Glossário
Lei complementar - O que é, significado e definição
Entenda o conceito de lei complementar, suas características e a diferença em relação à lei ordinária
A lei complementar representa uma categoria normativa prevista pela Constituição Federal do Brasil. Sua função consiste em regulamentar matérias que exigem detalhamento técnico ou jurídico, sempre em conformidade com dispositivos constitucionais. Essa norma ocupa papel essencial na estrutura legal e administrativa do país.
Diferentemente das leis ordinárias, que recebem aprovação por maioria simples nas duas casas do Congresso Nacional, as leis complementares exigem maioria absoluta. Esse quórum qualificado reflete a relevância dos temas tratados e confere maior estabilidade jurídica ao ordenamento.
Características das leis complementares
Maioria absoluta
A aprovação de uma lei complementar exige votos favoráveis de mais da metade dos membros de cada casa legislativa. Esse requisito reforça o consenso político necessário para sua promulgação.
Regulamentação constitucional
A lei complementar detalha normas constitucionais que dependem de regulamentação específica. Ela não altera o texto constitucional, mas preenche lacunas e esclarece dispositivos que necessitam de aplicação prática. Exemplos incluem regras sobre tributos, organização dos entes federativos e direitos fundamentais.
Autonomia em relação à emenda constitucional
A criação ou alteração de uma lei complementar não depende de emenda constitucional. O Congresso Nacional pode aprovar essas normas diretamente, desde que respeite os limites fixados pela própria Constituição.
Distinção formal e material
A Constituição determina quais matérias exigem tratamento por lei complementar. Essa distinção não implica hierarquia superior em relação às leis ordinárias, mas sim uma delimitação de competências. Uma lei ordinária não pode tratar de temas reservados à lei complementar, e vice-versa.
Exemplos relevantes
- Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal: estabelece normas para gestão fiscal, controle de despesas públicas e transparência nas contas governamentais. Define limites para endividamento e impõe metas de equilíbrio orçamentário.
- Lei Complementar nº 95/1998 – Técnica Legislativa: regula a elaboração, redação e revisão das normas jurídicas. Define critérios para estrutura textual, clareza e organização das leis, com objetivo de facilitar interpretação e aplicação.
- Lei Complementar nº 116/2003 – Imposto sobre Serviços (ISS): disciplina a cobrança do ISS pelos municípios. Define alíquotas, serviços tributáveis e regras gerais de arrecadação, para promover uniformidade na legislação tributária municipal.
- Lei Complementar nº 123/2006 – Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte: institui regime jurídico simplificado para pequenos negócios. A figura do Microempreendedor Individual (MEI) surgiu dentro desse estatuto, com alterações posteriores trazidas pela Lei Complementar nº 128/2008, que ampliou o acesso ao regime e definiu benefícios previdenciários e tributários.
- Lei Complementar nº 141/2012 – Financiamento da Saúde: estabelece critérios para aplicação de recursos públicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Define percentuais mínimos de investimento por esfera governamental e regras de prestação de contas.
Diferença entre lei complementar e lei ordinária
A diferença principal reside no processo legislativo e na natureza das matérias tratadas. A lei ordinária aborda temas gerais e recebe aprovação por maioria simples. A lei complementar trata de assuntos específicos previstos pela Constituição e exige maioria absoluta.
Não existe hierarquia entre essas duas espécies normativas. A lei ordinária, no entanto, não pode invadir o campo reservado à lei complementar. Em caso de conflito, prevalece a norma que respeita a competência constitucional.
Quando a lei complementar se torna necessária
A Constituição exige lei complementar para regulamentar temas complexos ou sensíveis, como criação de tributos, organização administrativa, repartição de competências entre entes federativos e aplicação de direitos fundamentais. Essas normas garantem maior precisão jurídica e estabilidade institucional.
O processo legislativo mais rigoroso e o conteúdo técnico reforçam a importância da lei complementar no ordenamento brasileiro. Sua existência assegura coerência entre a Constituição e a legislação infraconstitucional, para promover segurança jurídica e governança eficiente.
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