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Contas externas têm menor déficit para novembro desde 2016

Economistas projetam que os déficits mensais devem seguir em ritmo moderado à frente

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Por Redação B3 Bora Investir

As contas externas do País tiveram saldo negativo em novembro de 2023, chegando a US$ 1,553 bilhão, informou nesta quarta-feira (3) o Banco Central (BC). No mesmo mês de 2022, o déficit foi de US$ 1,674 bilhões nas transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países. 

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É o menor déficit nas transações correntes para o mês novembro desde 2016. Naquele ano, o resultado negativo foi de US$ 879 milhões.

Em 12 meses encerrados em novembro, o déficit em transações correntes foi US$ 33,655 bilhões. O valor corresponde a 1,56% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país). 

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, a relação do déficit da conta corrente com o PIB em 12 meses é a menor taxa desde fevereiro de 2018, quando ficou em 1,53%. “No acumulado do ano, houve uma diminuição expressiva em relação ao ano anterior”, comparou. Ao longo de 2022, esse porcentual esteve sempre acima de 2%, chegando a superar os 3% em setembro daquele ano.

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Perspectiva é positiva para próximos meses

De acordo com Rocha, as transações correntes tem um cenário bastante robusto, com déficits decrescentes e baixos, principalmente em razão dos resultados positivos da balança comercial.

Segundo o economista da XP Investimentos Rodolfo Margato, apesar de o superávit comercial menor do que o esperado pela corretora, o balanço de pagamentos do Brasil segue “robusto”. Ele destaca o desempenho recorde da balança comercial no ano e o déficit em conta corrente abaixo dos níveis históricos. “Esta conjuntura reflete a resiliência da economia brasileira diante de desafios globais”, afirma.

O economista-chefe do Banco Bmg, Flavio Serrano, projeta que os déficits mensais nas transações correntes líquidas devem seguir em ritmo moderado à frente, ao menos durante o primeiro semestre de 2024. Isso se dá pela expectativa de continuidade de superávits consistentes na balança comercial em um cenário de acomodação da atividade econômica doméstica, com volume moderado de importações.

No mês, o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 7,780 bilhões, conforme também informou o BC. O resultado veio acima do teto das estimativas do mercado. O resultado, segundo Serrano, compensa em parte as frustrações recentes com a métrica. “Paga um pouco a conta dos últimos meses mais fracos”, diz. Para o economista, porém, ainda é cedo para avaliar se houve um movimento pontual em novembro, ou se o investimento estrangeiro no País irá recuperar o nível robusto visto em anos anteriores.

Câmbio

O cenário de contas externas brasileiras, segundo Serrano, corrobora para um “valor justo” do câmbio, entre R$ 4,80 e R$ 4,90, nível em que o dólar já vem operando nos últimos meses. Serrano ressalta, porém, que o comportamento do dólar em termos globais também é um elemento importante para esta equação, e por isso há chance de volatilidade na cotação no curto prazo.

“Temos um cenário em que o Fed diz que vai ter 0,75 ponto porcentual de cortes no juro lá no ano que vem, enquanto o mercado fala em 1,5 p.p. Também há chance de o Banco Central acelerar a redução da Selic aqui, então esse diferencial de juro vai ser o fator chave para determinar a dinâmica da moeda”, avalia.

Balança comercial e serviços

As exportações de bens totalizaram US$ 28,104 bilhões em novembro do ano passado, redução de 1% em relação a igual mês de 2022. As importações somaram US$ 21,431 bilhões, queda de 9,6% na comparação com novembro de 2022. Com esses resultados, a balança comercial fechou com o superávit de US$ 6,673 bilhões em novembro, ante saldo positivo de US$ 4,669 bilhões em novembro de 2022. 

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É o maior superávit comercial para o mês de novembro da série histórica do BC, iniciada em 1995. O déficit na conta de serviços – viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos e seguros, entre outros – somou US$ 3,552 bilhões em novembro, ante os US$ 2,631 bilhões em igual mês de 2022. Houve redução no déficit em transporte e viagens e aumento em aluguel de equipamentos. 

Rendas

Em novembro de 2023, o déficit em renda primária – lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários – chegou a US$ 4,650 bilhões, aumento de 16% ante os US$ 4,010 bilhões no mesmo mês de 2022. Normalmente, essa conta é deficitária, já que há mais investimentos de estrangeiros no Brasil – e eles remetem os lucros para fora do país – do que de brasileiros no exterior. 

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As despesas líquidas com juros passaram de US$ 882 milhões em novembro de 2022 para US$ 1,014 bilhão no mês passado. No caso dos lucros e dividendos associados aos investimentos direto e em carteira, houve déficit de US$ 3,677 bilhões no mês de novembro do ano passado, frente aos US$ 3,140 de déficit observado em novembro de 2022.

A conta de renda secundária – gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens – teve resultado negativo de US$ 24 milhões no mês de novembro do ano passado, contra superávit US$ 298 milhões em novembro de 2022. 

Financiamento 

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) foram ligeiramente superiores na comparação interanual. O IDP somou US$ 7,780 bilhões em novembro último, ante US$ 7,583 bilhões em novembro de 2022, o maior para o mês de novembro desde 2019 (US$ 8,7 bilhões).

O IDP acumulado em 12 meses totalizou US$ 57,718 bilhões (2,68% do PIB) em novembro de 2023, ante US$ 57,522 bilhões (2,71% do PIB) no mês anterior e US$ 77,063 bilhões (4,01% do PIB) no período encerrado em novembro de 2022. 

A previsão do BC é que os investimentos diretos no país cheguem a US$ 60 bilhões em 2023, segundo o último Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro. Para 2024, o IDP deve chegar a US$ 70 bilhões.

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo e costumam ser investimentos de longo prazo.

No caso dos investimentos em carteira no mercado doméstico, houve entradas líquidas de US$ 2,415 bilhão em novembro de 2023, compostas por ingressos líquidos de US$ 1,582 bilhão em ações e fundos de investimento e de US$ 833 milhões em títulos de dívida. Nos 12 meses encerrados em novembro último, os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram ingressos líquidos de US$ 13,6 bilhões. 

O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 348,406 bilhões em novembro de 2023, aumento de US$ 8,159 bilhões em comparação ao mês anterior.

*Com Agência Estado e Agência Brasil

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