Glossário

Gestão Ativa - O que é, significado e definição

Entenda o que é gestão ativa e como essa prática pode maximizar investimentos com estratégias diferenciadas

A gestão ativa é uma abordagem de investimento na qual o gestor de fundos ou de carteiras busca superar o desempenho de um índice de referência (benchmark), tomando decisões estratégicas sobre quais ativos comprar, manter ou vender. Diferente da gestão passiva, que replica um índice de mercado, a gestão ativa exige análise constante de mercado, conhecimento profundo sobre empresas e setores e habilidade em interpretar cenários econômicos.

Embora mais complexa e custosa, essa abordagem permite ao investidor potencializar retornos, administrar riscos de forma dinâmica e explorar oportunidades não refletidas nos preços de mercado.

Histórico e contexto da gestão ativa

A gestão ativa firmou-se como prática central do mercado de capitais desde os primeiros tempos das bolsas organizadas. A seleção de ativos envolvia análise de informações financeiras, expectativas de crescimento e percepção de risco, o que consolidou o papel do gestor como figura essencial.

Na década de 1950, Harry Markowitz publicou a Teoria Moderna de Portfólio, que apresentou a fronteira eficiente de risco e retorno. Nos anos 1960, William Sharpe e John Lintner desenvolveram o Capital Asset Pricing Model (CAPM), que estabeleceu a relação entre risco sistemático e retorno esperado. Esses marcos ofereceram base teórica para o trabalho dos gestores e reforçaram a gestão ativa como atividade técnica.

Com o passar do tempo, a prática incorporou análises quantitativas mais sofisticadas e critérios qualitativos, como governança corporativa, competitividade setorial e influência de políticas econômicas. No Brasil, o avanço ganhou força nos anos 1990, quando a estabilidade econômica e a modernização regulatória favoreceram o crescimento de fundos de ações, multimercados e renda fixa sob estratégias ativas.

Atualmente, a gestão ativa combina fundamentos clássicos com ferramentas como modelos estatísticos e inteligência artificial. Mesmo com a evolução tecnológica, mantém como essência a busca por retornos superiores por meio de estudo aprofundado e decisões fundamentadas.

Como funciona a gestão ativa

O objetivo central da gestão ativa é gerar alfa, ou seja, retorno acima do benchmark. Para isso, os gestores utilizam diversas ferramentas e estratégias, como:

  1. Seleção de ativos (Stock Picking): análise individual para identificar oportunidades de valorização não refletidas no mercado. Inclui:
    • análise fundamentalista: avaliação de balanços, fluxo de caixa, endividamento e potencial de crescimento da empresa;
    • análise técnica: uso de gráficos e indicadores, como médias móveis e MACD, para identificar tendências e pontos de entrada e saída;
    • análise macroeconômica: estudo de cenários econômicos, taxas de juros, inflação e políticas monetárias que possam impactar setores ou empresas específicas.
  2. Alocação de capital: definição do peso de cada investimento na carteira, equilibrando risco e retorno esperado. A alocação pode variar conforme:
    • mudanças no cenário econômico;
    • alterações nas perspectivas de crescimento de empresas ou setores;
    • evolução das correlações entre ativos, com o objetivo de reduzir riscos de concentração.
  3. Monitoramento contínuo: revisão frequente da carteira para ajustes diante de notícias, relatórios financeiros, decisões regulatórias e tendências de mercado. Esse acompanhamento permite proteger a carteira de quedas inesperadas e aproveitar novas oportunidades.

Tipos de estratégias de gestão ativa

A gestão ativa pode assumir diferentes formas, dependendo do objetivo e do perfil do investidor:

  • Top-Down – começa pela análise macroeconômica antes de escolher setores e empresas;
  • Bottom-Up – foca no estudo detalhado de empresas específicas, independentemente do cenário macro;
  • Event-Driven – baseia-se em acontecimentos corporativos, como fusões, aquisições ou reestruturações;
  • Quantitativa – utiliza modelos matemáticos e algoritmos para identificar padrões e oportunidades de investimento, inclusive operações de alta frequência.

Vantagens da gestão ativa

  • Potencial de retornos superiores: um gestor habilidoso pode identificar oportunidades que o mercado ainda não precificou.
  • Flexibilidade e adaptação: a carteira pode ser ajustada rapidamente diante de mudanças econômicas.
  • Diversificação estratégica: inclui ativos e setores fora dos índices passivos, ampliando o potencial de retorno ajustado ao risco.
  • Proteção em momentos de crise: gestores ativos podem reduzir posições arriscadas ou migrar para ativos defensivos em períodos de instabilidade.

Desafios da gestão ativa

  • Custos elevados: taxas de administração e performance podem reduzir os ganhos líquidos.
  • Dependência do gestor: o resultado depende da habilidade, experiência e julgamento da equipe.
  • Dificuldade em superar benchmarks: estudos mostram que apenas uma parcela dos fundos ativos consegue bater consistentemente os índices após custos.
  • Maior volatilidade: estratégias agressivas podem gerar oscilações acentuadas, exigindo maior tolerância ao risco.

Exemplos no mercado brasileiro

No Brasil, fundos de ações e multimercados administrados por bancos e gestoras independentes frequentemente adotam gestão ativa. São alguns exemplos:

  • fundos de ações que buscam superar o Ibovespa selecionando empresas com bom histórico de crescimento e governança sólida;
  • fundos de renda fixa que ajustam a alocação entre títulos públicos e privados conforme mudanças nas taxas de juros e na inflação;
  • fundos multimercados que utilizam derivativos para proteção (hedge) ou exposição estratégica a diferentes classes de ativos.

A gestão ativa pode ser adequada para investidores que buscam maximizar retornos ajustados ao risco e explorar oportunidades além dos índices de mercado. No entanto, exige conhecimento, disciplina e atenção constante. Compreender a estratégia, os custos e os riscos envolvidos é essencial para avaliar se ela se ajusta ao perfil e aos objetivos financeiros de cada investidor.

A chave para o sucesso está na capacidade de análise e na execução disciplinada, que permitem ao portfólio aproveitar oportunidades, reduzir perdas e buscar retornos consistentes no longo prazo.


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