ETFs

XP Asset: ETFs negociam mesmo como ações? 

Os ETFs são estruturas abertas, que podem ter emissões e resgates de cotas todos os dias


XP Asset Management

A XP Asset faz parte da XP Inc., um dos maiores grupos financeiros do Brasil. A gestora oferece um portfólio abrangente, voltado tanto para investidores institucionais quanto para pessoas físicas que buscam independência, transparência e consistência de longo prazo. A XP Asset consegue entregar uma ampla gama de soluções de investimento de alta qualidade, o que tem impulsionado fortemente o crescimento de seus ativos sob gestão (AUM). A oferta diversificada da gestora inclui estratégias em Renda Variável, Renda Fixa, Multimercados, Crédito Estruturado, Indexados, Situações Especiais, Imobiliário, Agronegócio, Infraestrutura, Private Equity e Venture Capital.


Os ETFs, Exchange trade funds, como o próprio nome diz, são instrumentos tipicamente de Bolsa. Não à toa, a forma mais simples de explicar seu mecanismo de negociação é compará-los com o mercado acionário, mas essa comparação não é totalmente correta. 

Apesar de negociarem no mesmo ambiente, esses instrumentos possuem importantes diferenças em relação as ações e outros ativos como FIIs, FI-INFRAs e FI-Agros, que também negociam na B3. A principal dessas diferenças é a existência do que chamamos de mercado primário. 

O que é o mercado primário dos ETFs? 

Enquanto a maioria dos instrumentos de bolsa possuem uma quantidade delimitada, que só se altera quando há ofertas públicas ou recompras com cancelamento das ações pelas empresas, os ETFs são estruturas abertas, que podem ter emissões e resgates de cotas todos os dias. Esse processo ocorre através de corretoras especialmente credenciadas junto aos administrados dos ETFs, conhecidas como agentes autorizados. 

Por envolver volumes altos e alguma complexidade operacional, na prática esse mecanismo é usado principalmente por formadores de mercado e arbitradores, mas é aberto para o público em geral. Existem duas modalidades: o in-kind (entrega ou recebimento dos próprios ativos da carteira em troca de cotas) e o cash (entrega ou recebimento de dinheiro em troca de cotas). Cada ETF opera com apenas uma delas. 

Em ambos os casos, os gestores disponibilizam diariamente para a B3 e no site do ETF a cesta correspondente a uma quantidade fixa de cotas. Essa relação de troca permite ao formador de mercado arbitrar a cotação do ETF em relação ao seu valor patrimonial ao longo do dia. Funciona assim: se o ETF está sendo negociado acima do valor real dos ativos que carrega, o formador compra esses ativos, os entrega ao fundo e recebe cotas, lucrando a diferença e puxando o preço de volta para o valor justo. 

É por isso que um ETF consegue operar volumes muito superiores à sua média de negociação diária ou mesmo ao seu próprio patrimônio, sem necessariamente afetar seu preço. O que importa na formação do preço é a liquidez dos ativos que compõem a cesta, não o volume de negociação da própria cota. 

Por que isso importa para o investidor comum? 

Apesar dos investidores de varejo não se utilizarem desse mecanismo, eles estão entre os grandes beneficiários dele! A arbitragem faz com que o preço de negociação do ETF fique constantemente próximo ao seu valor patrimonial. O investidor não precisa monitorar em tempo real as cotações de todos os ativos e estimar o valor das cotas; ele se beneficia da arbitragem feita pelos formadores de mercado e grandes players em geral. 

Um exemplo disso pode ser visto no histórico de descolamento entre o valor patrimonial de um ETF e sua cotação. Enquanto muitos Fundos imobiliários apresentam históricos de descolamento por vezes superiores a 5% ou mesmo 10% nos últimos anos, o BOVX11 apresentou em sua existência de pouco mais de 5 anos quase nenhum dia com descolamento superior a 0.2%! 

Apesar do mercado primário ser uma das principais características dos ETFs, as diferenças na forma de negociação dos ETFs em relação as ações não se limitam a elas. 

Os ETFs de renda fixa em especial possuem outras características próprias, nem sempre conhecidas pelos investidores em geral. A primeira delas é o fato de liquidarem sempre em D+1, ao invés do D+2 padrão nas operações de renda variável, incluindo os ETFs de ações. 

Além disso, quando os horários de negociação das ações são alterados para que o fechamento seja as 18:00hrs, os ETFs de Renda Fixa mantem seu leilão de fechamento as 17:00, de forma a seguirem mais próximos dos horários de negociação dos títulos no balcão. 

Então, ETFs negociam como ações? Em partes. O ambiente é o mesmo, mas os mecanismos por trás são bem diferentes, e é por isso que eles conseguem ser tão eficientes para o investidor. 

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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