notas de dólares dentro
Mais do que variar entre os tipos de investimentos, é preciso diversificar na renda fixa. Foto: reprodução

Por Guilherme Naldis

Para escapar da volatilidade, um investidor precavido sabe que é preciso diversificar — tanto no tipo de ativo quanto nas suas classes. Mas, mesmo dentro de um mesmo gênero de investimentos, as flutuações da economia podem fazer o patrimônio diminuir. 

Por isso, não basta ter uma carteira equilibrada entre renda fixa e variável: é preciso diversificar entre os próprios grupos de investimentos. Dentro da renda variável, é possível reduzir as incertezas através dos vários setores que abrigam empresas de todos os tipos e em vários países do mundo.

Mas, mesmo nos investimentos mais precavidos, é preciso se defender da volatilidade (que sempre existirá) e não deixar todos os ovos na mesma cesta. Ou seja: é preciso diversificar na renda fixa. O Bora Investir ouviu especialistas no tema para te ensinar como equilibrar seu portfólio, por mais conservador que ele seja. Bora diversificar! 

Mas a renda fixa não é isenta de volatilidade?

Apesar da alta previsibilidade que dá nome aos investimentos de renda fixa, existem opções com rendimentos mais voláteis que podem atrair os investidores mais arrojados. Alguns deles são os títulos públicos de longo prazo com taxas prefixadas e investimentos em crédito privado, como CRIs, CRAs e debêntures

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Existem títulos de renda fixa que podem trazer riscos superiores, inclusive, aos investimentos em renda variável, aponta Pedro Despessel, analista de renda fixa do Simpla Club. Por isso, a análise do emissor e das condições de mercado no momento do investimento é algo fundamental para o investidor de todos os mercados. 

Quais investimentos de renda fixa são mais voláteis?

Segundo o analista, os papéis com vencimento mais longo tendem a ser mais sensíveis às mudanças na Selic, a taxa básica de juros do Brasil, que pode acontecer nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O colegiado se reúne a cada 45 dias. 

“Como em uma venda antecipada, a taxa definida no passado pode estar diferente das taxas praticadas atualmente no mercado, então uma correção é feita na rentabilidade oferecida pelo título para que nova a venda seja fechada em uma taxa mais competitiva”, explica Despessel.

E, se os prazos mais longos tendem a ter preços mais instáveis, as taxas prefixadas também, visto que os ajustes no juro terminal afetam as rentabilidades de todo o mercado. E, aí, o título prefixado fica mais distante da média oferecida em novas emissões de renda fixa.

O que pode gerar essa volatilidade?

Normalmente, a renda fixa acompanha os juros básicos do País ou a inflação. Por isso, o principal aspecto que afeta a volatilidade de preços destes ativos são as mudanças na Selic. Isso porque a taxa de juros futura representa a expectativa do mercado para o juro em um determinado momento no futuro. Isso baseado em diversos aspectos da economia e seus tomadores de decisão, como investidores, especuladores e empresários. 

Suponha que a expectativa é de queda no juro terminal no longo e no médio prazo. Neste caso, os investidores que possuírem títulos públicos prefixados a taxas mais altas sairão ganhando se optarem por vender seus títulos antecipadamente — e receberão uma rentabilidade acima da contratada, que foi quando fizeram o investimento.

Da mesma forma, se o investidor de um título prefixado presenciar um forte aumento na taxa de juros futura, a precificação do seu ativo tende a cair. A venda antecipada do seu investimento faria a rentabilidade recebida ser inferior à contratada. Lembre-se: nos títulos públicos, o rendimento sempre será igual ao contratado se o investidor mantiver o ativo até o vencimento.

Onde investir para diversificar na renda fixa?

De acordo com Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica, há muitas oportunidades na renda fixa com potencial de monetizar as diferentes assimetrias no cenário atual. O crédito privado, por exemplo, tem se beneficiado do patamar ainda estressado dos spreads.

“Mas ressalto a importância da disciplina do investidor na hora de escolher este produto. Os maiores retornos devem vir de produtos com maiores carências”, afirma.

A economista também reforça que retorno do passado não é garantia de rendimento futuro, Afinal, as flutuações no curto prazo são normais: “estamos num ciclo de corte de juros. A história nos ensina que fundos indexados a IMA-B têm ganho de performance em relação aos fundos referenciados no CDI”.

O que é a curva de juros e como ela afeta meus investimentos?

O índice IMA-B, elaborado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), é como o Ibovespa da renda fixa. Ele parametriza o desempenho dos títulos do Tesouro IPCA+ e das NTN-Bs. Indiretamente, seu desempenho é atrelado à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indexador desses títulos do Tesouro.

Victal também aborda o cenário dos títulos da dívida dos EUA, conhecidos como treasuries. Segundo ela, o cenário americano ainda é de incerteza, ainda que haja espaço para uma certa “correção de exageros”, visto que os patamares de preços atuais estão atrativos. 

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